TD Cowen vê risco político maior para CLARITY Act
O CLARITY Act enfrenta risco político maior nos Estados Unidos, na avaliação de Jaret Seiberg, analista da TD Cowen. Embora o Comitê Bancário do Senado tenha aprovado o avanço do projeto em maio, o ambiente em Washington ficou mais hostil ao texto. Por isso, parte do mercado de criptomoedas reduziu a confiança em uma tramitação rápida.
A TD Cowen mantém em 40% a probabilidade de o CLARITY Act passar pelo Congresso ainda em 2026. A estimativa contrasta com leituras mais otimistas entre agentes do mercado cripto. Ainda assim, o banco avalia que a votação no comitê não eliminou os principais obstáculos políticos da proposta.
Senado ainda precisa formar maioria de 60 votos
O Comitê Bancário do Senado aprovou o projeto por 15 votos a 9. No entanto, o passo seguinte será mais difícil. Para avançar no plenário, o texto precisará reunir 60 votos, patamar que ainda parece distante.
Para Jaret Seiberg, a votação no comitê apenas levou o debate ao Senado completo. Em outras palavras, o projeto entrou em uma fase mais sensível. Nesse estágio, os impasses partidários tendem a pesar mais sobre qualquer tentativa de acordo.
Além disso, ainda não há consenso bipartidário sobre os pontos mais delicados da proposta. Democratas e republicanos seguem distantes em temas decisivos. Assim, investidores institucionais podem enfrentar um período mais longo de incerteza regulatória em Washington.
A TD Cowen sinalizou deterioração do ambiente político para o CLARITY Act, apesar do avanço bipartidário obtido no Comitê Bancário do Senado em maio.
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Seção 307 amplia tensão partidária
O principal foco de atrito está na Seção 307 do projeto. Esse trecho proíbe que o presidente, o vice-presidente e membros do Congresso negociem ativos digitais. Na prática, a medida ganhou forte peso político porque atinge empreendimentos recentes ligados à família Trump no setor de criptomoedas.
Entre os negócios citados estão a World Liberty Financial e a American Bitcoin. Na leitura da TD Cowen, esse ponto tornou a negociação mais complexa. Afinal, democratas podem ter dificuldade para apoiar o projeto sem padrões éticos mais rígidos. Ao mesmo tempo, republicanos podem reagir mal caso novas emendas pareçam direcionadas ao presidente Donald Trump e seus familiares.
Além disso, o senador Thom Tillis mantém uma posição firme em defesa de uma linguagem ética mais dura. Segundo a análise, ele se recusa a apoiar o projeto se as regras não alcançarem também a família Trump. Dessa forma, cresce a dificuldade para conquistar o apoio democrata considerado essencial no Senado.
Calendário curto pode empurrar decisão para 2027
Além da disputa política, o cronograma legislativo também preocupa. A janela para votação antes do recesso de agosto é curta. Portanto, sobra menos tempo para negociações adicionais e para a construção de um acordo mais amplo entre os partidos.
A TD Cowen avalia que a controvérsia em torno do CLARITY Act pode travar a agenda por vários meses. Se isso ocorrer, a aprovação final poderá ficar para 2027. Como resultado, as regras definitivas das agências reguladoras só seriam adotadas em 2029.
Atraso regulatório mantém cautela no setor
Esse cenário ampliaria a incerteza regulatória no mercado de criptomoedas dos Estados Unidos. O setor busca regras mais claras para a governança de ativos digitais e para os limites éticos aplicáveis a autoridades públicas. Sem uma definição legislativa, empresas, investidores e instituições tendem a manter uma postura mais cautelosa.
Em suma, a TD Cowen sustenta que a chance de aprovação do CLARITY Act em 2026 continua em 40%, mesmo após a votação de 15 a 9 no Comitê Bancário do Senado. O ponto mais sensível segue sendo a Seção 307, que proíbe o presidente, o vice-presidente e o Congresso de negociar ativos digitais.
Enquanto o Senado não constrói uma maioria clara, a regulação dos ativos digitais nos Estados Unidos continuará presa a disputas partidárias e éticas. Nesse meio tempo, o texto ainda pode avançar. Porém, o risco político aumentou, sobretudo pelo embate em torno de negócios associados à família Trump.