BlackRock prioriza Ethereum e ignora XRP em fundos

A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, decidiu priorizar o Ethereum em detrimento do XRP Ledger (XRPL) ao estruturar dois novos fundos tokenizados do mercado monetário. A iniciativa, revelada pela Bloomberg, mira emissores de stablecoin e investidores institucionais, com o objetivo de ampliar sua presença no setor de ativos digitais.

BlackRock reforça aposta institucional no Ethereum

Em primeiro lugar, a BlackRock registrou junto à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos dois novos produtos tokenizados. O primeiro, denominado BlackRock Select Treasury-Based Liquidity Fund (BSTBL), será lançado diretamente na rede Ethereum. Assim, a escolha reforça a preferência institucional pela principal infraestrutura de tokenização do mercado.

Além disso, o segundo produto, chamado BlackRock Daily Reinvestment Stablecoin Reserve Vehicle (BRSRV), terá abordagem multichain. No entanto, a gestora não confirmou a inclusão do XRP Ledger, o que levanta dúvidas sobre o papel da rede em sua estratégia institucional.

O fundo BSTBL foi desenhado para emissores de stablecoin. Nesse sentido, investe em caixa, títulos do Tesouro dos Estados Unidos e ativos de curto prazo com vencimento de até 93 dias. Já o BRSRV amplia esse escopo, pois também atende investidores que utilizam autocustódia.

Tokenização avança, mas XRPL segue fora do foco

Atualmente, a BlackRock já opera o fundo BUIDL, baseado em títulos do Tesouro tokenizados. Esse produto está disponível em diversas redes; ainda assim, o maior volume permanece concentrado no Ethereum. Dessa forma, a preferência pela blockchain se consolida no ambiente institucional.

Apesar disso, o XRP Ledger ainda não foi integrado diretamente a esses novos produtos. Isso ocorre mesmo com soluções da Ripple voltadas à interoperabilidade entre redes. Ainda assim, a ausência do XRPL nesses lançamentos sugere uma priorização estratégica clara.

Ademais, a gestora mantém ETFs de Bitcoin e Ethereum. Segundo o analista James Seyffart, da Bloomberg, é mais provável que a empresa avance primeiro com um fundo de criptomoedas gerido ativamente antes de considerar um ETF de XRP. Portanto, o ativo segue fora do radar imediato para novos produtos listados.

Crescimento do XRP contrasta com menor adoção institucional

Por outro lado, o XRP mantém avanço relevante no segmento de ativos do mundo real tokenizados. Dados da plataforma RWA.xyz indicam que o valor total desses ativos no XRPL cresceu cerca de 47% nos últimos 30 dias, atingindo US$ 3,5 bilhões.

Enquanto isso, o Ethereum registrou retração aproximada de 4% no mesmo período, totalizando US$ 16,8 bilhões em ativos tokenizados. Embora ainda lidere com ampla vantagem, o contraste recente chama atenção. Em outras palavras, o XRPL cresce em ritmo mais acelerado, mesmo com menor adesão institucional.

Volume e parcerias fortalecem o XRPL

Outro ponto relevante envolve o aumento expressivo no volume de negociação. O volume de títulos do Tesouro dos Estados Unidos tokenizados na rede XRP superou US$ 352 milhões em 2026, frente a US$ 70 milhões no ano anterior.

Além disso, parcerias estratégicas impulsionam o ecossistema. A Ondo Finance, em colaboração com a Ripple, realizou a primeira liquidação transfronteiriça de títulos do Tesouro tokenizados utilizando o fundo OUSG dentro do XRPL. Assim, a rede demonstra aplicação prática em operações financeiras reais.

No momento da redação, o XRP era negociado próximo de US$ 1,46, com leve alta nas últimas 24 horas, conforme dados do CoinMarketCap.

XRP

XRP sendo negociado a US$ 1,46 no gráfico diário | Fonte: TradingView

Em suma, embora a BlackRock direcione seus novos produtos principalmente ao Ethereum, o XRP Ledger continua avançando em métricas de uso e volume. Ainda assim, o descompasso entre crescimento técnico e adoção institucional permanece como um dos principais pontos de atenção no mercado cripto.