VanEck gasta US$ 750 mil por ano com Claude, diz CEO
Jan van Eck, CEO da gestora de ativos VanEck, afirmou que a empresa gasta cerca de US$ 750 mil por ano com o Claude, modelo de inteligência artificial que a Anthropic desenvolveu. A declaração ocorreu durante entrevista no Six Five Pod com Josh Brown. Assim, a fala expôs um dos números mais concretos já divulgados por uma grande instituição financeira sobre consumo corporativo de IA.
A VanEck administra dezenas de bilhões de dólares em ativos e mantém produtos voltados ao mercado cripto, incluindo ETFs de Bitcoin e Ethereum. Nesse sentido, o valor chama atenção porque mostra como ferramentas de IA já entraram na rotina de uma gestora com presença relevante nas finanças tradicionais e nos ativos digitais.
O ponto central não está apenas no custo anual. Afinal, o dado também ajuda a medir o ritmo com que a inteligência artificial ganhou espaço em operações financeiras, pesquisa e produção de conteúdo dentro de uma instituição tradicional.
Tokens de IA já sustentam rotinas internas
Além do gasto anual, Jan van Eck informou que o consumo interno de tokens de IA avançou para bilhões de tokens por dia. Isso ocorreu após a implementação dos modelos Claude e ChatGPT em diferentes áreas da operação. Dessa forma, a adoção deixou de ser pontual e passou a sustentar atividades recorrentes.
Segundo a descrição do executivo, a VanEck aplica esses modelos em operações ligadas a ETFs, geração de conteúdo de marketing, padronização de dados e fluxos de pesquisa. Em outras palavras, a IA já participa de tarefas analíticas e operacionais que afetam a rotina da companhia.
Esse quadro reforça uma mudança mais ampla no setor financeiro. Antes, muitas empresas tratavam a IA como ferramenta experimental. Agora, porém, parte das gestoras já usa esses modelos como infraestrutura de trabalho, com uso contínuo e distribuído por várias equipes.
Valor coloca a gestora entre clientes corporativos relevantes
O desembolso anual de US$ 750 mil deixa a VanEck abaixo do grupo que mais gasta na plataforma da Anthropic. Ainda assim, a empresa permanece dentro da faixa de clientes corporativos relevantes. Conforme as informações citadas na entrevista, o Claude já reúne centenas de clientes empresariais com gastos superiores a US$ 1 milhão por ano.
Portanto, o caso da VanEck ajuda a ilustrar a rápida expansão do mercado de inteligência artificial corporativa. Ao mesmo tempo, revela que a competição por produtividade, automação e velocidade de análise tende a crescer entre grandes players financeiros.
Divulgação do número foge ao padrão do setor
O aspecto mais significativo da revelação talvez não esteja apenas no montante. De fato, gestoras de ativos costumam tratar investimentos em tecnologia como informação estratégica. Isso ocorre principalmente quando a ferramenta pode gerar vantagem competitiva em pesquisa, análise de mercado ou eficiência operacional.
Ao tornar público esse valor, a VanEck oferece um raro vislumbre de quanto uma instituição financeira estabelecida aceita gastar para incorporar IA em larga escala. Além disso, a fala de Jan van Eck sugere que esse tipo de despesa já entrou no orçamento estrutural da empresa, e não apenas em uma fase de testes.
Essa transparência também interessa a concorrentes, fornecedores e investidores. Afinal, quando uma gestora com presença relevante em ETFs e ativos digitais assume esse nível de investimento, o mercado ganha uma referência concreta sobre custo e prioridade estratégica.
Exposição tecnológica pode entrar no radar de investidores
A VanEck está entre os emissores mais conhecidos de ETFs ligados a criptomoedas. Seus produtos de Bitcoin e Ethereum ajudaram a posicionar a empresa como ponte entre o sistema financeiro convencional e o ecossistema de ativos digitais. Por isso, a adoção intensa de IA dentro da companhia interessa também a investidores que acompanham esses produtos.
Ao mesmo tempo, o uso concentrado de um único fornecedor de IA cria um novo tipo de risco operacional. Uma empresa que direciona US$ 750 mil anuais a um provedor específico fica mais exposta a interrupções de serviço, mudanças de preço ou alterações de política. Se isso ocorrer, a adaptação pode exigir rapidez.
Ainda assim, a presença do ChatGPT no ambiente interno indica algum grau de diversificação tecnológica. Contudo, essa diversificação não elimina a dependência de provedores externos de IA. Nesse cenário, investidores podem monitorar esse tipo de exposição com mais atenção, sobretudo porque a tecnologia já atua em áreas centrais como pesquisa, marketing, dados e operações de ETFs.
Na entrevista, Jan van Eck resumiu esse avanço de forma objetiva: a VanEck gasta cerca de US$ 750 mil por ano com o Claude e já consome bilhões de tokens por dia em suas operações internas. Em suma, a declaração reforça que a inteligência artificial ganhou papel estrutural dentro de uma gestora relevante para o mercado cripto e para o universo dos ETFs.