Solana pode chegar a 30% do valor do Ethereum em 2026

Solana e Ethereum começaram 2026 em posições distintas no mercado de criptomoedas. O Ethereum segue como principal referência entre redes de contratos inteligentes em valor travado e presença institucional. Ainda assim, a Solana acelerou e reduziu a distância mais rápido do que muitos analistas projetavam há dois anos.

Ao mesmo tempo, os ETFs à vista mudaram os fluxos de capital. Além disso, avanços técnicos e um ambiente regulatório mais definido ampliaram a comparação entre as duas redes. Dessa forma, a disputa entre Solana e Ethereum passou a depender de adoção, receitas, estabilidade técnica e cenário macroeconômico.

Ethereum mantém vantagem institucional

Rede preserva liderança em DeFi e tokenização

O Ethereum iniciou 2026 com valor de mercado perto de US$ 450 bilhões, atrás apenas do Bitcoin. Esse patamar reflete anos de amadurecimento do ecossistema, bem como uma base sólida em finanças descentralizadas. Protocolos como Aave e Lido seguem entre os principais pilares dessa posição.

Além disso, a tokenização de ativos do mundo real reforçou essa liderança. O fundo BUIDL, da BlackRock, tokeniza exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos na rede Ethereum. O produto superou US$ 2 bilhões em ativos sob gestão no fim de 2025. Assim, grandes instituições ainda tratam o Ethereum como camada padrão de liquidação.

O valor total travado da rede segue acima de US$ 60 bilhões. Embora Arbitrum, Base e Optimism concentrem grande parte das transações diárias, essas redes ainda liquidam operações na mainnet do Ethereum. Portanto, a rede principal continua capturando valor, mesmo quando o usuário final opera fora da camada base.

Solana ganha espaço em varejo e aplicações rápidas

A Solana ultrapassou US$ 110 bilhões em valor de mercado no início de 2026. O movimento marcou uma forte recuperação após as mínimas vistas depois do colapso da FTX em 2023. Em primeiro lugar, a retomada veio do varejo. Além disso, memecoins, NFTs e melhorias técnicas sustentaram o avanço.

A rede processa mais de 4 mil transações por segundo em momentos de pico, com finalização em menos de um segundo. Por isso, a Solana ganhou força em aplicações DeFi de alta frequência e em produtos voltados ao consumidor final.

Projetos como Jupiter, Helium e Render ampliaram a credibilidade do ecossistema para além da especulação. Ademais, a narrativa de DePIN cresceu e colocou a Solana como rede preferencial para infraestrutura física descentralizada. Para o usuário comum, as taxas em frações de centavo seguem como vantagem competitiva clara.

Atualizações técnicas podem mudar a disputa

Ethereum aposta em rollups e disponibilidade de dados

A atualização Pectra, implementada em 2025, ampliou a capacidade de blobs e reduziu de forma relevante os custos de dados nas redes de segunda camada. Em seguida, o Ethereum passou a avançar em direção ao Danksharding completo, que deve elevar a disponibilidade de dados para rollups.

Com isso, transações mais baratas nas L2 podem atrair mais usuários, aplicações e queima de ETH via EIP-1559. No entanto, a infraestrutura do Ethereum fica cada vez mais invisível para o usuário comum. Mesmo assim, a segurança e a liquidação final continuam dependentes da rede principal.

Firedancer vira teste decisivo para Solana

Do lado da Solana, o principal catalisador técnico é o Firedancer, cliente independente de validadores desenvolvido pela Jump Crypto. Conforme os testes iniciais, o sistema pode suportar mais de 1 milhão de transações por segundo em ambientes controlados.

Mais importante que a velocidade bruta, porém, é a possibilidade de reduzir um dos maiores pontos de crítica contra a Solana: as interrupções de rede. Dessa maneira, dois clientes independentes diminuem o risco de uma única falha comprometer toda a operação da blockchain. Se o Firedancer entregar estabilidade ao longo de 2026, a tese negativa sobre a sustentabilidade de longo prazo da SOL perde força.

