Tesouro dos EUA sanciona rede ligada ao cartel com Ethereum

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de sanções contra o Cartel de Sinaloa, destacando o uso crescente de criptomoedas, sobretudo o Ethereum, em operações de lavagem de dinheiro ligadas ao tráfico de fentanil. A medida reforça a preocupação das autoridades com a integração de ativos digitais em esquemas financeiros ilícitos.

Segundo o comunicado oficial do Tesouro, o cartel utiliza criptomoedas para movimentar valores obtidos com a venda de drogas. Dessa forma, a estratégia aumenta a agilidade das transações e, ao mesmo tempo, dificulta mecanismos tradicionais de rastreamento. O comunicado detalha a estrutura da operação.

Criptomoedas ganham espaço no financiamento do tráfico

O Cartel de Sinaloa, classificado pelos Estados Unidos desde 2009, está entre as organizações de narcotráfico mais poderosas do México. Nesse contexto, suas atividades incluem a distribuição em larga escala de fentanil, gerando receitas ilícitas expressivas.

Esses recursos, por consequência, precisam ser ocultados e reinseridos no sistema financeiro. Assim, o uso de criptomoedas surge como alternativa eficiente. Conforme o Tesouro, o esquema começa com a coleta de dinheiro em espécie em território americano. Em seguida, os valores são convertidos em ativos digitais, facilitando transferências internacionais.

Além disso, as autoridades identificaram Armando de Jesus Ojeda Aviles como peça-chave na estrutura. Ele lideraria uma rede especializada na conversão de dinheiro físico em criptomoedas. Posteriormente, esses ativos seriam transferidos para operadores no México, sustentando as operações do cartel.

Ao mesmo tempo, o relatório aponta que a digitalização dos fluxos financeiros aumenta a complexidade das investigações. Ainda assim, órgãos reguladores têm intensificado o monitoramento dessas transações, especialmente em redes como a Ethereum.

Operadores financeiros e estrutura da rede

Outro nome citado é Jesus Alonso Aispuro Felix. De acordo com o Tesouro, ele atua como operador financeiro central, intermediando transferências de grande volume por meio de endereços de criptomoedas.

Além disso, Rodrigo Alarcon Palomares aparece como facilitador logístico dentro dos Estados Unidos. Em abril de 2024, ele foi formalmente acusado por um grande júri federal no estado do Colorado. As acusações incluem três crimes relacionados à lavagem de dinheiro com uso de criptomoedas.

Essas ações demonstram uma estrutura organizada e coordenada. Enquanto alguns membros coletavam dinheiro físico, outros cuidavam da conversão e transferência digital.

Endereços de Ethereum entram na lista de bloqueio

Como parte das sanções, o Tesouro incluiu seis endereços da rede Ethereum em sua lista de bloqueio. Segundo a agência, cinco desses endereços estão diretamente ligados a Armando de Jesus Ojeda Aviles. Dessa forma, as autoridades buscam interromper o fluxo financeiro digital associado ao cartel.

A inclusão desses endereços evidencia o avanço das ferramentas de rastreamento no mercado de criptomoedas. Embora as transações em blockchain sejam públicas, a identificação dos responsáveis exige investigações técnicas aprofundadas.

Além disso, as sanções têm como objetivo impedir que os envolvidos acessem o sistema financeiro global. Com isso, as autoridades tentam dificultar tanto a conversão quanto o uso dos ativos digitais obtidos ilegalmente.

Crypto

O gráfico diário mostra o valor total do mercado de criptomoedas em US$ 2,5 trilhões. Fonte: TradingView

Monitoramento reforça pressão regulatória

O caso reflete uma tendência mais ampla. Atualmente, autoridades globais intensificam a vigilância sobre o uso de criptomoedas em atividades ilícitas. Nesse sentido, redes como Ethereum permanecem sob monitoramento constante.

Por outro lado, especialistas ressaltam que a tecnologia blockchain também oferece transparência. Em outras palavras, apesar do uso por criminosos, ela permite rastreamento detalhado quando analisada corretamente.

Em conclusão, a ação do Tesouro evidencia o esforço contínuo para combater a lavagem de dinheiro no ambiente digital. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de cooperação internacional e de aprimoramento regulatório para lidar com o uso indevido de criptomoedas.