Itaú Ventures investe em mineração de Bitcoin

O Itaú Ventures, braço de investimentos em startups do banco Itaú, ampliou sua exposição ao Bitcoin ao investir na Minter Digital, empresa especializada em data centers móveis voltados à mineração da criptomoeda. A iniciativa ocorre em um momento estratégico, à medida que o setor busca soluções mais eficientes para aproveitar energia excedente no Brasil.

Embora o valor do aporte não tenha sido divulgado, o histórico do Itaú Ventures aponta investimentos entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões. Assim, o movimento reforça o interesse crescente de grandes instituições financeiras em infraestrutura ligada ao mercado de criptomoedas.

Infraestrutura modular impulsiona mineração

Fundada em 2023, a Minter desenvolve data centers modulares instalados em contêineres. Cada unidade comporta até 200 máquinas, o que garante flexibilidade operacional. Além disso, a empresa desloca os equipamentos conforme a disponibilidade de energia, otimizando custos e eficiência.

Segundo o CEO Stefano Sergole, o modelo tem apresentado maior rentabilidade quando aplicado à mineração de Bitcoin. Isso ocorre porque a atividade consome grandes volumes de energia de forma contínua, característica útil para absorver excedentes energéticos.

“Para o nosso modelo flexível, tem sido mais rentável nos posicionar em mineração de Bitcoin”, afirmou Stefano Sergole.

Atualmente, a empresa opera uma planta em Xique-Xique, na Bahia, com capacidade de 20 MW. Ao mesmo tempo, a Minter pretende dobrar esse volume até o fim do ano, alcançando 40 MW. Em paralelo, projeta uma expansão mais ambiciosa, com meta de atingir 500 MW até 2029.

Dessa forma, a estratégia combina mobilidade e eficiência energética, ao passo que acompanha uma tendência global de integração entre energia e ativos digitais, especialmente em regiões com alta produção renovável.

Uso de energia excedente ganha protagonismo

O principal diferencial da Minter está no uso do chamado curtailment. Em outras palavras, trata-se da energia que deixa de ser aproveitada devido ao excesso de produção ou limitações da rede elétrica.

Nesse contexto, a startup instala seus data centers próximos às usinas com o objetivo de capturar esse excedente. Assim, transforma uma perda operacional em fonte de receita e cria uma alternativa economicamente viável para geradoras de energia.

“A Minter torna possível monetizar o que vai ser perdido no curtailment e resolver a dor atual de várias geradoras”, explicou o CEO.

Esse modelo atende a duas demandas simultâneas. Por um lado, melhora a eficiência do setor energético. Por outro, fortalece a infraestrutura necessária para o crescimento do mercado cripto.

O investimento do Itaú evidencia a convergência entre finanças tradicionais e inovação tecnológica, conforme destacou o Pipeline. Além disso, a operação na Bahia já demonstra a viabilidade do modelo.

Por fim, a expansão planejada indica confiança no avanço da mineração de Bitcoin no Brasil. Nesse sentido, empresas como a Minter ganham relevância ao oferecer soluções práticas para desafios energéticos e monetização de excedentes.