Tether cobra US$ 300 mi ligados ao Banco Master

A Tether, uma das maiores emissoras de stablecoin do mercado de criptomoedas, acionou a Justiça para recuperar um empréstimo de US$ 300 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão. O valor foi concedido à Titan Holding, empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O financiamento foi firmado em março do ano passado e liberado em duas parcelas com poucos dias de intervalo. O contrato previa prazo de até 12 meses para pagamento, incluindo juros, com vencimento em março deste ano.

Cláusula antecipou cobrança após rebaixamento

O acordo incluía uma cláusula de proteção relevante. Caso o Banco Master sofresse rebaixamento de rating, a Tether poderia exigir o pagamento antecipado da dívida.

Essa condição foi acionada em setembro, quando a Fitch Ratings reduziu a nota de crédito da instituição. Assim, a Tether antecipou a cobrança. No entanto, o pagamento não foi realizado.

Posteriormente, a situação se agravou com a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro. Diante desse cenário, a empresa intensificou as medidas judiciais para recuperar os recursos.

Até o momento, a Tether afirma não ter recebido qualquer valor. Em nota, declarou:

“A Tether Investments concedeu o empréstimo de boa-fé e, assim como diversos outros credores, ainda não recebeu o respectivo pagamento”.

Além disso, a companhia afirmou que, à época da operação, não havia sinais de irregularidades envolvendo as empresas de Vorcaro.

Garantias envolvem crédito consignado

Como garantia, a Tether recebeu direitos sobre carteiras de crédito consignado do Banco Master, especialmente ligadas ao produto Credcesta, voltado a servidores públicos e aposentados.

Esses contratos foram firmados com governos estaduais, o que, em tese, reduziria o risco da operação. Ainda assim, com a deterioração financeira do grupo, a empresa agora busca na Justiça de São Paulo a liberação desses valores ou, alternativamente, a penhora de outros ativos.

Com isso, a estratégia passa a depender das garantias estruturadas no contrato, diante da dificuldade de recebimento direto.

Crise amplia disputa entre credores

O caso do Banco Master ganhou dimensão nacional após problemas de liquidez e descumprimento de normas regulatórias levarem à liquidação da instituição. Como resultado, credores enfrentam incertezas sobre a recuperação de recursos.

Estimativas apontam um rombo superior a R$ 50 bilhões, ampliando assim, a pressão sobre processos judiciais e negociações.

Investigações avançam e chegam ao STF

Paralelamente, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e irregularidades relacionadas à tentativa de venda do banco ao BRB.

Conforme as investigações, o empresário teria tentado deixar o país em um jato particular pouco antes da operação. O caso avançou e chegou ao Supremo Tribunal Federal, após surgirem indícios de corrupção, vazamento de informações sigilosas e possível influência sobre agentes públicos.

Por conseguinte, o ministro Dias Toffoli determinou acareações entre envolvidos, incluindo executivos do BRB e representantes do Banco Central. Nesse sentido, a apuração passou a envolver múltiplas frentes institucionais.

Enquanto isso, a disputa judicial da Tether se soma a uma lista crescente de credores que buscam recuperar valores. Portanto, o episódio também repercute no mercado de criptomoedas, ao envolver uma das maiores emissoras globais de stablecoin em um caso relevante no sistema financeiro tradicional.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas