Cursor: FTX vendeu fatia por US$ 200 mil e vale US$ 3 bi
A massa falida da FTX vendeu uma participação de 5% na startup de inteligência artificial Cursor por apenas US$ 200 mil em abril de 2023. Três anos depois, esse mesmo ativo passou a ser estimado em cerca de US$ 3 bilhões, com base em avaliações recentes do setor.
O salto expressivo ocorre em meio ao avanço da inteligência artificial e ao interesse de grandes empresas. Nesse contexto, negociações envolvendo a SpaceX consideram uma avaliação de até US$ 60 bilhões para a companhia, o que elevou significativamente o valor potencial da participação originalmente detida pela FTX.
Assim, o episódio se tornou um dos casos mais emblemáticos de perda potencial em processos de falência no setor tecnológico. A diferença de aproximadamente 15.000 vezes entre os valores levanta questionamentos sobre a gestão de ativos sob pressão.
Liquidação da Cursor expõe perda potencial bilionária
Investimento inicial e venda sem ganho
O investimento original foi realizado pela Alameda Research em abril de 2022. Na ocasião, a empresa aportou US$ 200 mil na Anysphere, controladora da Cursor, em uma rodada seed que avaliava a companhia em US$ 4 milhões. Dessa forma, a Alameda adquiriu cerca de 5% de participação.
No entanto, após o colapso da FTX, a nova administração liderada por John J. Ray III iniciou a venda de ativos para gerar liquidez. Em abril de 2023, essa participação foi liquidada exatamente pelo mesmo valor investido.
Ou seja, não houve captura de valorização. Ainda que a decisão refletisse a urgência por caixa e o cenário de baixa no mercado, ativos foram convertidos sem considerar seu potencial de crescimento.
Crescimento acelerado e interesse estratégico
Com o avanço da inteligência artificial entre 2025 e 2026, a Cursor expandiu rapidamente sua base de clientes. Atualmente, a empresa atende cerca de 67% das companhias da Fortune 500 e ultrapassou US$ 1 bilhão em receita anual recorrente.
Esse crescimento colocou a startup no radar de grandes players de tecnologia. O interesse estratégico envolve o fortalecimento de ecossistemas de IA, especialmente diante da concorrência entre empresas como OpenAI e Anthropic.
Segundo informações de mercado, há negociações que consideram uma aquisição com base em avaliação de US$ 60 bilhões. Ainda assim, os termos não são definitivos e podem sofrer alterações.
Mesmo considerando possíveis diluições em rodadas posteriores, como um financiamento de US$ 900 milhões a US$ 9 bilhões de valuation, a perda potencial da FTX permanece significativa.
Impacto da falência na gestão de ativos inovadores
Liquidez imediata versus valor de longo prazo
O caso da Cursor reforça um debate estrutural sobre processos de falência, especialmente em setores de alta inovação. A necessidade de liquidez imediata pode comprometer ganhos futuros relevantes.
Além disso, mercados como o de inteligência artificial são altamente voláteis. Portanto, decisões sob pressão tendem a ignorar ciclos de crescimento. Como resultado, ativos promissores podem ser vendidos por valores muito abaixo do seu potencial.
Esse cenário também dialoga com o mercado de criptomoedas, onde oscilações rápidas influenciam decisões estratégicas e aumentam a complexidade da gestão em momentos críticos.
Ao mesmo tempo, análises da Bloomberg indicam que empresas de IA continuam atraindo múltiplos elevados, mesmo em cenários de incerteza.
Declarações e consequências no caso FTX
Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX, cumpre pena de 25 anos e segue defendendo que a liquidação acelerada destruiu valor significativo. Em fevereiro de 2026, ele afirmou que o patrimônio líquido da FTX poderia ter alcançado US$ 78 bilhões caso os ativos fossem mantidos.
Nesse sentido, o caso da Cursor tornou-se um exemplo recorrente dessa argumentação. Isoladamente, o ativo representa bilhões em valor não realizado.
Por outro lado, o plano de recuperação priorizou a devolução de recursos aos clientes em dólares, incluindo pagamento de juros. Ainda assim, não preservou o potencial de valorização dos ativos.
Em suma, o episódio evidencia uma limitação central desses processos: recuperar valores nominais não significa preservar valor econômico futuro, especialmente em setores emergentes e altamente inovadores.