Bankman-Fried retira pedido de novo julgamento nos EUA
Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX, retirou formalmente seu pedido de novo julgamento nos Estados Unidos. A decisão ocorre em meio a preocupações sobre a possibilidade de não obter uma audiência justa. Atualmente, ele cumpre pena de 25 anos em uma prisão federal na Califórnia.
Em comunicado ao juiz Lewis Kaplan, do Tribunal Distrital do Sul de Nova York, a defesa informou que a retirada foi feita de forma estratégica e sem prejuízo. Ou seja, Bankman-Fried preserva o direito de reapresentar o pedido futuramente, especialmente após o andamento do recurso no Tribunal de Apelações do Segundo Circuito.
Estratégia jurídica orienta decisão
À primeira vista, a medida não altera a contestação da condenação. Pelo contrário, reflete uma estratégia jurídica calculada. Ao retirar o pedido neste momento, a defesa evita uma possível decisão desfavorável do juiz responsável pelo caso.
Segundo os advogados, Lewis Kaplan teria demonstrado parcialidade durante o julgamento. Nesse sentido, uma negativa agora poderia enfraquecer tentativas futuras de revisão. Assim, a equipe optou por concentrar esforços no processo de apelação, considerado mais relevante nesta fase.
Além disso, em fevereiro de 2026, a defesa apresentou um pedido formal para afastar o juiz Kaplan. O argumento central aponta viés significativo durante o julgamento. Esse pedido segue pendente e será analisado pelo mesmo tribunal responsável pelo recurso principal.
Foco na apelação em andamento
Enquanto isso, o recurso contra a condenação segue ativo. A defesa contesta tanto o veredito quanto a pena de 25 anos. Dessa forma, a retirada do pedido de novo julgamento permite direcionar recursos e atenção para essa etapa considerada decisiva.
Especialistas jurídicos avaliam que decisões precipitadas podem comprometer estratégias futuras. Por isso, preservar opções legais neste momento amplia as chances de revisão em instâncias superiores, ainda que o processo se torne mais longo.
Pedido se baseia na Regra 33
O mecanismo utilizado por Bankman-Fried está previsto na Regra 33 das Regras Federais de Processo Penal dos Estados Unidos. A norma permite solicitar um novo julgamento com base em novas evidências ou em nome da justiça.
O pedido original foi protocolado em março de 2026 e envolveu a participação de sua mãe, a professora de Direito Barbara Fried. Posteriormente, o próprio Bankman-Fried afirmou ter colaborado na elaboração do documento, versão contestada pelos promotores.
O juiz Kaplan solicitou esclarecimentos adicionais sobre a autoria do pedido, já que, naquele momento, o réu estava tecnicamente se representando. Isso levantou questionamentos sobre a validade processual da solicitação.
Impacto das exigências do tribunal
Bankman-Fried afirmou que atender às exigências processuais consumiu tempo e recursos relevantes. Segundo ele, isso prejudicou sua capacidade de responder plenamente aos argumentos da acusação, criando um obstáculo significativo.
Como resultado, a retirada do pedido busca reorganizar a estratégia jurídica e evitar desgaste adicional em uma fase crítica do processo.
Possível troca de juiz pode influenciar caso
Caso o pedido de impedimento de Kaplan seja aceito, o processo poderá ser redistribuído para outro magistrado. Nesse cenário, a defesa poderia reapresentar o pedido de novo julgamento em condições mais favoráveis.
Essa possibilidade ajuda a explicar a decisão atual. Ao evitar uma análise sob o mesmo juiz, a equipe jurídica preserva uma oportunidade futura mais estratégica.
Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado por especialistas e pelo mercado de criptomoedas. Informações públicas do sistema judicial indicam que recursos dessa natureza podem levar anos até uma definição final.
Atualmente, Bankman-Fried mantém múltiplas frentes legais abertas. O recurso no Segundo Circuito continua em andamento, ao passo que o pedido de impedimento do juiz ainda aguarda decisão. O desfecho dependerá dessas análises, que podem redefinir os rumos do caso.