Hyperliquid supera Bitcoin em 71% no 1º tri
A exchange descentralizada Hyperliquid registrou desempenho acima do esperado no primeiro trimestre de 2026. Em um período considerado o mais fraco para o mercado de criptomoedas desde o colapso das ICOs em 2018, a plataforma superou o Bitcoin em 71,5 pontos percentuais e gerou US$ 215 milhões em receita bruta, mesmo com a retração do setor.
Os dados constam em relatório do Hyperliquid Research Collective, com base em análises on-chain e suporte de plataformas como ASXN, DeFiLlama e 0xArchive. No período, o Bitcoin caiu 26,7%, enquanto o valor total do mercado cripto encolheu cerca de US$ 900 bilhões.
A Hyperliquid também sentiu o impacto negativo. A receita distribuída a detentores recuou 33,6%, ao passo que o volume de derivativos perpétuos caiu 15,6%. Ainda assim, o relatório ressalta que esses números não capturam totalmente os avanços estruturais da plataforma.

Fonte: TradingView
Atuação durante crise amplia relevância
Um dos episódios mais relevantes ocorreu em 28 de fevereiro, quando tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocaram instabilidade global. Nesse contexto, bolsas tradicionais de commodities interromperam negociações, enquanto a Hyperliquid manteve seus mercados de derivativos perpétuos de petróleo operando continuamente.
Como resultado, a plataforma passou a ser utilizada como referência alternativa para descoberta de preços do petróleo bruto naquele momento. Veículos como Bloomberg, Wall Street Journal e Fortune destacaram o episódio, ampliando a visibilidade institucional do protocolo.
Segundo o relatório, esse evento teve impacto mais significativo para o posicionamento da Hyperliquid do que os próprios números trimestrais, ao evidenciar sua capacidade operacional em cenários extremos.
Derivativos de ativos reais ganham tração
Enquanto o volume de derivativos cripto nativos caiu 32,5%, refletindo menor apetite por risco, uma nova frente avançou rapidamente. O recurso HIP-3, que permite a criação de derivativos perpétuos baseados em ativos do mundo real, registrou forte expansão.
O volume desse segmento saltou de US$ 24,9 bilhões em janeiro para US$ 68,5 bilhões em março, um crescimento de 175% no trimestre. Ao fim do período, o HIP-3 já representava 33,6% do volume diário e 28,7% do interesse em aberto da plataforma.
Além disso, mais de 40 mil usuários negociavam ativos via HIP-3. Entre eles, a prata liderou com US$ 40,7 bilhões em volume, superando o petróleo em cerca de 2,4 vezes.
Outro avanço relevante foi a introdução de um produto atrelado ao índice S&P 500. Em março, a S&P Dow Jones Indices licenciou oficialmente seu benchmark para contratos perpétuos na Hyperliquid. Como resultado, o produto movimentou US$ 2 bilhões nas duas primeiras semanas.
Token HYPE sobe e atrai interesse institucional
O token HYPE valorizou 44,8% no trimestre. Paralelamente, o fundo de assistência da plataforma recomprou cerca de 4,94 milhões de tokens a um preço médio de US$ 29,90, totalizando aproximadamente US$ 147,72 milhões.
Ao mesmo tempo, a equipe principal reivindicou apenas 1,51 milhão de tokens de um total de 29,8 milhões disponíveis, equivalente a 5,1%. O volume não resgatado foi estimado em cerca de US$ 849 milhões ao longo do período.
O interesse institucional também avançou. Gestoras como Grayscale, VanEck, 21Shares e Bitwise protocolaram quatro pedidos de ETFs relacionados ao HYPE, ampliando a exposição do ativo a mercados tradicionais.
Restrições e potencial de expansão
Apesar do crescimento, usuários dos Estados Unidos ainda não têm acesso direto à interface da Hyperliquid. Isso limita a participação de um dos maiores mercados financeiros globais.
Por outro lado, essa restrição indica espaço relevante para expansão futura, caso o ambiente regulatório evolua.
Em conclusão, o primeiro trimestre de 2026 reforça a Hyperliquid como uma infraestrutura relevante além do universo DeFi. Ao manter operações durante eventos críticos, expandir derivativos ligados a ativos reais e superar o desempenho do Bitcoin, a plataforma demonstra capacidade de adaptação mesmo em ciclos adversos.