Casa Branca e bancos divergem sobre regras de stablecoin

A iminente análise legislativa do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos intensificou o embate entre bancos e governo. Nesse sentido, o principal conselheiro de ativos digitais da Casa Branca criticou executivos bancários após uma nova ofensiva do setor para reabrir o debate sobre recompensas em stablecoin.

Pressão bancária cresce sobre regras de stablecoin

Em primeiro lugar, o CEO da American Bankers Association (ABA), Rob Nichols, enviou uma carta no domingo solicitando mobilização do setor. O objetivo, segundo ele, é pressionar parlamentares a revisitar pontos do CLARITY Act antes da análise formal no Congresso.

De acordo com Nichols, trata-se de uma “disputa urgente”. Além disso, ele afirmou apoiar regras claras para ativos digitais. No entanto, alertou que o texto atual não impede de forma eficaz recompensas com características semelhantes a juros em stablecoins de pagamento.

Segundo o executivo, esse tipo de incentivo pode estimular a migração de depósitos bancários tradicionais. Como resultado, haveria riscos ao crescimento econômico e à estabilidade financeira. Ainda assim, ele defende que ajustes no texto podem mitigar essas ameaças.

“Acreditamos que os membros do comitê podem não estar totalmente cientes dos riscos que essa brecha traz para a economia. O envolvimento imediato pode fazer diferença”, declarou Nichols.

Na versão mais recente do CLARITY Act, atividades equivalentes ao pagamento de juros são proibidas. Por outro lado, o texto permite recompensas vinculadas a práticas legítimas, como staking e provisão de liquidez. Dessa forma, busca-se incentivar o uso desses ativos digitais sem descaracterizar sua função de pagamento.

Além disso, associações bancárias, incluindo a ABA, já haviam solicitado mudanças anteriormente. Elas argumentam que, na prática, essas recompensas podem funcionar como rendimento financeiro indireto.

Impactos potenciais no sistema financeiro

Em outras palavras, o setor bancário teme perda de depósitos. Ao mesmo tempo, especialistas avaliam que stablecoins podem ampliar a eficiência do sistema financeiro. Portanto, o debate gira em torno do equilíbrio entre inovação e segurança.

Casa Branca reage e critica ausência de bancos

Por outro lado, Patrick Witt, diretor executivo do Conselho de Assessores do Presidente para Ativos Digitais, respondeu publicamente às críticas. Em publicação na rede X, ele afirmou que representantes bancários foram convidados para reuniões, mas recusaram participação.

Segundo Witt, diversos encontros ocorreram nos últimos meses com o objetivo de conciliar interesses entre bancos e empresas de criptomoedas. No entanto, o desacordo já atrasou a votação do projeto em cerca de quatro meses.

Relatos indicam que associações do setor participaram das discussões. Contudo, nenhum representante direto de grandes bancos compareceu às reuniões presenciais realizadas em fevereiro. Dessa maneira, a ausência reforçou a tensão entre as partes.

“Imagino que a Casa Branca estivesse abaixo deles. Em defesa deles, também não seria fácil sustentar essa posição em público”, ironizou Witt.

Fontes do Senado indicam que a pressão recente teve impacto limitado. Ainda assim, parlamentares seguem focados em outras pendências, como questões éticas. Por conseguinte, a reabertura do debate sobre recompensas em stablecoins pode enfrentar resistência neste momento.

Expectativas para votação no Congresso

Apesar disso, há expectativa de retomada do tema no plenário. Nesse sentido, grupos bancários podem tentar convencer senadores fora do comitê responsável. Assim, o debate tende a continuar nos próximos meses, especialmente diante do avanço regulatório sobre ativos digitais.

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A capitalização total do mercado de criptomoedas alcança US$ 2,7 trilhões no gráfico semanal. Fonte: TradingView

Em suma, o embate evidencia a crescente tensão entre o sistema financeiro tradicional e o avanço das criptomoedas. De um lado, bancos pressionam por regras mais rígidas. De outro, o governo busca preservar a inovação sem comprometer a estabilidade. Assim, as divergências sobre recompensas em stablecoin permanecem como um dos principais pontos de impasse regulatório no setor.