Bitcoin leva Trump Media a prejuízo de US$ 406M
A Trump Media & Technology Group registrou prejuízo líquido de US$ 406 milhões no primeiro trimestre de 2026, pressionada principalmente pela desvalorização de ativos digitais, com destaque para o Bitcoin.
Atualmente, as ações da empresa responsável pela Truth Social são negociadas próximas de US$ 8,93. Em contrapartida, o papel atingiu US$ 97,50 no início de 2022. Assim, a queda superior a 90% reflete a deterioração financeira acumulada ao longo dos últimos anos.
Além disso, a saída do CEO Devin Nunes, em 22 de abril, ampliou as incertezas. A mudança ocorreu em um momento sensível, o que elevou a cautela entre investidores.
Exposição ao Bitcoin amplia perdas contábeis
Em primeiro lugar, a forte exposição ao Bitcoin teve papel central no resultado negativo. A companhia adquiriu cerca de 9.500 BTC a um custo médio de US$ 108.519 por unidade, durante o pico do mercado em 2025.
Ao final do trimestre, os 9.542 Bitcoin detidos somavam custo total de US$ 1,13 bilhão. No entanto, o valor de mercado caiu para aproximadamente US$ 647 milhões. Como resultado, a diferença negativa se aproximou de US$ 500 milhões.
Posteriormente, o Bitcoin voltou a subir e ultrapassou US$ 80.000. Ainda assim, a posição da empresa alcançou cerca de US$ 770 milhões, valor insuficiente para compensar o impacto contábil do período.
Fonte: TradingView
Além do Bitcoin, a Trump Media também acumulou perdas relevantes com o token Cronos, adquirido em parceria com a Crypto.com. Ao todo, foram 756 milhões de unidades compradas por cerca de US$ 114 milhões. Entretanto, até o fim de março, esse montante passou a valer apenas US$ 53 milhões.
Impacto de perdas não realizadas
Documentos enviados à SEC mostram que aproximadamente US$ 370 milhões do prejuízo vieram de perdas não realizadas. Ou seja, os ativos não foram vendidos, mas a desvalorização afetou diretamente os resultados contábeis.
Além disso, outros US$ 108 milhões em perdas foram atribuídos a investimentos em ações. Portanto, o impacto negativo não se limitou ao mercado de criptomoedas.
Receita cresce pouco e preocupa investidores
Enquanto as perdas dominaram o trimestre, a receita da operação de mídia avançou de forma limitada. A empresa registrou US$ 871.200 em faturamento, alta de 6% frente aos US$ 821.200 no mesmo período de 2025.
Desse total, US$ 810.100 vieram diretamente das operações de mídia. Por outro lado, US$ 61.100 foram gerados por taxas de gestão ligadas a produtos financeiros, incluindo ETFs associados à Truth.Fi.
Apesar de possuir mais de US$ 2 bilhões em ativos financeiros, a geração de receita segue baixa. Assim, analistas consideram o desempenho operacional aquém do esperado para uma empresa listada em bolsa.
Estratégias com Bitcoin e gestão de risco
Por outro lado, a companhia gerou cerca de US$ 18 milhões em fluxo de caixa operacional. Esse resultado foi impulsionado, principalmente, pela venda de opções vinculadas às reservas de Bitcoin.
Além disso, parte dos ativos digitais foi utilizada como garantia. Aproximadamente 4.260 BTC foram comprometidos como colateral para notas conversíveis. Ao mesmo tempo, outros 2.000 BTC foram usados em estratégias de hedge com opções de venda cobertas.
Em conclusão, mesmo com a recuperação parcial do Bitcoin, o impacto das compras em níveis elevados permanece relevante. A volatilidade do mercado cripto, portanto, foi determinante para o prejuízo reportado pela Trump Media no início de 2026.