Banco Central: regra do BC pode atrasar saques
Após publicação das normas 519, 520 e 521 que estabelecem o novo marco regulatório das empresas de criptoativos e das prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs), o Banco Central do Brasil iniciou uma nova fase de supervisão sobre o mercado de criptomoedas. Ao implementar regras que alteram diretamente o funcionamento das exchanges no país. Como resultado, usuários podem enfrentar atrasos em depósitos e saques, já que as transações passam a exigir mais informações.
Conforme a Resolução nº 521 , publicada em novembro de 2025, o foco regulatório deixa de ser apenas estrutural e passa a atingir o fluxo das operações com ativos digitais. Assim, a norma introduz exigências que impactam diretamente a experiência do investidor.
Regra aproxima criptomoedas do mercado de câmbio
A regulamentação enquadra determinadas operações com criptomoedas em parâmetros semelhantes aos do mercado de câmbio. Dessa forma, transações internacionais, uso de stablecoins e movimentações com carteiras autocustodiadas passam a exigir maior rastreabilidade.
Com entrada em vigor prevista para 4 de maio de 2026, as plataformas deverão coletar dados como finalidade da operação, identificação das partes e país de origem ou destino. Em outras palavras, operações antes quase instantâneas passam a depender de validações adicionais.
Na prática, depósitos e saques deixam de ser concluídos apenas com validações técnicas. Agora, essas operações podem ser finalizadas somente após o preenchimento completo das informações exigidas.
Impacto direto para o usuário
A principal mudança envolve a necessidade de justificar cada transação. Assim, ao enviar ativos, o investidor poderá precisar informar a finalidade. Por outro lado, no recebimento, valores podem ficar temporariamente retidos até a validação dos dados.
Embora isso possa ser interpretado como bloqueio, não há perda de ativos. O saldo permanece pendente até a conclusão do processo e, depois da aprovação, é liberado normalmente.
Além disso, carteiras autocustodiadas passam a exigir identificação do proprietário. Nesse sentido, transferências entre exchanges e essas carteiras terão verificação de origem e destino, o que reduz o anonimato dentro de ambientes regulados.
Dados exigidos e novas obrigações
As exchanges precisarão coletar um conjunto mais amplo de informações. Entre elas estão data da operação, tipo de ativo, valor em reais, finalidade da transação e identificação das partes envolvidas. Ademais, será necessário informar o vínculo entre os participantes.
No caso de transações internacionais, a exigência aumenta. Será preciso incluir nome e país do remetente ou destinatário no exterior. Assim, os usuários passam a encontrar novos campos nas plataformas, com perguntas sobre o motivo da movimentação.
Caso os dados não sejam fornecidos, a transação pode ser interrompida. No envio, não será concluída. Já no recebimento, os valores podem permanecer retidos até a regularização.
Stablecoins entram no radar
A norma também abrange stablecoins, ativos atrelados a moedas fiduciárias como o dólar. Nesse contexto, essas operações passam a seguir regras próximas às do mercado de câmbio.
Apesar disso, não há previsão de cobrança automática de IOF até o momento. O tema foi discutido anteriormente, mas não houve implementação.
Além disso, a resolução estabelece limites para operações internacionais. Transações com instituições não autorizadas ficam limitadas a US$ 100 mil. Já operações com instituições autorizadas podem alcançar até US$ 500 mil, dependendo das condições.
Mais transparência, menos anonimato
Com as novas exigências, o mercado de criptomoedas no Brasil tende a se tornar mais estruturado. Exchanges deverão investir em tecnologia, armazenamento de dados e sistemas de reporte ao Banco Central.
Ao mesmo tempo, os usuários passam a operar em um ambiente mais transparente. Em contrapartida, o nível de anonimato diminui dentro das plataformas reguladas.
Embora a autocustódia continue permitida, o espaço para operações sem identificação será reduzido. Como resultado, o novo modelo amplia a supervisão sobre fluxos financeiros envolvendo ativos digitais.
Em conclusão, a Resolução BCB nº 521 altera a dinâmica das transações com criptomoedas no Brasil ao exigir mais dados e controles, o que impacta a velocidade das operações e reforça a rastreabilidade no setor.