Bitcoin: autoridades de Trump declaram US$ 193 mi

Uma análise conduzida pelo The Washington Post revelou que indicados e autoridades do governo de Donald Trump declararam pelo menos US$ 193 milhões em ativos ligados ao mercado de criptomoedas e blockchain. O levantamento abrange cerca de 70 indivíduos e inclui desde participações modestas até posições superiores a US$ 100 milhões.

Segundo os dados, os valores representam estimativas mínimas, já que os formulários oficiais utilizam faixas, e não números exatos. Assim, o montante real pode ser significativamente maior, o que amplia o peso desse envolvimento com o setor.

Presença crescente de ativos digitais no governo

Entre os principais nomes, o presidente Donald Trump declarou possuir ao menos US$ 51 milhões em ativos digitais. Além disso, o vice-presidente JD Vance informou ter entre US$ 250 mil e US$ 500 mil em Bitcoin. Já o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., reportou investimentos entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.

O maior volume declarado veio de Ken Howery, cofundador do PayPal e indicado como embaixador na Dinamarca. Ele informou possuir pelo menos US$ 122 milhões em ativos digitais. Dessa forma, os dados indicam que o setor deixou de ser periférico e passou a ocupar espaço relevante no patrimônio de figuras influentes.

Ao mesmo tempo, a adoção institucional de ativos digitais avança paralelamente ao interesse político. Nesse sentido, autoridades não apenas investem, mas também participam de decisões estratégicas que impactam diretamente o mercado.

Vínculos financeiros com o setor cripto

As conexões de Donald Trump com o setor vão além de investimentos pessoais. A World Liberty Financial, um projeto de finanças descentralizadas controlado majoritariamente por sua família, tornou-se uma fonte relevante de receita. Assim, o elo entre política e ativos digitais se intensifica.

Em janeiro de 2025, o token TRUMP atingiu uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 8,7 bilhões. No entanto, posteriormente perdeu grande parte do valor, conforme dados do CoinGecko. Da mesma forma, o token WLFI acumulou queda superior a 82% desde seu pico.

Um documento ético recente mostra que Trump e sua família continuaram investindo no setor no primeiro trimestre de 2026. Entre os ativos adquiridos estão ações da Coinbase, Strategy e MARA Holdings. A maior transação individual envolveu ações da Coinbase, avaliadas entre US$ 100.001 e US$ 250.000.

Além disso, houve negociações frequentes com ações da Strategy, empresa diretamente associada ao desempenho do Bitcoin. Também foram registradas compras em empresas como Block, Robinhood e SoFi Technologies. Ainda assim, esses investimentos representam apenas uma fração das mais de 2.000 transações realizadas no período.

Política pública e impacto no mercado

Desde que assumiu o cargo, Donald Trump adotou medidas favoráveis ao setor. Entre elas, destaca-se a assinatura de uma ordem executiva que proíbe a criação de uma moeda digital de banco central nos Estados Unidos. Dessa maneira, o governo reforça uma abordagem pró-mercado.

Além disso, foi estabelecida uma Reserva Estratégica de Bitcoin. O governo reúne mais de 328.000 BTC sob controle de agências federais, com valor estimado em cerca de US$ 26 bilhões. Paralelamente, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) recebeu orientação para suspender ou encerrar processos contra empresas do setor.

Essas decisões marcam uma mudança relevante em relação à administração anterior, quando reguladores adotaram postura mais rigorosa após o colapso da FTX em 2022, que gerou perdas bilionárias para investidores.

Risco de conflito de interesses

O levantamento também levanta preocupações sobre possíveis conflitos de interesse. Isso ocorre porque autoridades responsáveis por regulamentar o setor possuem investimentos pessoais em ativos digitais, o que coloca em debate a imparcialidade das decisões.

Bill Pulte, diretor da Federal Housing Finance Agency, declarou entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões em criptomoedas. Recentemente, ele determinou que instituições como Fannie Mae e Freddie Mac considerem ativos digitais na análise de risco para hipotecas. Portanto, decisões regulatórias já começam a incorporar diretamente esses ativos.

Além disso, membros do Departamento de Justiça, incluindo o diretor do FBI, Kash Patel, também relataram participações no mercado. Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que promotores federais reduzem a intensidade de ações contra empresas do setor.

Por outro lado, algumas autoridades afirmaram ter vendido seus ativos antes ou logo após assumirem seus cargos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, confirmaram a alienação de suas participações. Outros integrantes se comprometeram a fazer o mesmo dentro de 90 dias.

Em conclusão, os dados mostram que o envolvimento com Bitcoin e outros ativos digitais está amplamente disseminado no governo Trump. Ao mesmo tempo, as políticas públicas recentes reforçam a presença do setor na agenda econômica dos Estados Unidos, ampliando sua relevância no cenário institucional global.