WLFI leva AI Financial a perda de US$ 271 mi

A AI Financial Corporation, fintech listada na Nasdaq, alertou que pode não conseguir manter suas operações pelos próximos 12 meses. A empresa reportou prejuízo líquido de US$ 271 milhões no primeiro trimestre de 2026, sobretudo em razão da forte desvalorização de ativos digitais.

Em documento divulgado à SEC, a companhia reconheceu “dúvidas substanciais” sobre sua continuidade operacional. Assim, o alerta reflete diretamente o impacto da queda no valor de ativos baseados em blockchain.

Impacto do WLFI no balanço corporativo

Grande parte do prejuízo está associada à reavaliação negativa de 7,3 bilhões de tokens WLFI. Esses ativos estavam registrados em cerca de US$ 703 milhões no balanço, mas sofreram perdas não realizadas expressivas após a queda de preço.

Fonte: relatório financeiro da empresa

Além disso, restrições contratuais impedem a venda imediata desses tokens. Em outras palavras, embora representem uma potencial fonte de liquidez, não há garantia de conversão em caixa, nem mesmo no longo prazo.

A empresa, anteriormente chamada ALT5 Sigma Corporation, iniciou sua estratégia com WLFI em agosto de 2025. Na ocasião, adquiriu os tokens por cerca de US$ 0,20. Desde então, a desvalorização gerou perdas não realizadas de aproximadamente US$ 348 milhões até março de 2026.

Desvalorização contínua amplia risco

Naquele período, o WLFI era negociado próximo de US$ 0,097. Posteriormente, o token acumulou nova queda de cerca de 37%, passando a valer aproximadamente US$ 0,06, conforme dados do CoinGecko.

Com isso, as perdas atuais podem ser ainda maiores do que as registradas no balanço trimestral. Portanto, a exposição ao WLFI segue como um dos principais fatores de risco para a companhia.

Estrutura financeira e desafios de liquidez

Ao mesmo tempo, a AI Financial enfrenta fragilidades estruturais. A companhia reportou déficit de capital de giro de US$ 5,5 milhões, já que os passivos circulantes, de US$ 39,1 milhões, superam os ativos circulantes, de US$ 32,2 milhões.

Ainda assim, o caixa disponível aumentou para US$ 10,5 milhões. Esse avanço ocorreu após um saque de US$ 15 milhões realizado em janeiro de 2026, proveniente de um acordo de empréstimo com a própria WLFI, com taxa anual de 4,5%.

Queda nos ativos totais

Por outro lado, os ativos totais recuaram para cerca de US$ 960 milhões ao final do trimestre, ante US$ 1,2 bilhão no encerramento de 2025. Dessa forma, a redução evidencia a deterioração financeira ao longo do período.

Além disso, a dependência de ativos digitais voláteis amplia a incerteza. Mesmo com a busca por alternativas, a monetização desses ativos permanece incerta.

Receita, despesas e pressão operacional

Desconsiderando a reavaliação dos ativos digitais, o segmento fintech gerou receita de US$ 4,7 milhões, levemente abaixo dos US$ 4,8 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Por sua vez, o lucro bruto subiu para US$ 3,6 milhões, frente a US$ 1,9 milhão. Ainda assim, as despesas administrativas e operacionais cresceram de forma relevante, passando de US$ 3,9 milhões para US$ 6,3 milhões.

Aumento de custos e diluição acionária

Esse avanço foi impulsionado principalmente por custos profissionais mais elevados. Como resultado, o prejuízo operacional atingiu US$ 2,7 milhões, ante US$ 1,9 milhão no ano anterior.

O prejuízo por ação também aumentou significativamente, chegando a US$ 2,14, frente a US$ 0,15. Paralelamente, o número médio ponderado de ações saltou de 15,6 milhões para 126,8 milhões, refletindo emissões ligadas à captação de capital em agosto de 2025.

Em suma, a combinação de forte exposição ao WLFI, aumento de despesas e desequilíbrio financeiro coloca a AI Financial em posição delicada. Nesse contexto, a continuidade das operações dependerá da capacidade de gerar liquidez ou captar novos recursos no mercado.