Bitmine de Tom Lee supera 5M de Ethereum

A Bitmine, empresa focada em tesouraria de Ethereum fundada pelo analista de Wall Street Tom Lee, ultrapassou a marca de 5 milhões de ETH sob custódia. Ainda assim, a companhia registra perdas relevantes no papel, superiores a US$ 6,3 bilhões, refletindo a queda recente do ativo em relação ao preço médio de aquisição.

A empresa pagou, em média, mais de US$ 3.600 por unidade de Ethereum. Atualmente, o ativo é negociado próximo de US$ 2.300. Mesmo diante dessa diferença expressiva, a Bitmine manteve uma estratégia agressiva de acumulação. Além disso, ampliou posições em meio à pressão do mercado.

Entre 20 e 27 de abril, a companhia adquiriu 101.901 ETH. Com isso, elevou suas reservas totais para 5.078.386 unidades. O volume representa a maior compra semanal de 2026, superando o recorde registrado na semana anterior.

Estratégia de longo prazo reforça posição

Tom Lee classificou o marco como significativo. Segundo ele, a empresa levou apenas 10 meses para atingir esse nível. Além disso, definiu uma meta mais ambiciosa: alcançar 5% de toda a oferta circulante de Ethereum.

Para isso, a Bitmine ainda precisará adquirir milhões de unidades adicionais. Ainda assim, a gestão demonstra confiança na estratégia. Em outras palavras, interpreta o atual cenário como oportunidade de expansão, e não como risco estrutural.

Parte desse crescimento ocorreu por meio de negociação direta com a Fundação Ethereum. Relatos indicam a compra de 10.000 ETH em operação de balcão. Ao mesmo tempo, a fundação continua vendendo parte de seus ativos para financiar suas atividades.

ETH sendo negociado próximo de US$ 2.316. Fonte: TradingView

Lee sustenta uma visão otimista para o ativo. Conforme suas análises, o Ethereum apresenta potencial como reserva de valor e tende a ganhar espaço como colateral em operações financeiras. Isso ocorre à medida que o mercado de criptomoedas se integra ao sistema financeiro tradicional.

IA e demanda institucional fortalecem narrativa

Outro vetor relevante envolve a crescente demanda por agentes de inteligência artificial. Esses sistemas utilizam blockchains públicas e neutras como infraestrutura. Nesse contexto, o Ethereum se posiciona como peça central desse avanço tecnológico.

Para Lee, esse tipo de uso amplia a relevância da rede no longo prazo. Além disso, reforça a tese estrutural da empresa, baseada na convergência entre tecnologia, finanças e descentralização.

O executivo também destacou o desempenho recente do ativo. Segundo ele, o ETH superou o índice S&P 500 desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Como resultado, posicionou-se entre os ativos mais valorizados no período, atrás apenas do petróleo bruto.

Ações acompanham volatilidade do Ethereum

As ações da Bitmine, negociadas sob o ticker BMNR, subiram cerca de 1% na abertura de segunda-feira, sendo negociadas próximas de US$ 22, conforme dados do TradingView.

No entanto, no acumulado do ano, os papéis ainda registram queda superior a 20%. Esse desempenho acompanha, em grande parte, a desvalorização do Ethereum no mesmo período.

Mesmo assim, a empresa não alterou sua estratégia. Pelo contrário, intensificou o ritmo de compras. A movimentação recente indica que a gestão considera os preços atuais atrativos.

Como resultado, com mais de 5 milhões de ETH sob custódia, a Bitmine consolida sua posição entre as maiores detentoras institucionais do ativo e reforça sua aposta no crescimento do Ethereum, mesmo em um ambiente de volatilidade.