Bitcoin sobe com liquidez global, diz Hayes
O Bitcoin segue impulsionado principalmente pela liquidez global, segundo Arthur Hayes, cofundador da BitMEX e diretor de investimentos da Maelstrom. Durante participação no evento Consensus Miami 2026, o executivo afirmou que a valorização do ativo está diretamente ligada à expansão da oferta de moedas fiduciárias, sobretudo nos Estados Unidos e em grandes economias.
Para Hayes, a dinâmica do mercado cripto depende menos de fatores políticos e mais do volume de dinheiro em circulação. Assim, o desempenho do Bitcoin tende a refletir o cenário macroeconômico, especialmente em ciclos de expansão monetária.
Liquidez global domina a precificação
Ao falar no Consensus Miami 2026, Hayes destacou que há um fator predominante na formação de preço do Bitcoin: a quantidade de dinheiro fiduciário em circulação. Em outras palavras, a liquidez global exerce influência direta sobre o valor do ativo.
Segundo ele, essa variável não está sob controle do mercado, o que aumenta a dependência das decisões de bancos centrais. Dessa forma, políticas monetárias expansionistas tendem a favorecer ciclos de valorização.
Hayes detalhou que o valor justo do Bitcoin pode ser analisado a partir de três pontos: o volume atual de dinheiro em circulação, a quantidade futura a ser emitida e a velocidade dessa expansão ao longo do tempo.
“Quanto mais dinheiro é impresso nos Estados Unidos e ao redor do mundo, maior será o valor do Bitcoin em moedas fiduciárias. É a liquidez que realmente impulsiona o preço do BTC, não a política”, afirmou.
Durante a apresentação publicada no YouTube, o executivo também relativizou o peso de fatores regulatórios. Embora relevantes, eles tendem a ter impacto secundário frente ao ambiente monetário global.
Atualmente, o Bitcoin opera em um cenário macroeconômico complexo. Investidores acompanham decisões do Federal Reserve, tensões geopolíticas no Oriente Médio e fluxos em ETFs. Ainda assim, Hayes sustenta que esses elementos têm menor influência quando comparados à liquidez global.
Macro segue como motor estrutural
Embora o mercado reaja a eventos pontuais, como mudanças nas taxas de juros, o executivo reforça que o principal motor permanece inalterado. Nesse sentido, a política monetária continua sendo o fator estrutural dominante. Assim, períodos de maior emissão tendem a sustentar ciclos de alta do Bitcoin.
Hayes revisa projeção do Bitcoin para 2026
No mesmo evento, Hayes revisou suas estimativas de preço. Antes, ele projetava que o Bitcoin poderia atingir US$ 500.000. Agora, ajustou sua previsão para cerca de US$ 125.000.
“Quando eu disse US$ 500.000? Eu estou sempre ajustando minhas previsões. Agora, meu alvo está mais perto de US$ 125.000. O que o Bitcoin precisa para subir? Mais impressão de dinheiro. É simples assim”, declarou.
Apesar da revisão, o novo alvo ainda representa potencial de valorização relevante. No momento da análise, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 81.527, nível mais alto desde o fim de janeiro. Ainda assim, o preço permanece cerca de 35% abaixo do topo histórico registrado no final de 2025, acima de US$ 126.000.
Além disso, Hayes abordou a relação entre o ativo e a regulação. Segundo ele, parte do valor do Bitcoin está ligada à sua independência do sistema financeiro tradicional. Portanto, regulações mais rígidas podem afetar atributos considerados essenciais por investidores.
Liquidez segue no centro do mercado
Em conclusão, as declarações de Arthur Hayes reforçam uma tese recorrente no mercado cripto. A liquidez global permanece como principal catalisador do preço do Bitcoin. Dessa maneira, ainda que fatores políticos e regulatórios influenciem o curto prazo, o ciclo de expansão monetária continua determinante para tendências de longo prazo.
Por consequência, investidores tendem a acompanhar indicadores macroeconômicos ligados à oferta monetária. Conforme a visão de Hayes, é a abundância de capital que sustenta os movimentos mais consistentes de valorização.