Coreia do Norte nega roubo de US$ 577 mi apontado pela TRM
Coreia do Norte rejeita acusações sobre criptomoedas enquanto dados apontam forte alta em ataques ligados ao país em 2026.
A Coreia do Norte voltou a negar envolvimento em grandes roubos no mercado de mercado de criptomoedas, classificando as acusações como politicamente motivadas. Segundo autoridades do país, as alegações fazem parte de uma estratégia dos Estados Unidos para justificar pressões internacionais em meio ao aumento das tensões geopolíticas.
Ainda assim, o debate ganha força. Isso porque dados independentes indicam um avanço expressivo em ataques cibernéticos associados ao país ao longo de 2026, elevando preocupações no setor.
Coreia do Norte contesta acusações e aponta motivação política
Governo rejeita ligação com crimes cibernéticos
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte classificou as acusações como “calúnias absurdas”, conforme divulgou a KCNA. Segundo o governo, os Estados Unidos utilizam denúncias cibernéticas como instrumento político, enquanto se apresentam como vítimas apesar de sua posição como potência tecnológica.
Além disso, autoridades afirmaram que adotarão medidas para proteger seus interesses. Dessa forma, reforçam a narrativa de que existe uma campanha internacional coordenada contra o país. No entanto, especialistas apontam que as negativas contrastam com dados técnicos amplamente divulgados.
Estimativas da TRM Labs indicam que atores ligados à Coreia do Norte foram responsáveis por cerca de US$ 577 milhões em ativos digitais roubados entre janeiro e abril de 2026. O valor corresponde a aproximadamente 76% das perdas globais no período.
O salto é significativo. Em anos anteriores, a participação atribuída ao país ficava abaixo de 10%. Assim, os números sugerem uma intensificação relevante das operações cibernéticas.
Ataques recentes concentram perdas bilionárias
Incidentes de abril lideram prejuízos
Grande parte das perdas está concentrada em dois ataques registrados em abril. O primeiro, de US$ 292 milhões, atingiu o protocolo KelpDAO. Já o segundo, de US$ 285 milhões, teve como alvo o Drift Protocol.
Embora representem menos ocorrências, esses casos concentraram a maior parte do prejuízo financeiro. Segundo a TRM Labs, o ataque ao KelpDAO foi associado ao grupo TraderTraitor, ligado à rede Lazarus, frequentemente atribuída à Coreia do Norte.
Por outro lado, a autoria do ataque ao Drift Protocol segue sob investigação. Isso mantém incertezas sobre os responsáveis diretos pelo incidente.
Além disso, o histórico reforça as preocupações. Desde 2017, o volume total de ativos digitais supostamente roubados ultrapassa US$ 6 bilhões, conforme estimativas da mesma empresa. Esse padrão sugere continuidade e crescente sofisticação das operações.
Sanções aumentam e caso ganha dimensão global
Recursos seriam usados em programas militares
Autoridades internacionais afirmam que os recursos obtidos nesses ataques financiam programas militares. Um relatório das Nações Unidas, disponível documento, aponta que ativos digitais roubados contribuem para o desenvolvimento de armas nucleares e mísseis.
Diante disso, medidas de repressão foram intensificadas. Em março, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou sanções contra indivíduos e entidades ligados a essas operações.
Segundo as autoridades, redes associadas à Coreia do Norte geraram cerca de US$ 800 milhões apenas em 2024, utilizando esquemas com trabalhadores de TI e transações com criptomoedas.
Apesar disso, o impasse permanece. De um lado, empresas de análise e governos baseiam suas conclusões em rastreamento blockchain. De outro, a Coreia do Norte insiste que as acusações são politicamente motivadas. Ainda assim, os dados indicam um avanço consistente da participação do país em ataques cibernéticos ao longo de 2026.
Em outras palavras, o caso ultrapassa o setor financeiro e se consolida como um tema central de segurança global, com impacto direto no mercado cripto.