Bitcoin sobe com futuros e eleva risco de correção
O Bitcoin mantém trajetória de alta, mas o movimento recente apresenta um perfil mais especulativo. Dados da CryptoQuant, compartilhados pelo chefe de pesquisa Julio Moreno, indicam que a valorização tem sido impulsionada principalmente por contratos futuros perpétuos, enquanto a demanda no mercado à vista segue enfraquecida.
Esse desequilíbrio, portanto, aumenta o risco de correções no curto prazo. A análise considera o crescimento acumulado da demanda em 30 dias e mostra que traders alavancados lideram o avanço. Ao mesmo tempo, investidores do mercado à vista permanecem menos ativos, ainda que haja leve recuperação recente.
O cenário ficou evidente quando o ativo se aproximou da faixa de US$ 80 mil. Após uma alta semanal de cerca de 4,18%, o preço atingiu aproximadamente US$ 79.500. No entanto, recuou para a região de US$ 77.777, sinalizando fragilidade no suporte.

Fonte: @jjcmoreno no X
Alta depende de alavancagem e acende alerta
Segundo Julio Moreno, uma estrutura semelhante ocorreu em janeiro. Na ocasião, a forte atividade em futuros perpétuos levou o Bitcoin próximo dos US$ 98 mil. Contudo, a tendência perdeu força posteriormente, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento atual.
Conforme o gráfico analisado, as barras azuis representam a demanda em futuros perpétuos, enquanto as barras em rosa indicam a demanda no mercado à vista. Ao longo de abril, os futuros registraram crescimento expressivo. Em contrapartida, a demanda à vista permaneceu negativa.
Esse descompasso sugere que o preço sobe mais rápido do que a acumulação real do ativo. Em outras palavras, o rali depende fortemente de posições alavancadas. Como resultado, o mercado se torna mais sensível a liquidações e reversões bruscas.
Além disso, Moreno destaca que a ausência de compradores consistentes no mercado à vista reduz o suporte estrutural. Dessa forma, aumentam as chances de correções após movimentos mais intensos. Ainda que o preço avance, a base de sustentação permanece frágil.
Desequilíbrio entre futuros e spot amplia volatilidade
Em mercados equilibrados, há participação ativa tanto de investidores à vista quanto de derivativos. No entanto, o cenário atual mostra predominância clara dos futuros. Isso indica que boa parte da alta decorre de especulação, e não de acumulação de longo prazo.
Assim sendo, qualquer mudança no sentimento pode desencadear liquidações em massa. Como consequência, o preço tende a reagir rapidamente para baixo, padrão já observado em ciclos anteriores do mercado de criptomoedas.
ETFs e liquidações sustentam parte da alta
Apesar do alerta, outros indicadores mostram sinais positivos. O Índice de Medo e Ganância avançou 31 pontos desde a mínima de abril, passando de 28 para 59. Esse nível é o segundo mais alto em mais de seis meses.
Além disso, o fluxo institucional voltou a crescer. Os ETFs de Bitcoin registraram entradas de US$ 1,32 bilhão em março. Em abril, esse número subiu para US$ 1,87 bilhão, após quatro meses consecutivos de saídas, segundo dados da SoSoValue.

Outro fator relevante envolve as liquidações no mercado. Dados recentes mostram maior impacto sobre posições vendidas. Em um dos dias analisados, mais de US$ 183 milhões em shorts foram liquidados, contra US$ 13,98 milhões em posições compradas.
No dia seguinte, o padrão se repetiu. As liquidações de vendas atingiram US$ 87,53 milhões, enquanto as compras somaram US$ 35,79 milhões. Esse movimento reforça a pressão compradora no curto prazo.
Sentimento melhora, mas base segue frágil
Esse cenário indica que traders posicionados na queda foram forçados a encerrar posições, o que impulsionou o preço. Ainda assim, a dinâmica central do mercado permanece inalterada.
Ou seja, embora haja suporte vindo de ETFs, melhora no sentimento e liquidações, o protagonismo continua com os futuros. Dessa maneira, o desequilíbrio entre demanda especulativa e compra real segue como ponto crítico.
Em conclusão, o Bitcoin mantém viés de alta no curto prazo. Contudo, a ausência de suporte consistente no mercado à vista exige cautela, já que esse fator pode definir os próximos movimentos do ativo.