Irã perde US$ 500 mi em cripto em ação dos EUA

A economia do Irã segue sob pressão intensa. A moeda local já acumula desvalorização entre 60% e 70% frente ao dólar americano. Além disso, após o colapso de um dos maiores bancos do país em dezembro, o cenário se agravou com a apreensão de quase US$ 500 milhões em criptomoedas vinculadas ao governo iraniano pelos Estados Unidos.

Apreensão de ativos digitais amplia pressão sobre o Irã

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que autoridades americanas assumiram o controle de aproximadamente US$ 500 milhões em ativos digitais ligados ao Irã. O montante supera os US$ 344 milhões divulgados anteriormente.

A atualização ocorreu durante entrevista ao programa Kudlow. Na ocasião, Bessent detalhou a amplitude da ofensiva econômica contra Teerã, conduzida em diversas frentes. Assim, o movimento reforça o cerco financeiro ao regime.

“Estamos congelando contas bancárias em todo lugar. Mais importante ainda, estamos tornando as pessoas menos dispostas a fazer negócios com o regime”, afirmou Bessent.

Além disso, o secretário destacou que fundos de aposentadoria e imóveis no exterior pertencentes a autoridades iranianas também estão na mira. Ainda assim, a diferença entre os valores divulgados não foi esclarecida oficialmente. Até o momento, não houve posicionamento adicional do Tesouro dos EUA ou da Tether sobre essa discrepância.

Parte relevante dos valores apreendidos, cerca de US$ 344 milhões, estava em USDT, uma stablecoin emitida pela Tether. A empresa confirmou o bloqueio após solicitação das autoridades americanas, com base em sanções do OFAC.

Operation Economic Fury intensifica sanções

As apreensões integram a Operation Economic Fury, iniciada em março de 2025 por ordem do presidente Donald Trump. O objetivo é limitar o acesso do Irã ao sistema financeiro global. Para isso, a estratégia combina bloqueio de ativos, congelamento de contas e novas sanções.

Em uma das ações recentes, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sancionou 35 entidades e indivíduos ligados a uma rede bancária paralela iraniana. Além disso, uma refinaria chinesa e cerca de 40 empresas de transporte marítimo foram alvo por facilitarem o comércio de petróleo em desacordo com restrições internacionais.

Fonte: Bloomberg

Outras 14 pessoas e empresas também foram sancionadas por fornecer componentes usados em drones militares da série Shahed e em propelentes para mísseis balísticos. Nesse sentido, a ofensiva ultrapassa o setor financeiro e atinge cadeias industriais estratégicas.

Desde fevereiro de 2025, mais de 1.000 indivíduos, embarcações e aeronaves ligados ao Irã foram sancionados. O Tesouro dos EUA informou que a operação segue em expansão.

Criptomoedas ganham espaço nas estratégias do Irã

Enquanto os Estados Unidos ampliam o bloqueio de ativos digitais, o Irã busca alternativas no mercado de criptomoedas. Nesse contexto, surgiram relatos de que o país avalia cobrar pedágios em Bitcoin de navios que atravessam o Estreito de Hormuz.

A proposta prevê uma taxa de cerca de US$ 1 por barril de petróleo transportado. Em contrapartida, embarcações vazias não seriam cobradas. Embora existam relatos de arrecadação nesse modelo, o governo iraniano não confirmou oficialmente a prática.

Ao mesmo tempo, a empresa de risco marítimo Marisks alertou para golpes na região. Criminosos estariam se passando por agentes iranianos para exigir pagamentos em Bitcoin ou USDT. Dessa forma, o ambiente se torna mais complexo e arriscado para operadores internacionais.

BTC sendo negociado a US$ 77.367 no gráfico de 24 horas. Fonte: TradingView

Em suma, a apreensão de quase US$ 500 milhões em ativos digitais evidencia o impacto direto das sanções sobre o Irã. Ao mesmo tempo, o uso crescente de criptomoedas pelo país indica uma tentativa de contornar as restrições, ainda que sob risco elevado e crescente vigilância internacional.