Canadá vê desemprego longo no maior nível desde 1997
O mercado de trabalho do Canadá mostra uma deterioração mais persistente do que a taxa cheia de desemprego costuma indicar. Em janeiro de 2026, 25,4% dos desempregados buscavam uma vaga havia pelo menos seis meses, ou 27 semanas. O Bank of Canada registrou em seu relatório de abril que esse foi o maior patamar fora dos anos de pandemia desde maio de 1997.
Além disso, a duração média do desemprego subiu para 22,7 semanas. Assim, o indicador alcançou o nível mais alto desde o fim de 1999. Em outras palavras, uma parcela crescente dos canadenses sem ocupação leva mais tempo para voltar ao mercado.
Mercado de trabalho perde força em 2026
Os dados gerais também reforçam a piora. A taxa de desemprego do Canadá chegou a 6,9% em abril de 2026, acima dos 6,7% registrados em março. Além disso, o país perdeu cerca de 18 mil postos de trabalho apenas em abril.
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a perda total se aproxima de 112 mil empregos. Segundo o Bank of Canada, o mercado de trabalho opera com folga significativa. A taxa de desemprego ficou entre 6,5% e 7% por cerca de 12 meses consecutivos.
Esse comportamento indica uma desaceleração prolongada, e não uma oscilação pontual. Portanto, quando o desemprego permanece elevado por tanto tempo, o impacto tende a atingir renda, consumo e confiança das famílias. Nesse sentido, o avanço do desemprego de longa duração se torna um sinal relevante para empresas, formuladores de política monetária e investidores.
Desemprego de longa duração ganha peso
A taxa cheia de desemprego não revela sozinha a profundidade da desaceleração. Quando mais pessoas passam seis meses ou mais sem conseguir trabalho, a reinserção tende a ficar mais difícil. Além disso, esse processo pode reduzir salários de entrada, adiar decisões de consumo e enfraquecer a mobilidade no mercado de trabalho.
Da mesma forma, a média de 22,7 semanas sugere que até as recolocações bem-sucedidas ficaram mais lentas. Ou seja, o problema não atinge apenas quem permanece fora do mercado. Ele também afeta quem consegue voltar a trabalhar depois de uma busca mais longa.
Jovens sofrem mais pressão no Canadá
Entre os grupos etários, os jovens canadenses aparecem como os mais afetados. Em abril, a taxa de desemprego nessa faixa subiu para 14,3%. Em contrapartida, o desemprego entre trabalhadores em idade central permaneceu estável em 6%.
A diferença entre os grupos reforça a leitura de que as condições de entrada e reinserção pioraram. Afinal, em ambientes de contratação mais lenta, os trabalhadores mais jovens costumam sentir primeiro os efeitos da redução de vagas. Em geral, eles têm menos experiência e menor poder de barganha.
Além disso, a piora entre jovens costuma antecipar fraquezas mais amplas no mercado de trabalho. Quando empresas reduzem o ritmo de contratação, programas de trainee, vagas de início de carreira e posições temporárias tendem a encolher antes.
Bank of Canada cita desalinhamento e tarifas
O Bank of Canada atribui parte da piora a um desencontro entre as habilidades disponíveis e as exigidas pelas vagas. Ao mesmo tempo, a queda na participação da força de trabalho também pesa. Dessa forma, o preenchimento dos postos fica mais lento e o tempo de recolocação aumenta.
Outro fator de pressão vem das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo a autoridade monetária, essas medidas criaram dificuldades adicionais para setores dependentes do comércio transfronteiriço. Assim, quando exportadores enfrentam compressão de margens, a contratação tende a desacelerar.
Além disso, os processos de seleção ficaram mais demorados de forma ampla. Por consequência, a duração média do desemprego avançou para 22,7 semanas. Esse número reflete não apenas a dificuldade de achar uma vaga, mas também um ambiente em que aprovação, seleção e efetivação passaram a exigir mais tempo.
Impactos econômicos e leitura para investidores
Para investidores, o enfraquecimento do emprego no Canadá aumenta a pressão sobre setores ligados ao consumo discricionário. Afinal, a perda de aproximadamente 112 mil vagas nos quatro primeiros meses de 2026 tende a reduzir a renda disponível das famílias. Como resultado, o espaço para gastos não essenciais pode encolher.
Ao mesmo tempo, o Bank of Canada enfrenta um equilíbrio delicado na política monetária. De um lado, há pressões inflacionárias associadas às tarifas. De outro, persiste a folga no mercado de trabalho, com desemprego elevado e maior dificuldade de recolocação. Portanto, essa combinação cria tensão entre apoiar a atividade econômica e conter os preços.
No conjunto dos indicadores, os dados mostram que a fraqueza no mercado de trabalho canadense vai além da taxa cheia de desemprego. Em janeiro de 2026, 25,4% dos desempregados procuravam trabalho havia pelo menos 27 semanas. Além disso, a duração média do desemprego alcançou 22,7 semanas. Já em abril, a taxa geral chegou a 6,9%, enquanto o desemprego entre jovens avançou para 14,3%.