Ether ganha força com IA e tokenização, diz Visser

Jordi Visser, investidor macro com mais de três décadas de experiência em Wall Street, revelou que comprou Ether. No entanto, sua justificativa foge das narrativas tradicionais do mercado cripto. Em vez de focar apenas em finanças descentralizadas ou ETFs, ele aponta a inteligência artificial como principal catalisador, com ênfase no avanço da tokenização.

A declaração ocorreu durante participação no podcast de Anthony Pompliano, em 9 de maio. Na ocasião, Visser afirmou que tokens digitais tendem a se tornar recursos essenciais para agentes de IA. Em outras palavras, esses sistemas autônomos não dependerão apenas de dados ou energia, mas também de ativos digitais para operar economicamente.

“Acho que poucas pessoas estão prestando atenção suficiente na tokenização e no que está acontecendo”, afirmou.

Segundo ele, a convergência entre inteligência artificial e tokenização já está em curso em 2026. Ainda assim, o mercado não precificou totalmente esse movimento, o que pode abrir espaço para valorização futura.

Integração entre IA e blockchain impulsiona demanda

Ao comparar tokens ao “alimento” de agentes de IA, Visser descreve uma mudança estrutural no ambiente digital. Nesse sentido, softwares autônomos poderão comprar, vender e liquidar operações sem intervenção humana. Portanto, exigem um meio de troca programável e sempre disponível.

Além disso, ativos tokenizados em blockchain ganham protagonismo. À medida que mais ativos do mundo real são convertidos em tokens, cresce a interação com agentes de IA. Como resultado, aumenta a demanda por redes robustas, com destaque para a Ethereum.

Assim sendo, forma-se um ciclo contínuo de crescimento. Quanto maior a tokenização, maior a utilização por sistemas automatizados. Consequentemente, a infraestrutura blockchain se torna ainda mais relevante.

Eficiência econômica e impacto estrutural

Visser também sugere impactos macroeconômicos. A programabilidade dos ativos permite liquidações instantâneas e reduz riscos de contraparte. Dessa forma, elimina processos manuais e intermediários.

Em contrapartida, sistemas tradicionais enfrentam limitações operacionais e custos elevados. Já os ativos tokenizados oferecem mais transparência e eficiência. Portanto, o resultado pode ser uma economia mais ágil e integrada digitalmente. Essa integração entre IA e blockchain tende a acelerar nos próximos anos.

Adoção institucional reforça a tese

O avanço dessa tendência já aparece em iniciativas concretas. A RedStone lançou uma camada de liquidação com o objetivo de destravar cerca de US$ 30 bilhões em ativos tokenizados, permitindo seu uso como garantia em protocolos DeFi.

Além disso, a BlackRock ampliou sua estratégia de tokenização em maio de 2026, com novos fundos baseados em blockchain. Esses movimentos indicam que grandes players já reconhecem o potencial da tecnologia.

Ao mesmo tempo, estimativas apontam que a inteligência artificial pode gerar até US$ 10 bilhões em transações on-chain até o fim de 2026. Esse volume representa avanço relevante, sobretudo por estar ligado à utilidade prática.

O papel do Ether para investidores

A compra de Ether por Visser sinaliza uma mudança na forma como o ativo é avaliado. Em vez de ser visto apenas como instrumento especulativo, o ETH passa a ser considerado infraestrutura essencial para um ecossistema digital automatizado.

Analogamente ao que ocorreu com o Bitcoin, parte do mercado já avalia o Ether como um ativo estratégico para alocação institucional gradual. Nesse contexto, exposições acima de 1% em portfólios passam a ser consideradas plausíveis, desde que sustentadas por utilidade real.

Por outro lado, há riscos. Visser alerta que a tokenização impulsionada por IA pode concentrar riqueza entre participantes com acesso antecipado. Embora a eficiência aumente, a inclusão financeira pode não evoluir no mesmo ritmo.

Em conclusão, a integração entre inteligência artificial, tokenização e blockchain já está em andamento. Nesse cenário, o Ether se posiciona como peça-chave, com potencial para redefinir a dinâmica dos mercados digitais nos próximos anos.