Loops de RWA na DeFi miram onda bilionária

Os loops de RWA na DeFi ganharam força em 2026 e já aparecem como uma das teses mais promissoras do mercado cripto. Embora a tokenização de ativos do mundo real tenha ficado longe do foco das comunidades mais nativas de criptomoedas, esse cenário começa a mudar. Agora, eficiência de capital, composabilidade e demanda institucional avançam ao mesmo tempo.

Na prática, a tese é direta. O mesmo dólar tokenizado pode circular por várias camadas de finanças descentralizadas. Isso inclui fundos lastreados em Treasuries, mercados de crédito, produtos de renda fixa on-chain e plataformas de derivativos perpétuos. Assim, um ativo antes parado em rendimento básico passa a cumprir várias funções dentro da infraestrutura descentralizada.

Baixa alocação mostra espaço para expansão

Atualmente, protocolos DeFi concentram apenas cerca de 10% dos ativos tokenizados. Em outras palavras, a maior parte desse capital ainda opera fora do principal circuito de uso on-chain. Por isso, o setor enxerga uma reserva relevante de crescimento, sobretudo à medida que wrappers e derivativos ampliam o acesso a produtos antes limitados por estruturas permissionadas.

Um dos casos mais citados envolve o fundo BUIDL, da BlackRock, que já soma mais de US$ 3,1 bilhões em ativos sob gestão. Além disso, o produto distribuiu mais de US$ 100 milhões em dividendos acumulados. Ainda assim, apenas US$ 18,9 milhões do fundo atuam diretamente na DeFi. Essa diferença expõe o tamanho da oportunidade caso as camadas de acesso avancem.

Mesmo com essas restrições, o alcance do BUIDL já se espalha por estruturas derivadas. O USDtb mantém o fundo como principal reserva, enquanto o OUSG usa o BUIDL como base para gerar rendimento aos detentores. Ao mesmo tempo, o mesmo ativo já serve como colateral em estruturas triparty na Binance, na Deribit e na Crypto.com.

Em publicação na rede X, o analista Kaff afirmou que esse movimento se parece com uma reconstrução do mercado de repo dentro da DeFi. Segundo ele, o processo começa com a emissão de um RWA gerador de rendimento. Depois, passa pela separação desse retorno na Pendle.

Os loops de RWA na DeFi normalmente não recebem muita atenção no X sobre criptomoedas porque parecem entediantes. Eu sigo falando sobre RWAs porque gosto desse rendimento todos os dias. Só cerca de 10% dos ativos tokenizados estão travados na DeFi hoje, mas isso deve mudar quando o mercado perceber que esses ativos não precisam ficar parados.

Fonte: Kaff no X

Nesse modelo, o token principal entra como colateral em protocolos como Morpho, Euler ou Aave. Em seguida, as stablecoins obtidas em empréstimo compram mais colateral gerador de rendimento. Dessa forma, o ciclo recomeça. A reutilização de garantias eleva a eficiência do capital e fortalece a narrativa dos RWA como motor da próxima fase da DeFi.

Protocolos transformam rendimento em colateral

A Ondo Finance vem se posicionando para transformar ativos tokenizados de Wall Street em margem ativa dentro da DeFi. Seus produtos já se conectam tanto a protocolos descentralizados quanto a plataformas de negociação de perpétuos. Assim, instrumentos tradicionais passam a alimentar estratégias on-chain mais sofisticadas.

Por sua vez, a Centrifuge superou US$ 1,5 bilhão em valor total travado depois que os produtos JAAA e JTRSY ganharam tração institucional concreta. Com isso, o crédito institucional deixou de atuar apenas ao lado da DeFi e passou a operar dentro dela.

A Maple Finance levou para o ambiente on-chain uma demanda verificada de tomadores institucionais com o syrupUSDC. Além disso, o produto já aparece integrado a Morpho, Pendle, Kamino e até ao Revolut. Nesse contexto, a Morpho assumiu uma função semelhante à de um prime broker na pilha de loops de RWA. Seus mercados isolados e cofres com curadoria permitem criar mercados de crédito personalizados, sem o risco típico de pools compartilhados.

A Pendle, por sua vez, ganhou relevância ao converter ativos geradores de rendimento em instrumentos negociáveis de renda fixa. Assim, seus principal tokens passaram a funcionar como camada-base para operações de carry trade on-chain em diferentes áreas do ecossistema.

Wall Street se aproxima das finanças on-chain

Outro ponto importante envolve Apyx e Saturn Credit, que estão roteando para a blockchain o rendimento de dividendos do STRC, da Strategy. Depois disso, essa renda entra na Pendle e volta ao loop por meio da Morpho. Ao mesmo tempo, a arquitetura EVC da Euler oferece suporte nativo à rehypothecation e à movimentação de colateral entre diferentes cofres.

Entre os grandes alocadores de RWA, a Spark aparece com destaque. O sUSDS concentra bilhões em reservas, enquanto o programa Tokenization Grand Prix direcionou centenas de milhões de dólares para produtos da Centrifuge. A Ethena também entrou nessa leitura, já que dólares sintéticos podem servir como colateral produtivo nesses mesmos ciclos.

No conjunto, esses protocolos formam uma pilha integrada que converte fluxos de caixa do mundo real em motores de rendimento composto na DeFi. Portanto, os números ajudam a sustentar a tese. O BUIDL já administra mais de US$ 3,1 bilhões e distribuiu mais de US$ 100 milhões em dividendos. Porém, somente US$ 18,9 milhões seguem diretamente ativos na DeFi. Além disso, apenas cerca de 10% dos ativos tokenizados participam hoje desse ambiente de forma efetiva.

Em suma, a expansão dos loops de RWA depende menos da criação de novos ativos e mais da ativação do capital já existente. Se essa integração continuar avançando, a tokenização pode deixar de ser apenas uma ponte com o mercado tradicional. Nesse caso, ela tende a se tornar uma das principais fontes de liquidez, colateral e rendimento do mercado de criptomoedas.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas