Capital B capta US$ 17,8 mi para ampliar Bitcoin

A corrida corporativa por reservas em Bitcoin ganha força na Europa. A Capital B, segunda maior empresa do continente focada em tesouraria da criptomoeda, anunciou a captação de 15,2 milhões de euros, equivalente a cerca de US$ 17,8 milhões, por meio de uma colocação privada de ações.

Além disso, a operação contou com apoio relevante de nomes consolidados do setor, como Adam Back, CEO da Blockstream, e a gestora francesa TOBAM. A empresa, listada na bolsa da França, reforça sua estratégia de acumulação de Bitcoin mesmo em um cenário ainda incerto no mercado cripto.

Estratégia amplia exposição ao Bitcoin

Embora o valor inicial captado seja expressivo, o potencial de expansão financeira é ainda maior. Cada ação emitida veio acompanhada de quatro warrants de subscrição, com preço fixo de US$ 0,78. Assim, caso todos os direitos sejam exercidos, a Capital B poderá levantar até US$ 116,5 milhões adicionais.

Como resultado, esse movimento pode levar à emissão de aproximadamente 92 milhões de novas ações. Segundo Alexandre Laizet, diretor de estratégia de Bitcoin da empresa, a combinação entre o novo capital e receitas operacionais pode viabilizar a aquisição de cerca de 182 BTC adicionais.

Dessa forma, o total de ativos em caixa pode atingir aproximadamente 3.125 BTC, reforçando a posição da companhia no ranking global de detentores corporativos da criptomoeda.

Fonte: Capital B

Apoio institucional fortalece a estratégia

A participação de Adam Back chama atenção. Esta é a segunda vez, em menos de uma semana, que o executivo apoia financeiramente a Capital B. Anteriormente, ele já havia participado de outra rodada de captação de US$ 1,3 milhão promovida pela empresa.

Atualmente, a Capital B detém 2.943 BTC, avaliados em cerca de US$ 237 milhões. Segundo dados do BitcoinTreasuries, a empresa ocupa a 25ª posição entre as maiores detentoras corporativas do mundo.

Além disso, figura como a segunda maior da Europa, atrás apenas da Bitcoin Group SE, o que evidencia seu avanço estratégico no continente.

BTC/USD sendo negociado próximo de US$ 81.363 no gráfico de 24 horas. Fonte: TradingView

Empresa contrasta com movimento do setor

O momento da captação diferencia a Capital B de outras empresas do setor. Enquanto diversas companhias reduzem exposição ao Bitcoin, a empresa francesa segue ampliando suas reservas, mesmo em um ambiente de maior cautela.

Por exemplo, a Nakamoto, listada na Nasdaq, lançou um programa de derivativos no fim de abril com o objetivo de proteger suas posições contra quedas. Em contrapartida, a Genius Group liquidou totalmente sua reserva de 84 BTC para quitar uma dívida de US$ 8,5 milhões.

Ao mesmo tempo, a Strategy, liderada por Michael Saylor, levantou US$ 2,5 bilhões por meio da venda de ações e papéis preferenciais. Assim, o interesse institucional permanece elevado, ainda que com estratégias distintas.

Reação do mercado e perspectivas

Após o anúncio, as ações da Capital B subiram cerca de 4,25%, sendo negociadas próximas de 0,67 euro. Ainda assim, o papel acumula queda de aproximadamente 10% no ano, refletindo a volatilidade recente.

Por outro lado, o novo aporte, somado à possibilidade de captação adicional via warrants, fortalece a posição financeira da empresa. Nesse sentido, a Capital B avança na disputa global por reservas corporativas de Bitcoin.

Com 2.943 BTC já em caixa e potencial de atingir cerca de 3.125 BTC, a companhia mantém uma estratégia consistente de longo prazo, apoiada por investidores relevantes e por uma abordagem clara de acumulação.

Em suma, mesmo diante de um cenário desafiador, a Capital B segue expandindo sua exposição ao Bitcoin e consolidando sua presença entre as maiores detentoras corporativas do ativo.