Aave propõe 25 mil ETH para ataque ao Kelp DAO
A Aave DAO apresentou uma proposta para utilizar 25.000 ETH de sua tesouraria com o objetivo de mitigar os efeitos do recente ataque ao Kelp DAO. A medida integra um esforço mais amplo, denominado DeFi United, que busca restaurar os fundos dos usuários afetados e estabilizar os mercados de empréstimos impactados.
O incidente ocorreu em 18 de abril, quando o Kelp DAO sofreu um ataque direcionado ao adaptador rsETH na infraestrutura de interoperabilidade LayerZero. Como resultado, a falha permitiu que o invasor drenasse ativos e rompesse a relação de lastro entre o ETH bloqueado como garantia e os tokens emitidos em diferentes redes. Dessa forma, o episódio desencadeou um efeito em cadeia que comprometeu liquidez e solvência em múltiplas plataformas DeFi expostas ao rsETH.
Resposta coordenada tenta conter impacto sistêmico
Conforme a proposta de governança publicada em documento, o invasor roubou 152.577 rsETH, equivalentes a cerca de 163.183 ETH nas taxas atuais. Ainda assim, esforços coordenados reduziram parte relevante do impacto inicial.
O Kelp DAO conseguiu congelar 40.373 rsETH, aproximadamente 43.168 ETH. Além disso, o Conselho de Segurança da Arbitrum recuperou 30.766 ETH que ainda estavam sob controle do invasor na rede.

Outras recuperações são esperadas por meio de liquidações em protocolos de empréstimo. Nesse sentido, posições do invasor na própria Aave podem gerar até 12.323 ETH adicionais. Ao mesmo tempo, cerca de 1.845 ETH podem ser recuperados via Compound. Somando esses valores, o montante recuperado alcança aproximadamente 87.955 ETH, ou seja, pouco mais da metade do prejuízo inicial.
No entanto, ainda persiste um déficit estimado em cerca de 75.081 ETH. Portanto, novas medidas coordenadas tornam-se essenciais para restaurar completamente o lastro dos ativos afetados.
Déficit ainda pressiona o ecossistema DeFi
Apesar do avanço, o desequilíbrio remanescente continua representando risco sistêmico. Assim, a mobilização entre protocolos DeFi se intensifica, especialmente diante da interdependência entre ativos sintéticos e garantias cruzadas.
DeFi United reúne capital e crédito para cobrir perdas
Para reduzir a lacuna, a coalizão DeFi United combina doações, linhas de crédito e suporte de tesourarias. Até o momento, participantes como EtherFi, Lido e Ethena prometeram cerca de 14.570 ETH. Além disso, a Mantle disponibilizou uma linha de crédito que pode chegar a 30.000 ETH.
Nesse contexto, a proposta da Aave de aportar 25.000 ETH é considerada central. O valor é classificado como ancorado, ou seja, não será reduzido mesmo com novas contribuições. Em contrapartida, capital adicional arrecadado será direcionado ao pagamento de empréstimos, reduzindo a exposição de longo prazo do protocolo.

O plano completo prevê a reinjeção de aproximadamente 120.015 ETH no sistema ligado à LayerZero, com o objetivo de restaurar a integridade do protocolo. Esse cálculo desconsidera os 43.168 ETH já congelados. Ainda assim, parte dos valores não possui liquidez imediata, o que exige financiamento de curto prazo por parceiros do ecossistema.
Recuperação depende de liquidez e coordenação
Em outras palavras, a recomposição total depende tanto da liquidez disponível quanto da coordenação entre os protocolos envolvidos. Embora haja progresso consistente, o processo ainda exige tempo e capital adicional.
Como resultado, o ataque ao Kelp DAO gerou perdas superiores a 163 mil ETH em rsETH. Ainda que parte relevante tenha sido recuperada, o déficit remanescente exige mobilização contínua. Nesse cenário, a atuação da Aave se destaca como peça-chave para sustentar a recuperação e evitar novos efeitos sistêmicos no mercado DeFi.