FTX: ação de US$ 525 mi contra Fenwick & West
Um grupo de vítimas do colapso da FTX entrou com uma ação de US$ 525 milhões contra o escritório Fenwick & West LLP, sob acusação de participação na ocultação de fraudes ligadas à exchange.
Vinte investidores afetados pela queda da FTX protocolaram o processo contra o Fenwick & West LLP. Segundo os autores, o escritório teve papel relevante na ocultação de práticas fraudulentas que levaram à falência da exchange de criptomoedas.
A ação foi registrada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia. Além disso, os demandantes vêm de cinco jurisdições distintas e relatam perdas severas, incluindo economias acumuladas ao longo da vida após o colapso da plataforma em 2022.
Acusações contra o escritório no caso FTX
Conforme o documento judicial, o Fenwick & West atuava como principal consultor jurídico externo da FTX. Nesse sentido, os autores afirmam que o escritório ajudou na criação de empresas de fachada e teria permitido o uso indevido de fundos de clientes.
Com efeito, essas práticas teriam sustentado uma falsa percepção de segurança e legalidade. Assim, muitos usuários mantiveram recursos na plataforma, mesmo diante de sinais de risco. Em outras palavras, os demandantes argumentam que a fraude dificilmente alcançaria tal escala sem apoio externo.
O processo também cita seis indivíduos ligados aos serviços jurídicos prestados à empresa. Segundo a acusação, eles descumpriram obrigações fiduciárias e ocultaram irregularidades financeiras. Até o momento, não há resposta pública dos acusados.
O caso ganhou maior visibilidade após o depoimento de Nishad Singh, ex-executivo da FTX, que se declarou culpado por acusações de fraude. Ademais, ele testemunhou em julgamentos criminais envolvendo lideranças da empresa, detalhando o uso indevido de fundos de clientes.
Atuação contínua apesar de alertas
Segundo os autores, o escritório manteve sua atuação mesmo após sinais claros de problemas internos. Ainda assim, não houve interrupção dos serviços. Pelo contrário, a ação sustenta que estratégias legais foram usadas com o objetivo de encobrir falhas estruturais e financeiras.
Assim sendo, a acusação reforça a tese de que consultores externos tiveram influência direta na continuidade das operações da FTX. Como resultado, a empresa manteve aparência de normalidade por mais tempo.
Pressão jurídica cresce após colapso
O novo processo se insere em um movimento mais amplo. Atualmente, diversas ações buscam responsabilizar parceiros, consultores e prestadores de serviço ligados à FTX. Nesse contexto, tribunais dos Estados Unidos analisam casos envolvendo tanto escritórios de advocacia quanto consultores financeiros.
Relatos anteriores indicaram que o Fenwick & West chegou a discutir um possível acordo judicial. No entanto, novos desdobramentos devem surgir em um tribunal federal na Flórida. Enquanto isso, a ação recente mantém a exigência de indenizações que somam centenas de milhões de dólares.
O colapso da FTX permanece como um dos maiores escândalos do mercado de criptomoedas. Milhões de usuários perderam acesso aos seus fundos, o que levou autoridades e reguladores a intensificarem investigações sobre executivos e parceiros envolvidos.
Condenação de Sam Bankman-Fried
Anteriormente, Sam Bankman-Fried, fundador da FTX, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes relacionados à fraude. Além disso, o juiz Lewis Kaplan rejeitou um pedido de novo julgamento, afirmando que as testemunhas não apresentaram evidências inéditas.
Por fim, o novo processo amplia o debate sobre responsabilidade no setor cripto. De um lado, defensores argumentam que prestadores de serviço devem responder por omissões relevantes. Por outro, críticos alertam que a pressão jurídica pode elevar riscos operacionais para empresas do setor.
Em suma, os autores reiteram que perderam quantias significativas após o colapso de 2022 e sustentam que a atuação do escritório contribuiu para manter a aparência de legitimidade da FTX, mesmo diante de práticas posteriormente expostas nos tribunais.