Uzbequistão cria zona e zera impostos para Bitcoin

O Uzbequistão adotou uma estratégia direta para atrair operações globais de mineração de Bitcoin ao instituir uma zona econômica especial com isenção fiscal por 10 anos. A medida elimina impostos corporativos, de propriedade e sobre uso da terra, ao passo que reforça a competitividade do país no setor.

O decreto foi assinado pelo presidente Shavkat Mirziyoyev em 17 de abril de 2026 e passou a valer em 20 de abril. Com isso, foi criado o Besqala Mining Valley, localizado na República de Karakalpakstan. A iniciativa marca uma inflexão na política econômica nacional e posiciona o país na disputa por investimentos em infraestrutura de mineração em larga escala.

Zona especial amplia atratividade para mineração

A área será supervisionada pela Agência Nacional de Projetos Prospectivos (NAPP), responsável por licenciar e regular as operações. Nesse sentido, empresas poderão obter статус de residentes, o que garante acesso a fontes de energia autorizadas e liberdade para negociar ativos minerados tanto no mercado interno quanto no exterior.

Além disso, as regras energéticas foram flexibilizadas. Operadores poderão utilizar fontes renováveis, usinas de hidrogênio e também eletricidade da rede nacional, embora essa última opção tenha tarifas mais elevadas. Ainda assim, a mudança amplia a viabilidade operacional e favorece grandes estruturas de mineração.

Apesar da ampla isenção fiscal, o governo estabeleceu uma cobrança mensal de 1% sobre a receita das operações. Ademais, todas as receitas oriundas da venda dos ativos deverão passar pelo sistema bancário local. Dessa forma, o Estado mantém controle sobre os fluxos financeiros, enquanto preserva incentivos econômicos relevantes.

O movimento ocorre em um contexto de busca global por jurisdições com maior previsibilidade regulatória e custos reduzidos. Por conseguinte, o Uzbequistão tenta se posicionar como alternativa relevante na disputa por hash rate, alinhado a tendências do setor observadas pela Agência Internacional de Energia.

Região estratégica e expansão energética

A escolha de Karakalpakstan reflete objetivos econômicos mais amplos. Conforme relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2025, a região apresenta baixos níveis de industrialização e alta vulnerabilidade socioeconômica. Assim, o projeto busca impulsionar o desenvolvimento local por meio da infraestrutura tecnológica.

Além disso, a proximidade com o Cazaquistão favorece a logística e a integração regional. Ao mesmo tempo, o governo planeja expandir a capacidade energética para até 1 GW, com o objetivo de sustentar operações de mineração em grande escala.

Outro ponto relevante é o prazo regulatório. O governo definiu um período de até dois meses, a partir da ativação da zona, para concluir ajustes no código tributário. Dessa maneira, pretende consolidar o arcabouço legal necessário para o funcionamento pleno do projeto.

Incentivos e controle caminham juntos

O modelo combina incentivos fiscais agressivos com supervisão estatal direta. Por um lado, há isenção tributária por uma década e maior flexibilidade energética. Por outro, exige-se processamento financeiro via bancos locais e aplica-se uma taxa de 1% sobre a receita.

Em outras palavras, o Uzbequistão busca equilibrar abertura econômica com controle regulatório. Como resultado, a estratégia pode atrair grandes empresas do setor, ao mesmo tempo em que garante transparência nas operações.

Por fim, a iniciativa sinaliza uma diversificação econômica estruturada. Ao investir na mineração de Bitcoin, o país tenta gerar novas receitas e estimular uma de suas regiões mais vulneráveis, consolidando o Besqala Mining Valley como peça central dessa política.