IA impulsiona dívida bilionária e CDS na Big Tech

O avanço acelerado da IA está redesenhando os mercados financeiros globais. A princípio, o aumento da demanda por infraestrutura tecnológica impulsionou uma nova onda de endividamento entre gigantes do setor. Como resultado, bancos de Wall Street ampliaram o uso de derivativos de crédito com o propósito de mitigar riscos crescentes.

Desde setembro de 2025, os volumes de credit default swaps (CDS) ligados a empresas de tecnologia dos Estados Unidos cresceram cerca de 90%. Esse movimento ocorre, sobretudo, devido à necessidade de financiar data centers e sistemas avançados de IA. Além disso, essa expansão sinaliza uma mudança estrutural no perfil de risco do setor.

Em 2025, as chamadas hyperscalers acumularam US$ 121 bilhões em novas dívidas. Esse montante representa mais de quatro vezes a média anual dos últimos cinco anos. Entre os principais destaques, a Meta captou cerca de US$ 30 bilhões, enquanto a Alphabet levantou aproximadamente US$ 25 bilhões.

Analistas avaliam que esse ritmo deve persistir. Em outras palavras, o setor pode adicionar até US$ 1,5 trilhão em novas dívidas até 2028, impulsionado quase exclusivamente por investimentos em IA. Assim, o fenômeno ganha relevância não apenas tecnológica, mas também financeira.

Pressão sobre bancos impulsiona mercado de CDS

Proteção contra inadimplência ganha protagonismo

Com volumes elevados de emissão, bancos enfrentam maior exposição ao risco durante a estruturação dessas operações. Por isso, o uso de CDS tornou-se essencial para equilibrar os balanços. Esses instrumentos funcionam, afinal, como uma proteção contra inadimplência.

Quando o crédito cresce rapidamente, a necessidade de hedge aumenta na mesma proporção. Nesse sentido, o mercado de CDS voltado para empresas de tecnologia se expandiu de forma acelerada. Além disso, surgiram novos contratos para companhias com alto grau de investimento, que anteriormente tinham baixa liquidez.

Dados da Depository Trust & Clearing Corp. indicam aumento relevante nas transações fora do setor financeiro. Dessa forma, evidencia-se uma transformação no comportamento do mercado.

Ao mesmo tempo, alguns desses ativos passaram a figurar entre os mais negociados dos Estados Unidos fora do segmento bancário. Isso demonstra que o risco associado à IA já influencia diretamente as decisões de investimento.

Oracle reflete aumento na percepção de risco

Spreads sobem e volume dispara

O caso da Oracle ilustra essa dinâmica. O spread dos CDS de cinco anos da empresa saltou de cerca de 40 pontos-base para uma faixa entre 151 e 160 pontos-base até o fim de 2025. Esse avanço indica maior percepção de risco por parte dos investidores.

Além disso, o volume de negociação disparou. Em apenas dez semanas, as operações com CDS da Oracle cresceram mais de 20 vezes em relação ao ano anterior, atingindo US$ 9,2 bilhões. Assim, o movimento reforça a intensidade da demanda por proteção.

Esse cenário não ocorre isoladamente. Bancos como o JPMorgan Chase enfrentaram dificuldades para distribuir empréstimos bilionários ligados a projetos de IA. Consequentemente, a intensificação das estratégias de hedge tornou-se inevitável.

Enquanto isso, investidores monitoram atentamente esses indicadores, já que mudanças nos spreads de CDS costumam antecipar ajustes mais amplos no mercado de crédito.

Endividamento levanta dúvidas sobre sustentabilidade

Risco financeiro entra no radar

O nível atual de endividamento já foge do padrão histórico. Os US$ 121 bilhões captados em 2025 representam uma anomalia relevante. Ainda assim, a projeção de US$ 1,5 trilhão até 2028 levanta dúvidas sobre a sustentabilidade financeira desse ciclo.

Mesmo empresas com forte geração de caixa, como Meta e Alphabet, podem enfrentar desafios caso o ritmo de alavancagem supere as expectativas. Nesse contexto, o comportamento dos CDS funciona como um termômetro do risco percebido.

Por outro lado, a expansão da IA segue como principal motor desse movimento. Dessa maneira, o setor não apenas redefine a tecnologia, mas também transforma a dinâmica de crédito global. Como resultado, cresce a necessidade de estratégias mais sofisticadas de gestão de risco.

Além disso, o impacto se estende ao mercado de criptomoedas, que frequentemente acompanha mudanças de liquidez e apetite por risco. Nesse sentido, a evolução desse cenário tende a influenciar múltiplas classes de ativos.

Por fim, com investimentos massivos e maior sensibilidade ao risco, a IA consolida uma nova fase nos mercados financeiros, exigindo adaptação contínua de bancos e investidores.