Coreia do Sul: US$ 115 bi migram para stablecoin
A Coreia do Sul enfrenta um forte deslocamento de capital digital para mercados internacionais, impulsionado pelo avanço de stablecoin atreladas ao dólar. Ao longo de 2025, investidores sul-coreanos transferiram cerca de US$ 115,3 bilhões para exchanges no exterior. Como resultado, o movimento pressionou o won, que chegou a ultrapassar 1.500 por dólar.
Além disso, o fluxo massivo não apenas enfraquece a moeda local, como também altera a dinâmica do mercado cripto doméstico. Ao mesmo tempo, as reservas locais de stablecoin recuaram cerca de 55%. Esse movimento indica migração consistente de capital para outros ativos, incluindo ações do setor de semicondutores.
Dados do Banco da Coreia apontam uma mudança estrutural na busca por proteção cambial. Nesse sentido, cresce a preferência por stablecoin vinculadas ao dólar como alternativa ao sistema financeiro local.
Pressão cambial acelera resposta do governo
Plano inclui stablecoin atrelada ao won
Diante desse cenário, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, passou a priorizar a criação de uma stablecoin atrelada ao won. A proposta ganhou força durante a eleição presidencial de 2025 como resposta direta à saída de capital para moedas digitais estrangeiras.
Apenas no primeiro trimestre de 2025, quase US$ 40 bilhões deixaram exchanges locais, majoritariamente convertidos em stablecoin internacionais. Por conseguinte, o debate sobre soberania monetária digital se intensificou entre autoridades econômicas.
Além disso, grandes bancos sul-coreanos anunciaram a formação de um consórcio com o objetivo de desenvolver uma stablecoin baseada no won. A previsão de lançamento varia entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Paralelamente, empresas de tecnologia financeira como Kakao, Toss, BC Card e Shinhan avançam em soluções próprias. O Kakao Group, por exemplo, pretende integrar KakaoPay, KakaoBank e KakaoTalk em uma única carteira digital baseada em stablecoin, com o objetivo de formar um ecossistema financeiro integrado.
Regulação divide autoridades e setor financeiro
FSC e Banco da Coreia divergem
O avanço dessas iniciativas ocorre em meio a divergências regulatórias. A Comissão de Serviços Financeiros (FSC) sinalizou uma mudança estratégica ao excluir stablecoin baseadas em dólar de seus padrões de investimento. Em contrapartida, passou a favorecer pagamentos digitais denominados em won.
No entanto, o Banco da Coreia adota postura mais cautelosa. A instituição alerta que stablecoin locais podem abrir brechas para contornar controles de capital, o que levanta preocupações sobre estabilidade financeira e supervisão monetária.
Enquanto isso, o setor corporativo também passa por transformações relevantes. A Naver Corp anunciou um acordo para adquirir participação na Dunamu Inc., operadora da maior exchange de criptomoedas do país, a Upbit, em uma transação avaliada em cerca de US$ 10,3 bilhões em ações.
Se aprovada, a operação deve integrar uma das maiores plataformas cripto do mundo a um dos principais grupos tecnológicos da Coreia do Sul. A votação está prevista para maio de 2026, com possível conclusão até junho do mesmo ano.
Segurança ganha destaque no mercado cripto local
Infraestrutura evolui para atrair capital
Com o avanço das stablecoin, instituições financeiras locais intensificam investimentos em segurança. Entre as principais medidas estão carteiras com múltiplas assinaturas e soluções de armazenamento a frio. Além disso, a auditabilidade dos tokens se tornou prioridade no setor.
Esse movimento busca atrair investidores mais conservadores e, ao mesmo tempo, reforçar a credibilidade do mercado de criptomoedas no país. Em paralelo, participantes ampliam exposição a ativos digitais regulados, alinhando-se às tendências globais.
Em suma, a Coreia do Sul se consolida como um laboratório relevante para a regulação de ativos digitais. O mercado internacional acompanha de perto como o país equilibra inovação, controle de capital e estabilidade financeira diante da crescente influência das stablecoin.