Terra: Jane Street é acusada de insider trading
A Terraform Labs acusou a gigante de trading Jane Street de utilizar informações privilegiadas para negociar a stablecoin Terra USD (UST) pouco antes do colapso do ecossistema Terra, em maio de 2022. Segundo a ação, a empresa teria acessado dados estratégicos por meio de um grupo privado no Telegram, o que, de acordo com a acusação, lhe garantiu vantagem indevida no mercado.
Conforme uma queixa revisada apresentada nesta semana, disponível em documento judicial, o administrador da Terraform, Todd Snyder, afirma que executivos da Jane Street utilizaram canais não públicos para antecipar movimentos críticos. Assim, a acusação sustenta que a empresa teria operado com base em informações confidenciais, em possível violação de regras de mercado.
Grupo no Telegram é apontado como origem dos dados
Segundo o processo, entre os acusados estão o cofundador Robert Granieri e os traders Bryce Pratt e Michael Huang. De acordo com os autos, eles teriam participado de um grupo privado no Telegram chamado “Bryce’s Secret”, criado em fevereiro de 2022.
O grupo incluiria Bryce Pratt, ex-estagiário da Terraform, além de dois ex-colegas da empresa, incluindo um executivo da área de desenvolvimento de negócios. Ainda segundo a acusação, informações sobre liquidez, ativos e decisões estratégicas circulavam no canal. Dessa forma, a Jane Street teria conseguido antecipar riscos e ajustar suas posições antes do colapso.

Snyder acusa Jane Street de usar grupo secreto no Telegram. Fonte: courtlistener
Com base nessas informações, a empresa teria liquidado suas posições em UST em 7 de maio de 2022. Como resultado, evitou perdas relevantes e, ao mesmo tempo, maximizou ganhos. Poucas horas depois, a stablecoin perdeu a paridade com o dólar, desencadeando a crise que atingiu todo o ecossistema Terra, incluindo o token LUNA.
Operações teriam ampliado a pressão sobre a Terra
A ação judicial afirma que a conduta da Jane Street contribuiu para a chamada “espiral da morte” da Terra. Além de vender suas reservas, a empresa teria aberto posições vendidas contra UST e LUNA. Assim, lucraria tanto com a antecipação quanto com a queda subsequente.
Segundo os autos, a Jane Street liquidou aproximadamente US$ 193 milhões em UST próximos à paridade. Posteriormente, teria obtido cerca de US$ 134 milhões adicionais em lucros com operações vendidas. Nesse sentido, a Terraform argumenta que a atuação da empresa ampliou a pressão de mercado em um momento crítico.
Além disso, o processo sustenta que a liquidação massiva em um único dia inundou o mercado. Como consequência, houve perda acelerada de confiança dos investidores. A Terraform defende que, sem essa pressão inicial, o colapso poderia não ter atingido proporções irreversíveis.
Disputa judicial e defesa da Jane Street
Diante dessas alegações, o espólio da Terraform solicita que o tribunal reconheça que a Jane Street violou a legislação de commodities dos Estados Unidos. Ademais, pede a devolução dos lucros obtidos e das perdas evitadas por meio do suposto uso de informação privilegiada.
Por outro lado, a Jane Street nega as acusações e, em abril, entrou com um pedido para arquivar o processo. A empresa afirma que a ação tenta transferir a responsabilidade pelo colapso, que, segundo sua defesa, teria sido causado por falhas internas da própria Terraform. Além disso, sustenta que as informações relevantes já eram públicas no momento das negociações.

A capitalização total do mercado de criptomoedas está em US$ 2,55 trilhões no gráfico semanal. Fonte: TradingView
Em contrapartida, a acusação insiste que decisões baseadas em dados não públicos podem ter agravado significativamente o colapso. O caso, portanto, reacende o debate sobre práticas de mercado no setor de criptomoedas, especialmente no que diz respeito à transparência e ao acesso à informação.
Enquanto o processo segue em andamento, ambas as partes buscam validar suas versões na Justiça, em um episódio que continua a levantar questionamentos sobre responsabilidade e conduta em eventos de grande impacto no mercado cripto.