Bitcoin em queda leva Metaplanet a perda de US$728M
A Metaplanet encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 40.177 Bitcoin em caixa, ampliando sua posição em relação aos 35.102 BTC registrados no fim de dezembro de 2025. Com isso, a companhia adquiriu cerca de 5.075 BTC no período e passou a figurar entre as três maiores empresas de capital aberto do mundo com tesouraria baseada no ativo digital. Ainda assim, essa estratégia pressionou diretamente seus resultados financeiros.
Queda do Bitcoin impacta balanço
A empresa listada em Tóquio reportou prejuízo ordinário de aproximadamente US$ 728 milhões no trimestre encerrado em 31 de março de 2026. Apesar do aumento nas reservas, o resultado negativo foi impulsionado por perdas contábeis não realizadas sobre suas posições em Bitcoin, refletindo a desvalorização do ativo no período.
Entre janeiro e março, o Bitcoin recuou cerca de 24%, saindo de aproximadamente US$ 87.000 para US$ 66.000. Como consequência, o impacto contábil foi expressivo, mesmo sem liquidação de posições. Além disso, o prejuízo representa deterioração relevante frente ao mesmo trimestre de 2025.
O lucro por ação também recuou de forma significativa. A Metaplanet registrou perda de cerca de US$ 0,63 por ação, ante aproximadamente US$ 0,078 no mesmo período do ano anterior. Dessa forma, o desempenho evidencia a forte sensibilidade do balanço à volatilidade do mercado cripto.

Por outro lado, os resultados operacionais apresentaram desempenho positivo. A companhia registrou lucro operacional de 2,27 bilhões de ienes, equivalente a cerca de US$ 14,38 milhões. Ao mesmo tempo, a receita líquida atingiu aproximadamente US$ 19,5 milhões, com margem operacional robusta de 73,6%.
Além disso, a receita mais que triplicou em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando havia somado cerca de US$ 5,5 milhões. Esse avanço decorreu principalmente da divisão de geração de renda com Bitcoin, que inclui prêmios de opções e ganhos com derivativos. Enquanto isso, o segmento hoteleiro contribuiu de forma mais modesta, porém estável.
Alavancagem amplia exposição ao ativo
Para sustentar a estratégia de acumulação, a Metaplanet recorreu a uma linha de crédito de US$ 500 milhões lastreada em Bitcoin. Até 13 de maio de 2026, a empresa já havia utilizado cerca de US$ 302 milhões desse total. Assim, a alavancagem se consolidou como elemento central da expansão das reservas.
No entanto, mesmo com novas aquisições, o valor total dos ativos líquidos caiu de US$ 2,96 bilhões no fim de dezembro para cerca de US$ 2,60 bilhões em 31 de março. Isso ocorreu porque as perdas contábeis decorrentes da queda do Bitcoin superaram os ganhos financeiros obtidos no período.
Em contrapartida, a empresa manteve suas projeções para 2026. A expectativa segue em torno de US$ 100 milhões em receita líquida e aproximadamente US$ 72 milhões em lucro operacional. Contudo, a companhia optou por não divulgar estimativas de lucro líquido, já que esses números dependem diretamente das oscilações do mercado cripto.
Bitcoin por ação como métrica central
Como parte de sua estratégia, a Metaplanet adota o indicador de Bitcoin por ação diluída como principal métrica de desempenho. No primeiro trimestre, esse índice subiu de 0,0240486 BTC para 0,0247319 BTC, o que representa crescimento de cerca de 2,8% no período.
Segundo a empresa, essa métrica oferece uma leitura mais precisa do valor gerado aos acionistas, pois considera o aumento da quantidade de Bitcoin por ação mesmo diante da emissão adicional de papéis.
Em suma, o trimestre evidencia um contraste claro. Ao mesmo tempo em que a Metaplanet ampliou receitas, margens e reservas em Bitcoin, a volatilidade do ativo pressionou fortemente os resultados contábeis, reforçando os riscos de estratégias corporativas altamente expostas ao mercado cripto.