Bitwise destina 10% das taxas de ETF ao HYPE

A Bitwise Asset Management anunciou uma estratégia incomum no mercado de criptomoedas ao decidir reinvestir parte das receitas do seu novo ETF ligado ao token HYPE. A gestora informou que 10% das taxas de administração do fundo serão direcionadas à compra do ativo, que permanecerá em seu balanço corporativo e será utilizado em staking por meio da divisão Bitwise Onchain Solutions.

Com isso, a empresa não apenas oferece exposição ao ativo, mas também passa a participar diretamente de sua dinâmica econômica. Além disso, a iniciativa reforça o alinhamento entre a gestora e o desempenho do token ao longo do tempo.

ETF atrai capital e amplia exposição ao HYPE

O ETF, negociado sob o ticker BHYP, começou a operar na NYSE Arca em 15 de maio. Desde então, o produto oferece exposição direta ao HYPE, bem como potencial de ganhos adicionais por meio de staking.

Em primeiro lugar, a taxa de administração tem teto de 0,67%. No entanto, há isenção inicial para os primeiros US$ 500 milhões sob gestão, o que tende a atrair investidores institucionais.

Os dados iniciais apontam forte demanda. Em um único dia, o BHYP registrou entradas líquidas de US$ 8,8 milhões. Ao mesmo tempo, o volume negociado alcançou US$ 18,5 milhões pouco após a abertura.

Além disso, ETFs ligados ao HYPE somaram mais de US$ 11 milhões em entradas diárias, superando produtos similares no mercado cripto. Dessa forma, o desempenho inicial sugere interesse crescente por estratégias que combinam exposição direta e rendimento passivo.

Demanda institucional impulsiona estratégia

Segundo a própria Bitwise Asset Management, o interesse institucional tem sido um dos principais motores do ETF. Nesse sentido, a combinação entre staking e exposição direta ao ativo cria um diferencial competitivo relevante.

Assim, a estratégia vai além da simples replicação de preço. Pelo contrário, incorpora mecanismos que podem ampliar o retorno ao longo do tempo.

Modelo econômico do HYPE sustenta decisão

A decisão da Bitwise está diretamente ligada à tokenomics do HYPE. Aproximadamente 99% da receita gerada pela rede é destinada à recompra e queima de tokens, o que tende a reduzir a oferta ao longo do tempo.

De acordo com a empresa, o ativo pode estar subvalorizado dentro do mercado de criptomoedas. Além disso, a receita anual do protocolo Hyperliquid é estimada entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão.

Como resultado, esse fluxo de receita reforça o argumento de longo prazo. A redução da oferta, combinada com uma demanda crescente, pode sustentar a valorização do token.

Staking amplia retorno potencial

Além da compra direta, os tokens adquiridos serão utilizados em staking. Dessa maneira, a Bitwise participa da segurança da rede e, ao mesmo tempo, gera rendimento adicional.

Em outras palavras, a estratégia combina valorização potencial com geração de renda passiva, o que tende a atrair investidores mais sofisticados.

Riscos e limitações da estratégia

Apesar das vantagens, existem riscos relevantes. Em primeiro lugar, a Bitwise passa a ter exposição direta à volatilidade do HYPE em seu balanço corporativo, o que pode impactar seus resultados financeiros.

Além disso, a isenção de taxas sobre os primeiros US$ 500 milhões limita temporariamente a capacidade de compra do token. Assim, o impacto inicial da estratégia pode ser reduzido.

Outro ponto envolve a natureza cíclica do mercado cripto. O desempenho do protocolo depende fortemente do volume de negociações. Portanto, em períodos de menor atividade, a receita tende a cair.

Dependência do ciclo de mercado

Por outro lado, a queima de tokens, um dos principais atrativos do HYPE, também depende desse fluxo de receita. Dessa forma, uma redução no volume pode desacelerar esse mecanismo.

Mesmo assim, a estratégia indica uma visão de longo prazo. O sucesso do modelo dependerá tanto da adoção do ETF quanto das condições gerais do mercado.

Em suma, a iniciativa combina aquisição contínua de HYPE, staking e exposição institucional. Ao mesmo tempo, as entradas iniciais de capital e as estimativas de receita entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão reforçam os fundamentos dessa abordagem.