Bitcoin resiste a saídas de US$ 1 bi do IBIT
Grandes detentores de Bitcoin movimentaram bilhões de dólares em poucos dias. Ainda assim, o mercado absorveu a pressão sem uma queda imediata mais profunda. Ao mesmo tempo, saídas ligadas ao iShares Bitcoin Trust, o IBIT, da BlackRock, e a transferência de moedas de um minerador da era Satoshi ampliaram a atenção sobre a liquidez. Mesmo nesse cenário, o ativo sustentou níveis elevados e manteve o apetite comprador entre investidores de varejo.
Fluxos do IBIT ampliam pressão vendedora
A Arkham Intelligence rastreou vendas de Bitcoin por carteiras vinculadas à BlackRock em todos os pregões da semana passada. No acumulado, as vendas somaram cerca de US$ 1,01 bilhão. Assim, o fluxo chamou atenção porque ocorreu em sequência e coincidiu com resgates no principal ETF spot da gestora.
Pelo rastreamento em blockchain, aproximadamente 15.000 BTC passaram pela Coinbase Prime em um fluxo aparentemente ligado aos resgates do IBIT. Em outras palavras, o mercado interpretou essas transferências como reflexo direto de saídas do ETF. Ainda assim, o preço do Bitcoin sustentou a região acima de US$ 74.000 durante esse período.
Além disso, as saídas não ficaram restritas à semana anterior. Em 25 de maio, o IBIT registrou mais US$ 105,19 milhões em retiradas. Em seguida, no dia 26 de maio, houve nova saída de US$ 333,71 milhões. Com isso, a pressão vendedora avançou para o início da nova semana.
Reservas do ETF recuam quase US$ 8 bilhões
O histórico de saldo exibido pela Arkham indica que as reservas de Bitcoin associadas ao IBIT atingiram um pico acima de US$ 75 bilhões na primeira metade de maio. O montante chegou perto de US$ 75,5 bilhões por volta de 11 de maio. Desde então, porém, o fundo entrou em queda quase contínua e recuou para menos de US$ 67 bilhões em 26 de maio. Portanto, a redução chegou a cerca de US$ 8 bilhões entre o topo e o fundo em menos de três semanas.
Conforme dados da SoSoValue, os 11 ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 1,26 bilhão nos cinco pregões entre 18 e 22 de maio. O movimento ganhou relevância porque abril havia encerrado com entradas líquidas de US$ 1,97 bilhão, o melhor resultado mensal de 2026 até então. Além disso, o começo de maio ainda mostrava uma sequência positiva.

Fonte: Arkham
Minerador da era Satoshi move US$ 203 milhões
A atividade das grandes carteiras não se limitou aos ETFs. A Onchain Lens afirmou no X que um minerador da era Satoshi movimentou 2.650 BTC. O valor equivale a cerca de US$ 203 milhões. As moedas foram enviadas para a FalconX e a Cumberland, duas mesas relevantes de negociação de balcão, conhecidas como OTC.
As transferências foram divididas em três transações. Mesmo após os envios, a carteira ainda mantinha cerca de 6.000 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 460 milhões. Nesse sentido, o uso de mesas OTC costuma reduzir o impacto visível no preço. Isso ocorre principalmente quando um grande detentor busca contraparte privada, em vez de vender uma grande quantidade diretamente em corretoras.
Além disso, esse tipo de operação chama atenção porque envolve moedas da era Satoshi saindo de uma condição de oferta inativa para oferta ativa. Ou seja, trata-se de Bitcoin antigo voltando a circular no mercado em um momento de forte monitoramento sobre liquidez e capacidade de absorção da demanda.
Varejo mantém otimismo apesar da oferta elevada
Apesar das vendas bilionárias por grandes participantes, o comportamento do varejo seguiu em direção diferente. O discurso de compra na queda continua forte nas redes sociais voltadas ao mercado de criptomoedas. Ao mesmo tempo, a resiliência do Bitcoin acima da faixa de US$ 76.000 ajudou a sustentar o sentimento positivo entre investidores mais otimistas.
Essa divergência foi resumida pela própria Arkham na pergunta sobre quem estaria comprando enquanto a BlackRock vende. Afinal, esse é o ponto central do cenário atual. Há uma oferta relevante chegando ao mercado, mas ainda existe demanda suficiente para impedir uma deterioração imediata do preço abaixo dessa região.
Na prática, o quadro mostra uma disputa clara entre fluxos institucionais de saída e compradores dispostos a absorver o volume. Dessa forma, o Bitcoin preserva força relativa mesmo diante de resgates expressivos em ETFs e da movimentação de carteiras históricas.
Como resultado, os números reforçam esse contraste. De um lado, carteiras ligadas à BlackRock venderam cerca de US$ 1,01 bilhão em Bitcoin, enquanto o IBIT registrou saídas adicionais de US$ 105,19 milhões e US$ 333,71 milhões nos dias 25 e 26 de maio. De outro, um minerador da era Satoshi deslocou 2.650 BTC, cerca de US$ 203 milhões, para FalconX e Cumberland. Ainda assim, o preço permaneceu sustentado em uma faixa elevada, sinalizando que o mercado segue absorvendo essa oferta relevante.