Bitcoin cai a US$ 74 mil com US$ 945 mi liquidados

O Bitcoin voltou a pressionar o mercado ao cair abaixo de US$ 76 mil na sexta-feira. Na manhã de sábado, o ativo chegou a cerca de US$ 74.300, refletindo um movimento mais amplo de aversão ao risco. Esse recuo ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, o que levou investidores a reavaliar posições.

Segundo a CBS News, autoridades norte-americanas ainda não tomaram uma decisão final sobre possíveis ataques, embora já tenham iniciado preparativos em setores militares e de inteligência. Assim, o ambiente de incerteza se intensificou e passou a influenciar diretamente os mercados globais.

Escalada entre EUA e Irã pressiona ativos de risco

O presidente Donald Trump alterou sua agenda e retornou à Casa Branca, cancelando compromissos pessoais. Esse movimento reforçou a percepção de que a situação pode se agravar. Ao mesmo tempo, Estados Unidos e Irã seguem em negociações delicadas após um cessar-fogo temporário firmado no início de abril.

A Casa Branca afirmou que não aceitará o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã e reiterou que todas as opções permanecem disponíveis, incluindo ações militares. Como resultado, o mercado passou a precificar cenários mais adversos, pressionando ativos de maior risco.

Em contrapartida, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou uma retaliação severa. Autoridades iranianas indicaram que qualquer ataque poderá ampliar o conflito para além do Oriente Médio. Nesse contexto, países como Paquistão e Catar atuam como mediadores, ainda que o avanço nas negociações ocorra de forma lenta.

Dessa maneira, o apetite por risco diminui. Investidores buscam proteção em momentos de instabilidade, ao passo que reduzem exposição a ativos voláteis como o Bitcoin. Ainda assim, o comportamento do mercado segue altamente sensível a novos desdobramentos geopolíticos.

Liquidações somam US$ 945 milhões

O impacto imediato aparece nos dados do mercado. O CoinGecko aponta que o valor total do mercado de criptomoedas recuou cerca de 3% nas últimas 24 horas, atingindo US$ 2,5 trilhões.

Além disso, houve uma forte onda de liquidações em posições alavancadas. Dados do CoinGlass indicam que aproximadamente US$ 945 milhões foram liquidados no período. A maior parte dessas perdas ocorreu em posições compradas, ou seja, apostas na alta dos preços.

Mercado de criptomoedas registra US$ 945 milhões em liquidações

Fonte: CoinGlass

Com efeito, liquidações dessa magnitude ampliam a volatilidade, pois forçam vendas automáticas. Esse processo acelera quedas em curtos períodos e torna o ambiente ainda mais instável, sobretudo para investidores alavancados.

Petróleo e cenário macro ampliam pressão

Outro fator relevante envolve o mercado de energia. Há preocupação com possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz. Caso isso ocorra, os preços da commodity podem subir de forma expressiva.

Por consequência, a inflação global tende a sofrer pressão adicional. Nesse cenário, bancos centrais podem manter políticas monetárias restritivas por mais tempo, o que historicamente pesa sobre ativos de risco, incluindo o Bitcoin.

Além disso, o aumento do custo da energia impacta cadeias produtivas globais. Assim, o efeito se estende para além do setor financeiro, reforçando a cautela entre investidores institucionais e de varejo.

Em suma, o mercado enfrenta uma combinação de tensão geopolítica, desalavancagem e pressão macroeconômica. A recente queda do Bitcoin e o volume elevado de liquidações evidenciam como fatores externos seguem determinantes para o desempenho do mercado cripto no curto prazo.