OKX negocia compra de 20% da Coinone na Coreia do Sul
A exchange global de criptomoedas OKX negocia a aquisição de cerca de 20% da Coinone, uma das cinco plataformas licenciadas na Coreia do Sul. A informação foi publicada em 15 de maio pela Yonhap News Agency. Assim, o movimento pode marcar um avanço relevante da empresa em um dos mercados mais ativos da Ásia.
Segundo a Yonhap, citada pela Bloomberg, a Korea Investment & Securities também avalia adquirir uma participação semelhante de 20% na Coinone. Nesse sentido, as negociações fariam parte de uma mesma estrutura estratégica, embora os termos finais ainda não tenham sido confirmados oficialmente.
Atualmente, a Coinone tem como principal acionista o The One Group, com 34,30% de participação. Em seguida, aparecem a Com2uS Holdings, com 21,95%, o CEO Cha Myung-hoon, com 19,14%, e a Com2uS Plus, com 16,47%. Além disso, Cha, fundador da exchange, também detém a maior fatia no The One Group, o que reforça sua influência sobre a empresa.
Regulação impulsiona mudanças no setor
As negociações ocorrem em meio a mudanças relevantes no ambiente regulatório da Coreia do Sul. Em dezembro de 2025, a Comissão de Serviços Financeiros propôs limitar a participação de grandes acionistas entre 15% e 20% nas exchanges locais. Dessa forma, o país busca incentivar a entrada de instituições financeiras tradicionais no setor.
Além disso, a medida pretende diversificar o controle das plataformas e reduzir riscos sistêmicos. Como resultado, bancos e gestoras de ativos passaram a avaliar oportunidades no mercado de criptomoedas sul-coreano, o que já indica sinais de consolidação.
Entre os exemplos recentes, destaca-se a aquisição de aproximadamente US$ 96,7 milhões pela Mirae Asset Consulting, garantindo 92,06% da Korbit. Ao mesmo tempo, o Hana Financial Group comprou cerca de 6,55% da Dunamu, controladora da Upbit, por aproximadamente US$ 727 milhões. Portanto, o interesse institucional segue em expansão.
OKX acelera estratégia global
Para a OKX, a possível entrada na Coinone se encaixa em uma estratégia mais ampla de expansão global. Em março de 2026, a Intercontinental Exchange, controladora da Bolsa de Nova York, investiu cerca de US$ 200 milhões na empresa. Com isso, a exchange foi avaliada em US$ 25 bilhões.
Além disso, o acordo garantiu à Intercontinental Exchange um assento no conselho da OKX. Ao mesmo tempo, abriu caminho para acesso a ações tokenizadas listadas na NYSE e a produtos derivativos, fortalecendo sua presença institucional.
Uma participação na Coinone permitiria à OKX acessar o mercado sul-coreano de forma mais estruturada. Atualmente, a empresa não possui licença local nem suporte direto ao won sul-coreano. Ainda assim, o país representa uma oportunidade relevante, já que cerca de 30% da população, ou aproximadamente 15,5 milhões de pessoas, possuíam ativos digitais em 2025.
Assim, ao investir em uma exchange licenciada, a OKX pode contornar barreiras regulatórias e acelerar sua entrada em um ambiente altamente competitivo.
Mercado sul-coreano atrai grandes players
O movimento ocorre em um contexto mais amplo de transformação no setor asiático de criptomoedas. Em virtude das novas regras, empresas globais buscam consolidar presença antes que a estrutura de propriedade se estabilize. Portanto, a disputa por participações em exchanges locais tende a se intensificar.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham o comportamento do Bitcoin, que segue como principal referência do mercado. No momento da publicação, o ativo era negociado próximo de US$ 80.000, mantendo-se próximo da média móvel de 200 dias.

BTCUSD no TradingView. Fonte: TradingView
Nesse meio tempo, o mercado aguarda novos catalisadores macroeconômicos. Ainda que o cenário global apresente incertezas, a Ásia permanece estratégica. A Coreia do Sul, em particular, se destaca pela elevada adoção de ativos digitais e pela evolução regulatória.
Em suma, as negociações entre OKX e Coinone refletem uma tendência mais ampla de integração entre finanças tradicionais e o mercado de criptomoedas, com avanço acelerado de empresas apoiadas por capital institucional.