EUA propõem e avançam em reserva estratégica de Bitcoin

O deputado republicano Nick Begich, do Alasca, apresentou nesta quinta-feira um projeto de lei que busca tornar permanente uma reserva estratégica de Bitcoin nos Estados Unidos. A proposta, denominada American Reserve Modernization Act (ARMA), pretende transformar em lei uma ordem executiva assinada em março de 2025 pelo presidente Donald Trump.

O objetivo central é garantir base jurídica duradoura para a iniciativa. Além disso, o texto já nasce com apoio bipartidário e reúne mais de uma dezena de co-patrocinadores no Congresso, o que reforça sua viabilidade política.

Caso seja aprovado, o projeto determina que o Departamento do Tesouro seja responsável pela gestão da reserva. Ao mesmo tempo, prevê a criação de um estoque separado para outros ativos digitais mantidos pelo governo federal.

Ao defender a proposta, Begich comparou diretamente o Bitcoin ao ouro. Segundo ele, ambos já foram consolidados pelo mercado como principais reservas de valor em suas respectivas categorias. Em entrevista à Fox Business, o parlamentar destacou que o Bitcoin representa cerca de 60% da capitalização total do mercado de criptomoedas.

“Quando você olha para o ouro, ele é o principal ativo de reserva entre os metais preciosos. E quando olha para o Bitcoin, ele representa a maior parte do valor do mercado de criptomoedas. O mercado já decidiu que esses são os principais ativos de reserva em suas classes”, afirmou Begich.

Proposta amplia estratégia federal com Bitcoin

Em primeiro lugar, o ARMA expande uma iniciativa anterior chamada BITCOIN Act, apresentada em março de 2025 pelo próprio Begich em parceria com a senadora Cynthia Lummis. Dessa forma, o novo texto amplia o escopo e detalha metas concretas de aquisição.

O projeto autoriza o Departamento do Tesouro a adquirir até 200 mil BTC por ano durante cinco anos. Como resultado, a meta total pode chegar a 1 milhão de unidades, o equivalente a aproximadamente 5% do suprimento global de Bitcoin.

Além disso, o texto estabelece que os ativos adquiridos permaneçam bloqueados por pelo menos 20 anos. Assim, reforça a tese de reserva estratégica de longo prazo, em linha com o modelo historicamente adotado para o ouro.

Segundo Begich, a abordagem busca proteger o poder econômico dos Estados Unidos diante de mudanças estruturais no sistema financeiro global. Ainda assim, o debate permanece aberto quanto ao impacto fiscal e à volatilidade do ativo.

Comparação com ouro ganha força política

De acordo com defensores do projeto, a analogia com o ouro fortalece a legitimidade do Bitcoin como reserva de valor. Por outro lado, críticos destacam que o ativo ainda apresenta oscilações relevantes de preço.

Mesmo assim, o apoio bipartidário indica uma mudança relevante na percepção política sobre o setor. Nesse sentido, o ARMA surge como um possível marco na integração entre ativos digitais e políticas econômicas tradicionais.

Governo dos EUA já detém bilhões em Bitcoin

Atualmente, o governo dos Estados Unidos possui cerca de 328.372 BTC. Esses ativos foram obtidos principalmente por meio de apreensões judiciais, incluindo operações contra o Silk Road e a recuperação ligada ao hack da Bitfinex em 2022.

Para o deputado Pat Harrigan, da Carolina do Norte, esse cenário evidencia um problema estrutural. Segundo ele, a ausência de uma estratégia clara compromete a eficiência da gestão desses recursos.

“O governo dos Estados Unidos já possui bilhões em Bitcoin apreendidos, mas não tem uma estratégia coerente para gerenciá-los. Isso precisa mudar”, declarou Harrigan.

Além disso, o debate ocorre em meio a um avanço mais amplo de propostas pró-criptomoedas em Washington. No dia 13 de maio, o Comitê Bancário do Senado aprovou o Digital Asset Market Clarity Act por 15 votos a 9.

Posteriormente, o projeto seguiu para votação no plenário com apoio de parlamentares de ambos os partidos, incluindo os senadores democratas Ruben Gallego e Angela Alsobrooks.

Regulação e segurança intensificam discussões

Ao mesmo tempo, o Departamento do Tesouro ampliou ações contra o uso ilícito de criptomoedas. Dentro da Operation Economic Fury, os Estados Unidos apreenderam quase US$ 500 milhões em ativos digitais ligados ao Irã até o fim de abril.

Por conseguinte, cresce a pressão por uma política estruturada que organize e dê finalidade estratégica a esses recursos. Em paralelo, a Casa Branca sinalizou que um anúncio formal sobre o status operacional da reserva de Bitcoin pode ocorrer em breve.

Segundo um alto funcionário do governo, um dos principais obstáculos legais já foi superado, abrindo caminho para a implementação prática da iniciativa.

Em suma, o projeto ARMA busca integrar o Bitcoin à estratégia econômica dos Estados Unidos, acompanhando a crescente relevância dos ativos digitais no cenário global. O avanço legislativo se apoia em três pilares: a comparação com o ouro, a meta de aquisição de até 1 milhão de BTC e a necessidade de estruturar a gestão dos ativos já apreendidos.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas