Venezuela apreende 4 mil máquinas de Bitcoin em Maracay
As autoridades da Venezuela intensificaram o combate à mineração ilegal de Bitcoin e apreenderam cerca de 4.000 máquinas ASIC em uma operação de grande escala. A ação, batizada de “Cazador”, ocorreu na zona industrial de San Vicente, em Maracay, no estado de Aragua.
A operação foi realizada em 18 de maio e reforça a decisão do governo de endurecer a proibição nacional contra atividades de mineração digital não autorizadas, anunciada em 7 de maio. Dessa forma, o país adota uma postura mais rígida diante da expansão dessas operações.
Operação Cazador mira estrutura industrial
Infraestrutura e consumo energético chamam atenção
Durante a ação, as autoridades recolheram não apenas os equipamentos de mineração, mas também sistemas industriais de ventilação e resfriamento, essenciais para manter a operação contínua.
Estimativas oficiais indicam que a instalação operava em escala comparável à de um armazém industrial. Nesse sentido, o consumo energético variava entre 8 e 10 megawatts, o que representa uma carga relevante para o sistema elétrico venezuelano.
A operação contou com a participação do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), além de unidades militares como a REDI Central e a ZODI Aragua. Ademais, representantes do Ministério de Energia Elétrica estiveram presentes, incluindo a vice-ministra Vianney Rojas.
Autoridades locais afirmaram que o objetivo é ampliar a fiscalização para conter o uso irregular de energia em atividades de alto consumo, conforme repercutido pela Reuters.
Crise energética impulsiona repressão
Alta demanda pressiona sistema elétrico
A ofensiva ocorre em um momento crítico para o sistema elétrico do país. Atualmente, a demanda máxima atingiu 15.579 megawatts, o nível mais alto registrado nos últimos nove anos.
A Venezuela enfrenta dificuldades estruturais há anos, sobretudo devido ao subinvestimento e falhas de manutenção. Por conseguinte, operações de mineração em larga escala agravam o cenário, já que exigem elevado consumo energético para validar transações no mercado de criptomoedas.
Embora a proibição reforçada em maio não represente uma mudança completa de política, ela intensifica medidas já adotadas anteriormente. Em outras palavras, o governo mantém uma estratégia que alterna entre tolerância e repressão, conforme a pressão sobre a infraestrutura aumenta.
Desde pelo menos 2023, operações recorrentes buscam desmantelar instalações ilegais. Ainda assim, o crescimento da mineração clandestina indica que o problema persiste, especialmente em regiões industriais.
Além disso, o país já tentou explorar alternativas próprias no setor. Em 2018, lançou a criptomoeda estatal Petro, que foi amplamente considerada malsucedida. Assim, o foco atual recai sobre o controle e a restrição das atividades privadas.
Destino das máquinas apreendidas gera incerteza
Possíveis impactos no mercado
Uma questão relevante após a operação envolve o destino das 4.000 máquinas apreendidas. Até o momento, o governo não informou se pretende destruir, leiloar ou reutilizar os equipamentos.
Em outros países, ações semelhantes resultaram na redistribuição de equipamentos para uso estatal. Nesse sentido, essa prática pode representar uma forma indireta de nacionalização da capacidade de mineração.
No caso venezuelano, contudo, não há confirmação de que essa estratégia será adotada. Ainda assim, a possibilidade levanta debates sobre controle estatal e seus efeitos no mercado global.
Por outro lado, a apreensão em Maracay pode influenciar a distribuição global de hashrate, embora o impacto exato permaneça incerto. Afinal, operações desse porte contribuem para o equilíbrio da rede.
Em conclusão, a ação evidencia a continuidade das políticas restritivas do governo venezuelano e reforça a relação direta entre crise energética e repressão à mineração de Bitcoin.