Bitcoin: mineradores reduzem vendas, diz Arab Chain
O Bitcoin se mantém acima de US$ 76.000 enquanto testa níveis importantes de resistência e busca força para prolongar a recuperação. Ainda que a tendência não esteja totalmente definida, dados recentes apontam uma mudança relevante no comportamento dos mineradores, grupo que impacta diretamente a oferta da criptomoeda.
Relatório da Arab Chain mostra que as transações de depósito de mineradores em exchanges caíram para cerca de 8.138, um dos níveis mais baixos já registrados. Em contraste, no fim de 2025, esse número chegou a superar 100.000 em determinados momentos, evidenciando forte pressão vendedora naquele período.
Naquele cenário, mineradores enviavam grandes volumes de Bitcoin às exchanges, movimento geralmente associado à realização de lucros. Como resultado, a oferta disponível aumentava e dificultava a recuperação dos preços.

Fonte: CryptoQuant
Queda nas vendas reduz pressão sobre o preço
Desde o início de 2026, essa dinâmica mudou de forma consistente. Os picos de depósitos praticamente desapareceram e, além disso, os volumes enviados às exchanges diminuíram de forma relevante, sinalizando retração na atividade de venda.
Com o Bitcoin negociado próximo de US$ 77.000, essa mudança indica que uma das principais fontes de pressão vendedora perdeu força. Ao mesmo tempo, os mineradores não apenas realizam menos transações, como também movimentam quantidades menores quando transferem ativos.
Segundo a Arab Chain, há duas explicações plausíveis. Em primeiro lugar, mineradores podem estar aguardando valorização futura e, portanto, optam por reter seus Bitcoins. Em segundo, pode haver uma mudança estrutural, com foco em acumulação independentemente das oscilações de curto prazo.
De fato, o efeito prático é semelhante: redução da oferta disponível para venda. Dessa forma, o mercado encontra menos resistência para sustentar movimentos de alta, sobretudo se a demanda permanecer consistente.
Faixa entre US$ 77 mil e US$ 82 mil ganha destaque
Nesse contexto, o intervalo entre US$ 77.000 e US$ 82.200 passa a ser mais acessível. Essa região é vista como zona de equilíbrio para investidores recentes. Portanto, a menor pressão vendedora pode facilitar a continuidade da recuperação.
Além disso, o cenário reforça a percepção de ajuste na dinâmica de oferta. Assim, mesmo sem um catalisador imediato, o ambiente se mostra mais construtivo do que nos meses anteriores.
Bitcoin consolida após romper resistência importante
Atualmente, o Bitcoin se estabiliza próximo de US$ 76.500 após romper a faixa de resistência entre US$ 73.000 e US$ 74.000, que limitava o preço ao longo de março. Agora, essa região passa a atuar como suporte, sugerindo mudança na estrutura de mercado.

Fonte: TradingView
A média móvel de 50 dias começou a subir e oferece suporte dinâmico. Por outro lado, a média de 100 dias atua como resistência imediata, enquanto a média de 200 dias ainda aponta para baixo, indicando que a tendência de longo prazo não foi totalmente revertida.
Além disso, o preço vem formando topos e fundos ascendentes desde a queda de fevereiro, quando o Bitcoin se aproximou de US$ 63.000. Esse padrão sugere um processo gradual de acumulação.
Mercado mostra indecisão no curto prazo
Apesar da recuperação, os candles recentes indicam indecisão. Corpos menores e sombras mais longas próximos à resistência revelam equilíbrio entre compradores e vendedores. Assim, o mercado ainda busca direção.
O volume acompanha esse comportamento. Embora haja recuperação, a participação segue moderada, o que reforça a hipótese de acumulação controlada, e não de uma alta impulsiva.
Caso o Bitcoin rompa a região de US$ 78.000, o próximo alvo relevante aparece próximo de US$ 82.000. Por outro lado, se perder o suporte em US$ 74.000, o preço pode retornar à faixa intermediária de consolidação.
Em conclusão, a redução nas vendas por mineradores coincide com a estabilidade atual do preço. Como resultado, a menor pressão de oferta pode favorecer a continuidade do movimento de alta, caso a demanda se mantenha consistente.