Bitcoin sobe após DOJ encerrar caso contra Powell
O encerramento da investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), reduziu a incerteza política nos Estados Unidos e trouxe reação imediata aos mercados. Nesse contexto, o Bitcoin voltou a ganhar força, refletindo a diminuição do risco institucional e a maior previsibilidade sobre a política monetária.
Encerramento do caso reduz pressão sobre o Fed
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos encerrou a investigação sobre supostas irregularidades em um projeto de renovação de US$ 2,5 bilhões da sede do Federal Reserve, em Washington. Inicialmente, o caso representava um risco político relevante. Contudo, conforme afirmou a procuradora do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, a análise seguirá agora sob responsabilidade do inspetor-geral da própria instituição.
Ainda que exista a possibilidade de reabertura, o processo perdeu força jurídica. Esse enfraquecimento já havia sido sinalizado anteriormente. Em março, o juiz federal James Boasberg anulou intimações emitidas pelo Departamento de Justiça. Na ocasião, um promotor reconheceu haver “praticamente zero evidência” de crime, enquanto o magistrado classificou a investigação como “fraca e sem fundamento”.
Além disso, Jerome Powell criticou publicamente a apuração. Em janeiro, afirmou que o processo tinha motivação política. Segundo ele, a pressão surgiu porque o Fed define juros com base em critérios técnicos, e não em interesses da Casa Branca.
Alívio político favorece avanço de Kevin Warsh
Com o caso encerrado, o ambiente político mudou de forma relevante. Antes disso, a indicação de Kevin Warsh enfrentava resistência no Senado. O senador republicano Thom Tillis chegou a prometer bloquear a confirmação enquanto a investigação estivesse ativa, classificando-a como “falsa”, conforme relatou.
Agora, a expectativa é de tramitação mais rápida. A votação pode ocorrer antes de 15 de maio, data prevista para o fim do mandato de Powell. Assim, o cenário político tende a acelerar uma definição sobre o comando do Fed.
Durante audiência recente, Kevin Warsh afirmou que manterá “independência rigorosa” em relação ao governo. Também declarou que nunca recebeu pedidos diretos do presidente para influenciar decisões monetárias. Ainda assim, sua indicação divide opiniões. A senadora Elizabeth Warren critica sua proximidade com interesses políticos, enquanto republicanos destacam sua experiência e perfil técnico.
Bitcoin reage ao cenário de juros e estabilidade institucional
O desfecho do caso tem impacto direto nos mercados globais. O Bitcoin, em particular, segue sensível às expectativas sobre juros nos Estados Unidos. Ao longo do ano, a criptomoeda oscilou entre US$ 70.000 e US$ 92.000, refletindo mudanças no apetite por risco.
Historicamente, juros mais baixos favorecem ativos como o Bitcoin, pois reduzem a atratividade de aplicações tradicionais. Como resultado, investidores buscam alternativas com maior potencial de valorização. Por outro lado, períodos de aperto monetário tendem a limitar ganhos mais expressivos.
Kevin Warsh é visto como mais rígido no combate à inflação. Ele já classificou a resposta do Fed após a pandemia como “o maior erro de política monetária em 40 ou 50 anos”. Dessa forma, caso assuma o comando, poderá manter uma postura mais restritiva.
Cenários para juros e criptomoedas
Atualmente, as taxas de juros estão na faixa entre 3,5% e 3,75%. Nesse cenário, investidores monitoram qualquer sinal de mudança. Se Warsh adotar uma linha mais dura, o mercado pode enfrentar um período prolongado de aperto monetário, o que tende a conter avanços mais agressivos do Bitcoin.
Por outro lado, uma eventual flexibilização ampliaria a liquidez global. Nesse caso, ativos de risco, incluindo criptomoedas, tendem a se beneficiar de forma mais consistente.
Em conclusão, o encerramento da investigação contra Jerome Powell remove um fator relevante de instabilidade. Ao mesmo tempo, fortalece o avanço de Kevin Warsh e reforça o peso das decisões do Federal Reserve. Assim, o comportamento do Bitcoin permanece diretamente ligado às expectativas sobre juros e política monetária nos Estados Unidos.