Bancos dos EUA pressionam Senado contra stablecoin
A Associação Americana de Bancos (ABA) intensificou sua pressão política nos Estados Unidos para influenciar a regulação de stablecoin. A entidade mobilizou executivos do setor bancário antes de uma votação considerada decisiva no Senado, reforçando o embate entre instituições tradicionais e o mercado cripto.
Em carta enviada em 11 de maio, o CEO da ABA, Rob Nichols, solicitou que líderes bancários entrem em contato direto com parlamentares. Além disso, incentivou funcionários a participarem da mobilização. O foco recai sobre o Digital Asset Market Clarity Act, proposta que pode redefinir as regras para ativos digitais no país.
Segundo Nichols, o projeto abre uma possível brecha relacionada ao pagamento de rendimento em stablecoins. Nesse sentido, ele argumenta que isso pode gerar riscos ao sistema financeiro tradicional. Como resultado, a entidade alerta para potenciais impactos na estabilidade econômica.
Disputa regulatória ganha força no Senado
O movimento ocorre dias antes da análise do projeto H.R. 3633 pelo Comitê Bancário do Senado. O texto busca estabelecer uma estrutura regulatória clara para o setor cripto. Além disso, tenta resolver disputas de competência entre a SEC e a CFTC.
Reação do setor cripto e autoridades
Em contrapartida, representantes da indústria reagiram rapidamente. Paul Grewal, diretor jurídico da Coinbase, criticou a postura da ABA. Em publicação na rede X, ele afirmou que o setor bancário já havia obtido concessões relevantes durante as negociações.
Além disso, Grewal destacou que reuniões com participação da Casa Branca trataram diretamente do tema. Segundo ele, essas discussões resultaram na retirada de mecanismos de rendimento passivo em stablecoins. Ainda assim, a pressão dos bancos persistiu.
O senador Bernie Moreno também se posicionou. Ele afirmou que o setor bancário estaria em “modo de pânico”. Ademais, acusou a ABA de distorcer o debate ao classificar o rendimento como falha regulatória. Nesse contexto, declarou apoio ao avanço do projeto.
As negociações se estendem há meses. Nesse ínterim, representantes da indústria cripto, associações bancárias e autoridades participaram de diversas rodadas, algumas mediadas pela Casa Branca.
Rendimento de stablecoin divide consenso
Como resultado dessas discussões, surgiu um compromisso liderado pelos senadores Thom Tillis e Angela Alsobrooks. O acordo proíbe o pagamento de rendimento passivo sobre saldos de stablecoins. No entanto, permite recompensas limitadas vinculadas a atividades específicas.
Impactos econômicos e divergências
A ABA considera essas restrições insuficientes. Segundo a entidade, mesmo incentivos limitados podem estimular a migração de depósitos bancários para stablecoins. Dessa forma, haveria redução na base de recursos das instituições financeiras.
Além disso, um relatório conjunto de associações bancárias cita estimativas do Departamento do Tesouro que apontam para até US$ 6,6 trilhões em possíveis saídas de depósitos. Por conseguinte, bancos temem impacto na capacidade de concessão de crédito.
Entretanto, essa avaliação não é consenso dentro do governo. Um relatório do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, divulgado em abril, apresentou conclusão diferente. Segundo o documento, a proibição do rendimento teria impacto mínimo no crédito bancário.
De fato, o estudo estima aumento de apenas 0,02% na concessão de empréstimos. Ainda assim, a ABA contestou esses dados, evidenciando o conflito entre o setor bancário e parte da equipe econômica.
Nos últimos meses, a associação ampliou sua atuação política. Em dezembro, enviou carta ao Congresso junto com 52 associações estaduais. Posteriormente, em abril, repetiu a iniciativa junto ao Office of the Comptroller of the Currency.
Por fim, a votação no Comitê Bancário do Senado, marcada para 14 de maio, representa uma etapa decisiva. Caso avance, o projeto seguirá ao plenário, onde precisará de pelo menos 60 votos. Além disso, será necessário conciliar versões legislativas e obter sanção presidencial.
A Casa Branca estabeleceu 4 de julho como meta para a aprovação final. Enquanto isso, o embate segue. De um lado, bancos alertam para riscos sistêmicos. De outro, o setor cripto sustenta que o modelo atual já incorpora limites suficientes após meses de negociação.