EUA: imóveis têm maior demanda desde 2022

O mercado de imóveis nos Estados Unidos voltou a ganhar tração em 2026. Dados da Redfin mostram que as vendas pendentes de casas avançaram 9,6% na comparação anual nas quatro semanas encerradas em 10 de maio, atingindo o nível mais alto desde setembro de 2022.

À época, o setor ainda não havia sentido plenamente o impacto da forte alta nas taxas de hipoteca. Posteriormente, esses juros ultrapassaram 7%, o que esfriou a demanda ao longo dos dois anos seguintes. Agora, contudo, os dados indicam uma retomada gradual, especialmente em grandes centros urbanos.

Queda nas taxas reaquece a demanda

Condições financeiras mais favoráveis estimulam compradores

O avanço nas vendas pendentes reflete, прежде de tudo, a melhora nas condições de crédito. Ainda que as taxas de hipoteca permaneçam elevadas em termos históricos, houve recuo em relação aos picos recentes, ampliando o acesso ao financiamento.

Além disso, indicadores complementares reforçam esse movimento. Os pedidos de financiamento imobiliário cresceram cerca de 4% na comparação semanal. Ao mesmo tempo, buscas no Google por “casas à venda” alcançaram o maior nível em nove meses.

Esse comportamento indica aumento do interesse dos consumidores. Em outras palavras, há mais intenção de compra e maior engajamento nas etapas iniciais do processo. Ademais, o mercado de trabalho relativamente estável sustenta essa tendência, já que maior segurança de renda favorece decisões de longo prazo, como financiamentos de 30 anos.

No entanto, o desempenho regional segue desigual. Enquanto Chicago e San Francisco registram avanços mais expressivos, cidades como Houston, Detroit e Seattle ainda apresentam recuperação mais lenta.

Esse movimento ocorre em paralelo a outros segmentos financeiros. Investidores que acompanham o mercado cripto, por exemplo, também observam retomadas graduais após períodos de aperto monetário.

Oferta restrita sustenta alta de preços

Estoque limitado mantém desequilíbrio no setor

Apesar da recuperação da demanda, a oferta de imóveis continua limitada. O número de novos imóveis listados caiu cerca de 1,6% na comparação anual, enquanto o estoque total cresceu apenas 1,2%.

Esse ritmo não acompanha o avanço de 9,6% na procura. Como resultado, o mercado volta a apresentar desequilíbrio, pressionando os preços. O valor mediano das casas subiu 2,2% em relação ao ano anterior, alcançando aproximadamente US$ 397.740.

Em áreas mais competitivas, a valorização tende a ser ainda maior, especialmente quando os imóveis apresentam preços considerados atrativos. Além disso, disputas entre compradores começam a reaparecer, devolvendo aos vendedores maior poder de negociação.

Por outro lado, a limitação da oferta permanece um desafio estrutural. Mesmo com o aumento da demanda, a escassez de imóveis impede uma expansão mais equilibrada do setor ao longo de 2026.

Indicador antecedente aponta continuidade

Contratos sugerem força nas próximas vendas

As vendas pendentes são um indicador antecedente relevante, pois medem contratos assinados e não transações concluídas. Dessa forma, antecipam a atividade do setor em um a dois meses.

Com o crescimento anual de 9,6%, a expectativa é que maio e junho registrem alta nas vendas efetivas. Nesse sentido, o setor pode consolidar a trajetória de recuperação no curto prazo.

Ao mesmo tempo, o cenário chama a atenção do Federal Reserve. Um mercado imobiliário mais aquecido tende a impactar a inflação, sobretudo no componente de moradia, um dos mais persistentes no índice de preços ao consumidor.

Assim, embora o avanço seja positivo para o setor, ele também levanta preocupações. O aumento contínuo dos preços pode dificultar o acesso à moradia e influenciar decisões futuras de política monetária.

Em suma, o mercado imobiliário dos Estados Unidos mostra sinais consistentes de recuperação. Ainda assim, a combinação entre demanda crescente e oferta limitada exige monitoramento ao longo dos próximos meses.