ETFs e modelo econômico entram no centro da análise

Ethereum já colhe efeitos dos ETFs à vista

Os ETFs à vista de Ethereum, lançados em meados de 2024, acumulavam cerca de US$ 12 bilhões em entradas líquidas até o começo de 2026. Embora o volume ainda fique abaixo dos produtos de Bitcoin, ele ajudou a fortalecer o piso de preço do ETH. Afinal, os fundos abriram uma via regulada para investidores institucionais.

Agora, o ponto mais sensível envolve o staking. Se a Securities and Exchange Commission, SEC, autorizar ETFs de Ethereum a fazer staking com os ativos custodiados e repassar o rendimento aos investidores, a dinâmica de demanda pode mudar bastante. Nesse cenário, um retorno entre 3% e 4% em um ETF à vista tornaria o ETH mais competitivo em certos portfólios.

A hipótese também considera que uma decisão desse tipo poderia acrescentar dezenas de bilhões de dólares ao valor de mercado do ativo. A expectativa de definição vai até o terceiro trimestre de 2026.

Solana depende de execução e aprovação regulatória

No caso da Solana, gestoras como VanEck e 21Shares protocolaram pedidos para ETFs à vista em 2024, mas o cronograma de aprovação seguia indefinido. Historicamente, a SEC mostrou mais resistência a produtos de altcoins além de Bitcoin e Ethereum. Ainda assim, o ambiente político mudou.

Uma eventual aprovação em 2026 funcionaria como forte catalisador para a SOL. Por outro lado, parte desse otimismo pode já estar no preço. Assim, a aprovação pode gerar efeito menor que o esperado pelos investidores mais otimistas. Já uma rejeição teria potencial para provocar correção relevante.

No modelo econômico, o Ethereum combina emissão com queima de taxas. A Solana, por sua vez, ainda depende mais da inflação do token, hoje em torno de 5,5% ao ano, em queda gradual. Em momentos de maior demanda, taxas prioritárias e receitas ligadas a MEV reforçam o retorno dos validadores, especialmente para quem usa o cliente da Jito.

Porém, a questão central permanece: a Solana conseguirá gerar receita suficiente com taxas para sustentar sua avaliação à medida que a inflação cair?

Projeções de valor de mercado até o fim de 2026

Cenário-base ainda favorece Ethereum

No cenário mais otimista, a Solana pode atingir valor de mercado entre US$ 150 bilhões e US$ 180 bilhões até o fim de 2026. Isso equivaleria a cerca de 25% a 30% da faixa projetada para o Ethereum, entre US$ 550 bilhões e US$ 650 bilhões.

Essa hipótese considera bom desempenho do Firedancer, aprovação de ETF à vista de SOL e continuidade do interesse por DePIN e aplicações voltadas ao consumidor. Por sua vez, o Ethereum continuaria beneficiado por ETFs com staking e pelo avanço da tokenização de ativos do mundo real.

Se esse quadro se confirmar, a redução da distância seria expressiva. No início de 2024, afinal, a Solana representava cerca de 12% do valor de mercado do Ethereum.

No cenário negativo, a Solana ficaria entre US$ 80 bilhões e US$ 90 bilhões, enquanto o Ethereum se manteria perto de US$ 400 bilhões. Esse resultado poderia surgir em caso de rejeição de ETF, nova interrupção relevante da rede ou enfraquecimento do mercado de criptomoedas por aperto macroeconômico.

Além disso, riscos regulatórios, como medidas sob o MiCA na Europa ou ações da SEC nos Estados Unidos, podem afetar a Solana de forma mais intensa.

Na leitura mais realista, o cenário-base coloca o Ethereum entre US$ 475 bilhões e US$ 550 bilhões em dezembro de 2026. Já a Solana ficaria entre US$ 120 bilhões e US$ 160 bilhões. Portanto, as variáveis decisivas do ano serão as decisões sobre ETFs, a estabilidade do Firedancer e a evolução da receita real gerada pelas redes.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas