TeraWulf compra área de 1 GW para IA no Kentucky
A TeraWulf Inc. anunciou nesta terça-feira a compra de um terreno no leste do Kentucky para desenvolver um data center hiperescalar. Com isso, a companhia amplia sua expansão em infraestrutura voltada à inteligência artificial e à computação de alto desempenho (HPC). Após o anúncio, as ações negociadas na Nasdaq sob o ticker WULF chegaram a subir 13,6% em Nova York, embora tenham encerrado o pregão com alta próxima de 11%.
Batizado de Muskie Data Campus, o ativo foi comprado da Industrial Equity Partners e fica dentro do EastPark Industrial Park, complexo industrial de 1.000 acres no nordeste do Kentucky. Segundo a empresa, o campus reúne cerca de 285 acres entre áreas próprias e controladas. Além disso, o local tem capacidade projetada para suportar mais de 1 gigawatt de infraestrutura de IA e HPC, volume equivalente ao consumo de energia de aproximadamente 750 mil residências.
Muskie Data Campus amplia presença no estado
De acordo com o cronograma divulgado, os primeiros 500 megawatts devem entrar em operação no segundo semestre de 2028. Em seguida, outros 500 megawatts devem chegar até o segundo semestre de 2030. Para atender o campus, a Kentucky Power, empresa do grupo AEP, constrói uma subestação de 345 quilovolts conectada a uma rede de transmissão existente de 765 kV, conforme citado no X.
A TeraWulf informou, além disso, que assinou os acordos de infraestrutura de transmissão e de fornecimento de energia no fechamento da operação. Dessa forma, a companhia avalia que possui um caminho claro para entregar energia em grande escala no longo prazo. O terreno também possui zoneamento compatível com o uso pretendido, enquanto o processo de licenciamento segue em andamento.
“A restrição decisiva neste mercado já não é mais o hardware de computação, e sim energia, infraestrutura de transmissão e previsibilidade de execução”, afirmou Paul Prager, presidente do conselho e CEO da TeraWulf. “O Muskie reúne energia escalável, infraestrutura robusta de transmissão, prontidão para desenvolvimento e posicionamento regional estratégico de uma forma difícil de replicar.”
Matthew Sigel no X
Com a aquisição, a TeraWulf passa a contar com um segundo grande campus de infraestrutura digital no Kentucky. O novo projeto se soma ao Justified Data, no Condado de Hancock, com capacidade de 480 megawatts. Nesse sentido, a companhia reforça sua posição como empresa de infraestrutura de energia voltada à construção de infraestrutura digital. Segundo Paul Prager, essa estratégia ajuda a garantir ativos estratégicos antes dos concorrentes.
Receita de IA ganha espaço frente à mineração
O anúncio ocorre em um momento relevante para os resultados da companhia. No trimestre mais recente, a receita relacionada a HPC avançou 117%, impulsionada pela unidade Lake Mariner, no oeste de Nova York, descrita pela empresa como um dos maiores campi de HPC da América do Norte. Além disso, no primeiro trimestre, a receita gerada por computação de IA superou pela primeira vez a receita oriunda da mineração de Bitcoin.
Ainda assim, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 427 milhões. O resultado reflete o aumento dos gastos com investimentos em infraestrutura, já que a TeraWulf expande sua plataforma para data centers e cargas voltadas à IA. Em outras palavras, a companhia acelera a construção de capacidade futura, mesmo sob pressão financeira no curto prazo.
Essa estratégia, anunciada em setembro do ano passado, conta com financiamento de um pacote de US$ 3 bilhões estruturado pelo Morgan Stanley, com suporte do Google na garantia da dívida. Por isso, o mercado interpretou a nova aquisição como mais um passo concreto na execução desse plano. Sobretudo, o movimento reforça a busca por ativos com acesso a energia e capacidade de transmissão, hoje fatores críticos no setor.
Ações da WULF sobem e setor busca diversificação
As ações da WULF chegaram perto de US$ 26, o maior patamar em cerca de três semanas. Desde o início de 2026, os papéis mais que dobraram de valor. Ao mesmo tempo, o ETF CoinShares Bitcoin Mining ETF, negociado sob o ticker WGMI e que tem a TeraWulf como sua terceira maior posição, com 10,86% de participação, subiu 4,5% no mesmo dia.
A movimentação da TeraWulf reflete uma tendência mais ampla entre mineradoras de Bitcoin. Afinal, várias empresas buscam diversificar suas operações em direção à inteligência artificial e à computação de alto desempenho, em meio à pressão sobre as margens da mineração. Empresas como Hut 8, HIVE Digital, MARA Holdings e IREN também redirecionam parte de sua infraestrutura para esse tipo de atividade.
Impacto regional e próximos marcos do campus
Além do efeito sobre a companhia, o Muskie Data Campus aparece como um projeto com impactos econômicos para o nordeste do Kentucky. A expectativa inclui geração de empregos durante a construção, abertura de vagas qualificadas de longo prazo e ampliação da arrecadação tributária local. Conforme a empresa, o projeto conta com apoio do gabinete do governador e de autoridades regionais de desenvolvimento econômico.
Como resultado, o novo campus adiciona mais de 1 gigawatt de capacidade prevista à estratégia da TeraWulf. A entrega inicial de 500 megawatts deve começar no segundo semestre de 2028, enquanto a nova subestação de 345 quilovolts ficará conectada à rede de 765 kV. Assim, a companhia avança em IA e HPC no momento em que a receita desses segmentos já supera a da mineração de Bitcoin, mesmo com prejuízo líquido de US$ 427 milhões e expansão financiada por um pacote de US$ 3 bilhões liderado pelo Morgan Stanley, com apoio do Google.