EUA atacam Irã e petróleo passa de US$ 100

As forças dos Estados Unidos atacaram instalações de mísseis do Irã e embarcações que tentavam posicionar minas nas águas ao sul do país em 26 de maio. Como resultado, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) superou US$ 100 por barril, enquanto investidores reagiam ao risco de interrupções no Estreito de Hormuz.

A passagem marítima concentra cerca de um quinto do petróleo mundial. Por isso, qualquer ameaça à navegação no local costuma afetar rapidamente os preços internacionais de energia, bem como ações e ativos de risco.

O Pentágono afirmou que a operação ocorreu em “autodefesa”. Segundo a autoridade militar americana, os ataques atingiram instalações fixas de mísseis e embarcações iranianas envolvidas ativamente no lançamento de minas marítimas. Assim, o episódio ampliou o risco geopolítico no Golfo e recolocou o Irã no centro da atenção dos mercados globais.

Golfo volta a pesar nos mercados globais

O conflito mais amplo começou em 28 de fevereiro, quando uma operação militar resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei, então líder supremo do Irã. Depois disso, um cessar-fogo foi estabelecido por volta de 8 de abril. Ainda assim, o alívio durou pouco, já que Teerã vinha ameaçando retaliar forças americanas posicionadas na região.

Ao mesmo tempo, negociações diplomáticas no Catar seguem formalmente em andamento. O objetivo é ampliar a desescalada. Nesse sentido, o avanço ou o fracasso dessas conversas deve influenciar os próximos movimentos em energia, ações e ativos de risco.

A alta do WTI para acima de US$ 100 reflete o temor de bloqueios ou perturbações logísticas no Estreito de Hormuz. Como a rota tem peso relevante no fluxo global de petróleo, qualquer mudança no padrão de navegação pode sustentar nova pressão sobre os preços.

Ações recuam e criptomoedas oscilam

Com a escalada militar, as ações recuaram e a aversão ao risco voltou a dominar parte dos mercados. Além disso, o novo ambiente interrompeu a trégua observada após o cessar-fogo de abril, quando investidores precificaram um cenário de menor tensão regional.

No mercado de criptomoedas, o conflito também provocou oscilações relevantes desde o início do ano. Quando as primeiras ações militares começaram, as liquidações em ativos digitais superaram US$ 701 milhões. Posteriormente, com o anúncio do cessar-fogo em abril, o Bitcoin avançou para acima de US$ 72.000. Agora, a retomada das hostilidades deixa essa recuperação mais vulnerável.

Polymarket registra apostas sobre ataques

Além do impacto direto nos preços, a crise impulsionou a atividade em mercados de previsões. A plataforma Polymarket registrou mais de US$ 529 milhões em volume de apostas relacionadas a cenários de ataques entre Estados Unidos e Irã. Algumas contas teriam obtido entre US$ 1 milhão e US$ 1,2 milhão em lucros antes mesmo dos ataques de fevereiro.

Para operadores e investidores, dois vetores passam a ser decisivos. Em primeiro lugar, as tratativas diplomáticas no Catar podem indicar se ainda existe caminho concreto para um novo cessar-fogo. Em segundo lugar, qualquer alteração na navegação pelo Estreito de Hormuz pode definir se o petróleo permanecerá acima de US$ 100 ou avançará ainda mais.

Por ora, os fatos centrais concentram a atenção dos mercados. Os Estados Unidos atingiram instalações de mísseis e barcos associados ao Irã em 26 de maio. O Pentágono classificou a ação como autodefesa. O WTI superou US$ 100 por barril. Além disso, o Bitcoin havia passado de US$ 72.000 após a trégua de abril, enquanto a Polymarket acumulou mais de US$ 529 milhões em volume ligado ao confronto entre Washington e Teerã.