Tether lança grants para IA local e pagamentos
A Tether, conhecida globalmente pela stablecoin USD₮, anunciou em 11 de maio de 2026 um novo programa de subsídios para desenvolvedores. A iniciativa foca em inteligência artificial local e infraestrutura de pagamentos descentralizada, com o objetivo de reduzir a dependência de sistemas centralizados e serviços em nuvem. Assim, a empresa amplia sua atuação além do mercado de criptomoedas.
Atualmente, a Tether possui cerca de US$ 189 bilhões em circulação em sua stablecoin. Nesse contexto, a companhia busca se posicionar como fornecedora de infraestrutura tecnológica. A estratégia, portanto, visa fomentar aplicações que operem diretamente nos dispositivos dos usuários, eliminando intermediários e reduzindo custos operacionais.
Estratégia aposta em IA local e descentralização
No centro dessa expansão está a plataforma QVAC. A solução permite que modelos de inteligência artificial operem diretamente em smartphones e laptops. Diferentemente do modelo tradicional, dependente da nuvem, o QVAC realiza inferências localmente. Como resultado, oferece maior privacidade e menor latência.
Além disso, essa abordagem representa uma mudança relevante no setor. Afinal, grande parte das aplicações atuais exige o envio de dados sensíveis para servidores remotos. Nesse sentido, a execução local amplia o controle sobre as informações. Ao mesmo tempo, viabiliza o uso de modelos especializados, inclusive em áreas como saúde.
Paralelamente, a Tether investe em infraestrutura financeira por meio do Wallet Development Kit (WDK). Esse kit permite integrar carteiras digitais diretamente em aplicativos. Assim, desenvolvedores passam a oferecer autocustódia e transações sem depender de terceiros.
O WDK funciona em múltiplos ambientes, como dispositivos móveis, desktops e sistemas embarcados. Portanto, aplicações conseguem incorporar pagamentos de forma nativa, eliminando a necessidade de APIs externas ou exchanges, o que reduz pontos de falha.
Modelo de grants prioriza entregas técnicas
O programa de grants já está aberto e não possui limite máximo de financiamento. Contudo, os pagamentos seguem um modelo baseado em entregas técnicas. Os valores variam entre aproximadamente US$ 1.500 e US$ 4.000, pagos em USD₮ ou Bitcoin.
Os incentivos abrangem diversas frentes. Entre elas estão o desenvolvimento de bibliotecas para plataformas como QVAC, WDK, MDK e Pears. Além disso, incluem documentação técnica, ferramentas de integração e pesquisas em descentralização e IA de borda.
Segundo Paolo Ardoino, CEO da Tether, o objetivo é incentivar soluções independentes. “Grande parte da infraestrutura atual obriga desenvolvedores a depender de plataformas centralizadas. Estamos propondo um caminho diferente”, afirmou. Dessa forma, a empresa prioriza código funcional em vez de financiamento sem resultados concretos.
Redução de intermediários ganha destaque
Apesar dos avanços do blockchain, muitas aplicações ainda dependem de componentes externos. Por exemplo, integrações com carteiras e serviços de dados criam dependências. Consequentemente, surgem riscos de censura e interrupções.
Para enfrentar esse cenário, a Tether aposta em ferramentas que operam localmente. Assim, aplicações podem funcionar de forma independente. Em outras palavras, o objetivo é construir uma infraestrutura mais resiliente e descentralizada.
Essa visão se alinha ao conceito de uma “Internet do valor”. Nesse modelo, transferências financeiras e processamento de dados ocorrem diretamente entre dispositivos, eliminando a necessidade de intermediários.
Histórico de apoio ao ecossistema aberto
O novo programa reforça o histórico da Tether no apoio ao código aberto. Nos últimos anos, a empresa destinou US$ 100 mil anuais à BTCPay Server Foundation. Além disso, doou US$ 250 mil para a OpenSats.
Ademais, a iniciativa Plan B, em parceria com a cidade de Lugano, já financiou mais de 500 bolsas educacionais. A Tether também comprometeu até CHF 5 milhões para expandir o programa até 2030. Dessa maneira, a empresa fortalece sua presença no desenvolvimento tecnológico e educacional.
Desafios de adoção ainda persistem
Embora a proposta técnica seja consistente, a adoção em larga escala ainda representa um desafio. Atualmente, soluções baseadas em nuvem dominam o mercado devido à praticidade. Ainda assim, preocupações com privacidade e controle de dados crescem rapidamente.
Nesse contexto, a Tether aposta em uma mudança gradual de comportamento. Caso tecnologias como QVAC e WDK ganhem tração, a empresa poderá expandir significativamente seu papel. Assim sendo, deixará de ser apenas emissora de stablecoins para atuar como provedora de infraestrutura digital.
Em conclusão, o programa de grants marca um movimento estratégico relevante. A iniciativa incentiva aplicações independentes, prioriza entregas técnicas e fortalece o ecossistema descentralizado, ao mesmo tempo em que amplia o escopo de atuação da Tether.