Samson Mow: vender Bitcoin pode proteger empresas
O debate sobre empresas que mantêm Bitcoin em tesouraria ganhou novo fôlego após declarações de Samson Mow. Para ele, vender parte dos ativos não deve ser visto como um erro, mas como uma ferramenta estratégica para proteger acionistas e preservar flexibilidade.
Em publicação feita em 7 de maio na rede X, Mow afirmou que a discussão tem se tornado rígida. Segundo ele, a lógica adotada por investidores individuais não se aplica necessariamente a companhias listadas, que operam sob regras, pressões e expectativas próprias do mercado público.
“A Strategy vender Bitcoin não é algo ruim. Existem diferentes correntes de pensamento, mas empresas com tesouraria em Bitcoin devem vender quando necessário. O objetivo não é nunca vender, e sim beneficiar e proteger os acionistas.”
Flexibilidade define estratégia corporativa
O principal argumento de Mow gira em torno da opcionalidade. Em outras palavras, empresas que se comprometem a nunca vender seus Bitcoins tornam-se previsíveis. Como resultado, essa previsibilidade pode ser explorada por investidores, vendedores a descoberto e arbitradores.
Por outro lado, companhias que mantêm liberdade para vender, recomprar ações ou realizar hedge introduzem incerteza estratégica. Assim, tornam-se menos vulneráveis a movimentos especulativos e ampliam sua capacidade de resposta em cenários adversos.
Além disso, Mow ressalta que limitar-se a uma única abordagem reduz a competitividade. Ele compara o ambiente do mercado público a uma disputa constante, em que múltiplas ferramentas podem determinar o sucesso.
“Nunca vender limita a opcionalidade. Mercados públicos são uma guerra. E em uma guerra, você precisa de todas as ferramentas disponíveis.”
Apesar disso, a análise não sugere abandonar a tese de acumulação. Pelo contrário, Mow defende que vendas pontuais podem coexistir com o aumento da exposição ao ativo. Nesse contexto, a Strategy, liderada por Michael Saylor, segue como referência global em adoção institucional de Bitcoin.
Venda pode funcionar como proteção ao acionista
Mow também citou a estrutura BSTR, associada a Adam Back, como exemplo de transparência. Nesse modelo, investidores foram informados previamente sobre a possibilidade de venda de Bitcoin caso as ações fossem negociadas abaixo do valor líquido ajustado.
Com efeito, essa abordagem indica que a venda pode funcionar como mecanismo de proteção ao acionista. Ou seja, não se trata de abandonar o ativo, mas de utilizá-lo de forma estratégica dentro da gestão corporativa.
Além disso, ele relacionou o conceito ao desenvolvimento de títulos lastreados em Bitcoin. Segundo Mow, esses instrumentos incluem vendas programadas após um período de bloqueio de cinco anos, permitindo retorno de capital e distribuição de ganhos.
“Até mesmo os títulos de Bitcoin que projetei incluíam vendas programadas. Após cinco anos, o emissor começa a vender Bitcoin para retornar capital e compartilhar valorização. Sem esse mecanismo, o instrumento não funcionaria.”
Acumulação líquida permite vendas pontuais
Outro ponto destacado é a diferença entre vendas brutas e acumulação líquida. Na prática, uma empresa pode vender Bitcoin em determinados momentos e ainda assim aumentar sua posição total ao longo do tempo.
Portanto, essa dinâmica não contradiz estratégias de longo prazo. Pelo contrário, pode fortalecê-las. A Strategy, por exemplo, poderia adotar esse modelo sem comprometer sua tese principal de acumulação.
Além disso, Mow mencionou declarações recentes de Michael Saylor. Em abril, o executivo afirmou que o crescimento do Bitcoin poderia cobrir dividendos da empresa, o que sugere a possibilidade de vendas para cumprir essas obrigações.
Ainda assim, o tema permanece controverso. Parte da comunidade defende que o ativo não deve ser vendido em hipótese alguma. Mow, contudo, faz uma distinção clara entre investidores individuais e empresas.
“Como indivíduo, você deve evitar vender seu Bitcoin sem motivo. Mas isso não significa nunca vender em nenhuma circunstância. Você pode e deve utilizá-lo para coisas importantes na vida.”
Assim sendo, enquanto investidores podem priorizar acumulação pura, empresas precisam equilibrar liquidez, risco e retorno. Esse equilíbrio, segundo Mow, é essencial para a sustentabilidade no mercado público.
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado a US$ 81.469.

Fonte: TradingView
Em suma, as declarações reforçam que o uso corporativo do Bitcoin vai além da simples retenção. Vendas estratégicas, recompras e ajustes táticos podem coexistir com a acumulação, permitindo maior adaptação às condições de mercado e proteção ao acionista.