Nvidia: DOJ liga esquema de US$ 2,5 bi a chips IA
Uma investigação das autoridades dos Estados Unidos colocou a Nvidia no centro de um suposto esquema bilionário de desvio de servidores de inteligência artificial. A empresa tailandesa OBON Corp. teria atuado como intermediária, redirecionando equipamentos com chips avançados para a China, com possíveis destinos incluindo a Alibaba.
Conforme denúncia formal apresentada pelo Departamento de Justiça (DOJ) em março de 2026, executivos da Super Micro Computer teriam facilitado a operação. Ao todo, o esquema pode ter movimentado cerca de US$ 2,5 bilhões em servidores entre 2024 e 2025.
Além disso, a acusação surge em meio à intensificação da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, sobretudo no controle de exportações de semicondutores avançados. Nesse sentido, o caso reforça preocupações sobre o desvio de tecnologia sensível.
Como funcionava o suposto esquema
Segundo promotores, a operação combinava logística simples com grande escala financeira. A OBON Corp., sediada em Bangkok, comprava servidores da Super Micro equipados com chips Nvidia de alto desempenho. Em seguida, esses equipamentos eram enviados a clientes na China, contornando restrições comerciais impostas por Washington.
Entre os componentes citados estão os chips H200 e B300, considerados estratégicos para aplicações avançadas de inteligência artificial. Esses modelos oferecem alto poder de processamento, sendo amplamente utilizados em data centers e no treinamento de modelos de IA.
Com efeito, a atividade teria se intensificado ao longo de 2025. Apenas entre abril e meados de maio, mais de US$ 500 milhões em servidores foram enviados. Esse volume elevado em curto intervalo indica aceleração relevante da operação.
Nos registros judiciais, a OBON aparece sob o codinome Company-1. Embora não tenha sido formalmente acusada, fontes ouvidas pela Bloomberg a identificam como peça central do esquema. Em contrapartida, as acusações recaem diretamente sobre executivos da Super Micro, apontados como facilitadores logísticos.
Estratégia e rota utilizada
De acordo com a denúncia, a estrutura utilizava o Sudeste Asiático como rota intermediária. Dessa forma, os envolvidos conseguiam mascarar o destino final dos equipamentos e reduzir o risco de fiscalização direta.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das remessas sugere tentativa de antecipar restrições adicionais. Por conseguinte, a operação ganhou velocidade antes de um possível endurecimento regulatório.
Alibaba nega envolvimento
Citada como possível destinatária final, a Alibaba negou qualquer participação no caso. Em comunicado oficial, a empresa afirmou não manter relações comerciais com a Super Micro, com a OBON ou com intermediários mencionados na investigação.
“Não temos relações comerciais com a Super Micro, OBON ou quaisquer terceiros citados no processo”, declarou a companhia.
Além disso, a Alibaba afirmou que não utiliza chips Nvidia sujeitos a restrições em seus data centers. Segundo a empresa, suas operações seguem integralmente as regras internacionais de exportação.
Por outro lado, a menção ao nome da gigante chinesa amplia a relevância do caso. Ainda que negue participação, a associação levanta questionamentos sobre a rastreabilidade nas cadeias globais de fornecimento.
Reação do mercado
Após a divulgação da denúncia, em março, as ações da Super Micro registraram queda expressiva. Esse movimento reflete a preocupação dos investidores com possíveis sanções legais e danos reputacionais.
Ademais, o mercado paralelo de chips restritos também foi afetado. Relatos indicam enfraquecimento da demanda, principalmente devido ao aumento da fiscalização e à repercussão do caso.
Pressão regulatória e riscos tecnológicos
Desde 2022, os Estados Unidos vêm ampliando restrições à exportação de semicondutores avançados. Essas medidas buscam limitar o acesso da China a tecnologias críticas, especialmente no campo da inteligência artificial.
Nesse contexto, a Nvidia já alertou sobre riscos associados a equipamentos desviados. Sistemas adquiridos fora dos canais oficiais não recebem suporte técnico da empresa, o que pode comprometer desempenho e confiabilidade.
Além disso, o episódio evidencia a complexidade das cadeias globais de tecnologia. Mesmo com controles rigorosos, intermediários ainda conseguem criar rotas alternativas. Como resultado, governos enfrentam desafios crescentes para monitorar o fluxo de componentes estratégicos.
Em suma, a denúncia aponta para uma operação bilionária envolvendo servidores de IA entre 2024 e 2025. Enquanto isso, empresas citadas negam participação, e o caso amplia o debate sobre segurança tecnológica e eficácia das restrições comerciais.