Bitcoin sobe 12% em abril e encerra quedas

Mesmo com sinais persistentes de cautela no mercado de criptomoedas, o Bitcoin encerrou abril com seu melhor desempenho mensal em 12 meses. Ainda assim, o Índice de Medo e Ganância marcou 39 pontos na sexta-feira, permanecendo na zona de “Medo”. Dessa forma, parte relevante dos investidores segue adotando postura conservadora, apesar da recuperação recente.

Alta mensal interrompe sequência negativa

O Bitcoin registrou valorização de 12% em abril, o melhor resultado desde abril de 2025, quando avançou 14%. Assim, o movimento interrompeu uma sequência de cinco meses consecutivos de queda e trouxe alívio parcial ao mercado.

“Após cinco meses seguidos de queda, o Bitcoin agora fechou dois meses consecutivos em alta, o que trouxe certo alívio ao mercado”, destacou o trader Daan Crypto Trades.

Apesar disso, o desempenho ficou levemente abaixo da média histórica de abril, que é de 13%, conforme dados da Coinglass. Ainda assim, o resultado sugere uma mudança de dinâmica no curto prazo.

O ativo iniciou o mês próximo de US$ 66.000 e passou a ser negociado na faixa de US$ 78.400. No entanto, o preço ainda está cerca de 35% abaixo do recorde histórico de US$ 125.100, registrado em outubro do ano passado. Portanto, apesar da recuperação, o mercado não retomou seu pico recente.

Sentimento ainda indica cautela

Embora os preços tenham avançado, o sentimento de mercado não acompanhou o mesmo ritmo. Nesse sentido, o Índice de Medo e Ganância reforça a permanência de cautela entre investidores. Além disso, esse comportamento indica que a confiança ainda não foi plenamente restabelecida.

Por outro lado, períodos de medo historicamente antecedem movimentos de valorização. Ainda que não haja garantia de continuidade, esse contexto pode abrir espaço para novas altas.

Analistas divergem sobre próximos movimentos

Com a chegada de maio, analistas apresentam leituras distintas. De um lado, a CryptoQuant alerta que a recente alta pode ter sido impulsionada principalmente por operações no mercado futuro, e não por demanda estrutural no mercado à vista.

Gráfico Bitcoin

Fonte: Coinglass

Segundo a CryptoQuant, esse tipo de movimento pode indicar fragilidade e aumentar o risco de correções nos próximos meses. Ainda assim, há visões mais otimistas no mercado.

Em contrapartida, Michaël van de Poppe, fundador da MN Trading Capital, avalia que o Bitcoin não precisa de um catalisador específico para voltar a superar os US$ 100.000. Para ele, o movimento de alta pode ocorrer de forma orgânica.

“Não é necessário um catalisador específico para impulsionar o preço. O movimento de alta acontece, e a narrativa surge depois”, afirmou.

O Bitcoin foi negociado acima de US$ 100.000 pela última vez em novembro, em um contexto de forte liquidação que movimentou cerca de US$ 19 bilhões no mês anterior. Esse histórico recente reforça como eventos bruscos ainda influenciam o comportamento do ativo.

Além disso, o analista Jelle mantém uma visão positiva no curto prazo, com expectativa de continuidade da tendência de alta nas próximas semanas.

BTCUSD sendo negociado próximo de US$ 78.473. Fonte: TradingView

Maio costuma favorecer o Bitcoin

Dados da Coinglass mostram que maio tende a ser positivo para o Bitcoin, com retorno médio de 7,78%. Assim sendo, esse histórico sustenta parte do otimismo entre investidores.

No entanto, especialistas reforçam que desempenho passado não garante resultados futuros, sobretudo em um mercado altamente volátil como o de criptomoedas.

Em conclusão, o cenário combina sinais construtivos com riscos relevantes. Enquanto a valorização recente e o histórico sazonal favorecem novas altas, indicadores de sentimento e a estrutura da demanda ainda exigem cautela por parte dos investidores.