Samsung comprará 4% da Dunamu por US$ 408 mi
Três afiliadas da Samsung vão investir 612,8 bilhões de won, cerca de US$ 408 milhões. O objetivo é adquirir 4% da Dunamu, controladora da Upbit, a maior exchange de criptomoedas da Coreia do Sul. Um dos maiores movimentos institucionais do ano no setor de ativos digitais do país. A operação integra a estratégia do conglomerado para ampliar presença em ativos digitais e blockchain.
A Samsung Securities ficará com 2% da Dunamu. Além disso, a Samsung SDS, unidade de tecnologia da informação do grupo, e a Samsung Card, subsidiária de pagamentos, comprarão 1% cada. No total, as três empresas comprarão 1,39 milhão de ações em uma venda em bloco, com pagamento integral em dinheiro. As partes preveem concluir a transação em 19 de junho.
Atualização: Samsung Securities, Samsung SDS e Samsung Card estão adquirindo em conjunto uma participação de 4% na Dunamu, operadora da Upbit, a maior exchange de criptomoedas da Coreia do Sul, em um acordo de US$ 446 milhões para expandir atuação em ativos digitais, stablecoins e finanças baseadas em blockchain.
CryptoTimes.io no X
No lado vendedor, participam Kakao Investment, Kakao Ventures, Kakao Youth Entrepreneurship Fund e KIF, Kakao Woori Bank Technology Finance Investment Fund. Assim, todos esses investidores devem sair integralmente da base acionária da Dunamu após a transação.
Samsung usa Dunamu para avançar em finanças digitais
Embora o investimento seja conjunto, cada afiliada busca objetivos distintos. Em primeiro lugar, a Samsung Securities pretende cooperar com a Dunamu em projetos de valores mobiliários tokenizados. Ao mesmo tempo, a Samsung SDS avalia integrar suas capacidades em inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança à infraestrutura de blockchain da empresa.
A Samsung Card, por sua vez, estuda incorporar pagamentos baseados em criptomoedas à plataforma Monimo, vinculada ao Samsung Financial Group. No entanto, essa frente depende da eventual criação de stablecoins denominadas em won sul-coreano.
Segundo um representante da Samsung, o grupo estruturou o aporte para reforçar a competitividade de cada afiliada em finanças digitais. Além disso, a estratégia busca assegurar posição de liderança em um setor de ativos digitais que muda rapidamente.
Upbit dá peso estratégico à Dunamu na Coreia do Sul
As três afiliadas da Samsung vão adquirir aproximadamente 1,39 milhão de ações de uma afiliada da Kakao. Na divisão da participação, a Samsung Securities ficará com 2% da Dunamu. Já Samsung SDS e Samsung Card comprarão 1% cada.
Além disso, o peso estratégico da operação está diretamente ligado à posição da Upbit no mercado local. A exchange controla atualmente quase 80% do volume de negociação de criptomoedas na Coreia do Sul. Dessa maneira, a Dunamu se consolida como uma das companhias mais influentes do setor de ativos digitais na Ásia.
A empresa também vem fortalecendo seu perfil regulatório. Recentemente, a Dunamu nomeou o ex-vice-presidente da Financial Services Commission, Do Gyu-sang, como diretor externo. O movimento ganha relevância porque ocorre em um momento de maior atenção regulatória e de debate sobre stablecoins atreladas ao won no mercado financeiro sul-coreano.
Enfim, esse movimento reforça o peso estratégico da Dunamu no mercado local. Afinal, em diferentes períodos, a Upbit respondeu por mais de 70% do volume negociado de criptomoedas na Coreia do Sul. Dessa forma, a companhia se consolidou entre as operadoras de exchange mais relevantes do mundo e ampliou sua influência no mercado de criptomoedas.
Saída da Kakao abre espaço para sócios operacionais
A troca de acionistas também chama atenção. Antes, a Dunamu contava com investidores ligados ao ecossistema da Kakao e com perfil mais próximo de capital de risco. Agora, a empresa passa a receber três sócios operacionais com capacidade de distribuição, tecnologia e relacionamento regulatório.
Um representante da própria Dunamu afirmou que a parceria com a Samsung inclui produtos financeiros baseados em blockchain, infraestrutura de pagamentos, sistemas de distribuição e serviços impulsionados por inteligência artificial. Nesse sentido, a reorganização societária sugere uma busca por alianças com maior integração comercial e tecnológica.
Grupos financeiros da Coreia do Sul buscam exchanges
A Dunamu não está sozinha nesse movimento. Conforme o setor avança, conglomerados financeiros tradicionais da Coreia do Sul ampliam participação em empresas de infraestrutura para ativos digitais. A Korea Investment Holdings já adquiriu fatia na Coinone. Da mesma forma, a Mirae Asset avançou sobre a Korbit.
Esse padrão indica que os maiores grupos financeiros do país buscam exposição direta a plataformas de negociação de criptomoedas, em vez de apenas observar o setor. Por conseguinte, a entrada da Samsung na Dunamu pode marcar uma nova etapa de consolidação entre finanças tradicionais e empresas nativas de blockchain.
Na prática, a transação oferece à Samsung diferentes portas de entrada em frentes como tokenização, pagamentos digitais e soluções corporativas baseadas em blockchain. Por outro lado, a Dunamu fortalece sua estrutura acionária com parceiros capazes de acelerar produtos, distribuição e integração tecnológica.
Samsung mira stablecoins, tokenização e IA
As empresas envolvidas indicaram que a parceria pode abrir espaço para iniciativas ligadas a pagamentos com stablecoin, valores mobiliários tokenizados, finanças em blockchain, infraestrutura financeira com uso de inteligência artificial e serviços conectados a ativos digitais.
Com efeito, a estratégia não é idêntica para todas as divisões participantes. A Samsung Securities pretende aprofundar a cooperação em emissão de valores mobiliários tokenizados e em serviços vinculados a ativos virtuais. Na prática, isso aproxima a corretora de uma das principais plataformas de negociação do país em um momento de evolução desse mercado.
Já a Samsung SDS quer combinar sua experiência em inteligência artificial, computação em nuvem, cibersegurança e blockchain com a infraestrutura operacional da Dunamu. Assim, essa combinação sugere foco maior na construção das bases tecnológicas para a próxima geração de serviços financeiros digitais.
No caso da Samsung Card, o foco declarado está nos pagamentos digitais. A companhia afirmou que pode integrar sistemas de pagamento com ativos digitais ao Monimo, plataforma financeira unificada da Samsung Financial Networks, caso a Coreia do Sul avance para a adoção de uma stablecoin baseada no won.
Operação deve terminar em 19 de junho
A operação prevê a compra de 1,39 milhão de ações da Dunamu por 612,8 bilhões de won. Assim, a Samsung Securities assumirá 2%, enquanto Samsung SDS e Samsung Card ficarão com 1% cada. Em contrapartida, os veículos de investimento ligados à Kakao deixarão totalmente a base acionária da companhia.
Como resultado, a negociação coloca a Dunamu no centro da estratégia digital da Samsung e reforça a importância da Upbit no mercado sul-coreano. Além disso, o acordo mostra como grandes instituições financeiras do país passaram a tratar a infraestrutura de blockchain e de criptomoedas como ativo estratégico de longo prazo.