Upbit recebe aporte de US$ 670 mi do Hana Financial
O Hana Financial Group, um dos maiores conglomerados bancários da Coreia do Sul, anunciou em 15 de maio a aquisição de 6,55% da Dunamu, controladora da Upbit, maior exchange de criptomoedas do país. A participação foi comprada da Kakao Investment por cerca de 1 trilhão de won sul-coreanos, equivalente a aproximadamente US$ 670 milhões.
Conforme documento regulatório divulgado no mesmo dia, a operação representa o maior aporte já realizado por um banco sul-coreano no setor de ativos digitais. Com isso, o Hana Financial passa a ser o quarto maior acionista da Dunamu, ampliando sua presença no mercado cripto.
A estrutura acionária mantém o fundador e presidente Song Chi-hyung com 25,51%. Em seguida aparecem o vice-presidente Kim Hyoung-nyon com 13,10% e a Woori Technology Investment com 7,2%. Após a venda, a Kakao Investment permanece com cerca de 4%.
Integração entre banco e cripto avança
O movimento vai além do investimento financeiro. Ao mesmo tempo, Hana Financial Group e Dunamu firmaram um memorando de entendimento com o objetivo de integrar serviços bancários tradicionais ao ecossistema de criptomoedas.
Em primeiro lugar, as empresas desenvolvem um sistema de remessas internacionais baseado em blockchain. A iniciativa utiliza a rede proprietária Giwa Chain e busca oferecer uma alternativa ao modelo SWIFT. O projeto começou no final de 2025 e concluiu sua prova de conceito em fevereiro de 2026.
Além disso, os testes comerciais começaram em abril, em parceria com a POSCO International. Dessa forma, as instituições avançam na criação de uma infraestrutura mais eficiente para transferências globais.
Em segundo lugar, o acordo prevê o desenvolvimento de uma stablecoin lastreada no won sul-coreano. O plano inclui emissão, circulação e resgate, o que pode acelerar a digitalização da moeda local.
Ao mesmo tempo, uma terceira frente contempla um serviço híbrido de gestão de patrimônio. Nesse sentido, a proposta conecta ativos digitais da Upbit a plataformas tradicionais de fundos, previdência e trust do Hana Bank.
Por fim, as empresas planejam expandir operações internacionais. Assim, combinam a presença global do banco com a tecnologia blockchain da Dunamu para explorar novos mercados.
Bancos ampliam disputa por exchanges
O acordo ocorre em meio à crescente competição entre instituições financeiras na Coreia do Sul. Atualmente, bancos e grandes grupos buscam participação direta em exchanges reguladas para consolidar presença no mercado de criptomoedas.
Por exemplo, a Mirae Asset Consulting adquiriu 92,06% da Korbit por cerca de US$ 96,7 milhões. Além disso, negociações envolvendo OKX e Korea Investment & Securities indicam interesse na Coinone.
Esses movimentos evidenciam uma reconfiguração do setor. Em outras palavras, instituições tradicionais passam a disputar espaço com empresas nativas do universo blockchain.
Enquanto isso, a Dunamu apresenta fundamentos sólidos. A empresa reportou ativos de 13,17 trilhões de won no último ano. Ademais, registrou lucro líquido de 709 bilhões de won sobre receitas de 1,56 trilhão de won.
A Upbit, por sua vez, concentra mais de 80% do volume de negociação de criptomoedas na Coreia do Sul. Portanto, o investimento do Hana Financial ganha relevância estratégica.

Preço do Bitcoin em movimento lateral no gráfico diário. Fonte: TradingView
Capital institucional fortalece mercado asiático
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 80.000. O ativo se mantém acima da média móvel de 200 dias, ao passo que cresce o interesse institucional na Ásia.
Segundo analistas, esse tipo de investimento indica uma mudança estrutural. Ou seja, grandes bancos deixam de tratar o setor como experimental e passam a incorporá-lo em estratégias de longo prazo.
O presidente do Hana Financial Group, Ham Young-joo, afirmou que a iniciativa visa acelerar a inovação financeira baseada em ativos digitais. Além disso, destacou o objetivo de fortalecer a posição global da Coreia do Sul no setor de blockchain.
Em suma, o aporte na Upbit sinaliza uma convergência crescente entre o sistema financeiro tradicional e o mercado cripto, com potencial para redefinir os serviços financeiros no país.