Stablecoins dominam compras cripto no Brasil
Os brasileiros mais do que dobraram os gastos com criptomoedas no exterior no primeiro trimestre de 2026. O movimento reforça o papel das stablecoins como principal porta de entrada para o mercado global de ativos digitais. Em vez da compra direta de ativos como o Bitcoin, investidores passaram a priorizar versões digitais do dólar.
Dados do Banco Central mostram que o volume líquido dessas operações saltou de US$ 3,1 bilhões entre janeiro e março de 2025 para US$ 6,9 bilhões no mesmo período de 2026. Em reais, o valor equivale a cerca de R$ 34,4 bilhões, o que representa crescimento de 122,6%. As estatísticas podem ser consultadas no portal oficial da autoridade monetária.
Desse total, praticamente todo o montante está ligado às stablecoins. Apenas US$ 116 milhões foram classificados como operações com criptomoedas sem passivo correspondente, categoria que inclui ativos como o Bitcoin. Em contrapartida, US$ 6,8 bilhões vieram de negociações com stablecoins, evidenciando sua dominância no fluxo internacional.
Uso crescente de stablecoins no Brasil
O avanço não ocorre de forma isolada. Dados da Receita Federal indicam que o Brasil registrou R$ 505,5 bilhões em operações com criptoativos em 2025, o maior volume da série histórica. Além disso, houve crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior.
USDT lidera e impulsiona dolarização
Nesse cenário, o USDT, emitido pela Tether, respondeu por quase dois terços do volume declarado. Assim, esse protagonismo ajuda a explicar a consolidação das stablecoins como instrumento de dolarização. Diferentemente de ativos mais voláteis, elas mantêm paridade com moedas fiduciárias, sobretudo o dólar.
Consequentemente, esses ativos são utilizados em diversas frentes, como remessas internacionais, pagamentos digitais e proteção cambial. Além disso, funcionam como reserva de valor de curto prazo, especialmente em momentos de instabilidade econômica.
No Brasil, a busca por exposição ao dólar digital cresce de forma consistente. Ao mesmo tempo, essa tendência acompanha o cenário global, no qual as stablecoins ganham relevância como infraestrutura financeira alternativa, principalmente em mercados emergentes.
Aceleração recente reforça mudança estrutural
O avanço no início de 2026 dá continuidade a uma trajetória já observada anteriormente. No quarto trimestre de 2025, por exemplo, os gastos com criptomoedas no exterior haviam atingido US$ 6 bilhões.
Comparação anual mostra salto expressivo
Na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, o crescimento de 122,6% indica uma mudança estrutural no comportamento do investidor brasileiro. Em vez de exposição direta à volatilidade, muitos optam por ativos mais estáveis.
Além disso, esse movimento sugere maior sofisticação nas estratégias. Investidores utilizam stablecoins para preservar capital enquanto aguardam melhores pontos de entrada em outros ativos.
Regulação amplia monitoramento do setor
O aumento no uso de stablecoins ocorre em paralelo à nova regulação de ativos virtuais no Brasil, em vigor desde fevereiro de 2026. As regras exigem que participantes do mercado forneçam informações mais detalhadas sobre suas operações.
Banco Central ganha mais visibilidade
O envio desses dados deve começar entre o fim do primeiro semestre e o início do segundo. Dessa forma, o Banco Central poderá aprimorar sua capacidade de análise ao longo da segunda metade do ano, ampliando a visibilidade sobre transações internacionais.
Atualmente, parte das informações ainda depende de dados agregados. No entanto, a nova estrutura permitirá identificar com mais precisão os participantes, os ativos utilizados e o peso real das stablecoins no ecossistema.
Esse avanço ocorre em um contexto global de expansão. O mercado de stablecoins já supera US$ 320 bilhões em valor total. Por isso, reguladores internacionais, como o Banco de Compensações Internacionais, alertam para possíveis impactos sobre políticas monetárias, crédito e estabilidade financeira.
Como resultado, os dados mais recentes consolidam a centralidade das stablecoins no Brasil. Dos US$ 6,9 bilhões movimentados no exterior no primeiro trimestre de 2026, US$ 6,8 bilhões estiveram ligados a esses ativos, enquanto apenas US$ 116 milhões envolveram outras criptomoedas.